2025-02-01

0423. Sudarium Capitis


 

Desde o século XII, em Cadouin, França, os cristãos veneraram, efetuaram peregrinações, atribuíram milagres e ressurreições a uma peça de tecido (“sudarium capitis”) que supostamente teria envolvido a cabeça de Cristo e tinha sido preparado pela própria “Virgem Maria”.

 

Inesperadamente, em 1935 o bispo de Périgueux suprimiu todas as cerimónias porque foi descoberto por um professor da Escola de Línguas Orientais, de Paris, que o mesmo continha a inscrição…

“Em nome de Deus clemente e misterioso (De Deus não há senão Allah) seu associado. Mahomet é o enviado de Allah…” -que teria pertencido a Moustali, que foi califa do Egipto entre 1094 e 1101. O pano foi tecido nessa época.

 

Até à Revolução, o sudário foi considerado uma das mais importantes relíquias de França, ao ponto de no século XVIII o Padre Frison lhe chamar “o mais antigo e firme monumento da Religião” (Católica).

“Fiéis em multidão vieram orar diante deste precioso motivo de paixão” …

A “Igreja encorajou as peregrinações e numerosos Papas atribuíram graças e indulgências aos peregrinos” …

“As peregrinações continuaram cada vez mais numerosas, acompanhadas de milagres retumbantes e prodigiosos (ressurreições)…”

 

Por mais de 700 anos os fiéis católicos veneraram um manto que continha inscrições que glorificaram Allah e Mahomet e catorze papas declararam solenemente que o Sudário de Cadouin era autêntico.

O bispo Debert afirmou que, “duvidar da sua autenticidade, equivalia a nunca mais podermos dar crédito a testemunhos humanos”.

 

Para além deste longo e humilhante período de tempo de “paixão religiosa” que a Igreja Católica devotou a um véu islâmico, é de salientar a forma brusca como foi interrompida após ter sido desmascarada… e sobretudo como tem sido silenciada para não cair na chacota popular ou objeto de ridicularização perante a opinião pública.

 

Se a “autenticidade dos milagres tem no sudário de Cadouin o seu mais genuíno padrão” e o tomarmos como um exemplo histórico que teve início no século XII e foi venerado por multidões de peregrinos até 1935, então o que dizer, do fenómeno (“milagre de Fátima”), que teve início em 1917 e pouco mais que um século de vida tem, mas atinge hoje uma das suas fazes mais apoteóticas e de maior fulgor económico?

 

Fonte: Fátima Desmascarada, Cap. XI., João Ilharco

Nota: “Sudarium Capitis”: Manto muçulmanao com 2,81 m comprimento e 1,13 de largura.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-02-02
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2025-01-25

0422. Voar


 

Nasci e cresci naturalmente indiferente a crenças e crentes

Nasci e cresci naturalmente indiferente a ilusões e superstições

Nasci e cresci humildemente sorrindo à essência e à ciência

Nasci e cresci humildemente questionando muito além do além

Quando as primeiras dúvidas surgiram já tinha saído do ninho e voava plenamente

Quando as primeiras dúvidas surgiram já tinha decidido como e que rumo tomava

Quando as primeiras dúvidas surgiram já sabia que o destino seria o resultado das minhas escolhas

Quando as primeiras duvidas surgiram já pensava nos que ficaram no ninho ou presos pelo caminho

 

Agora que observo completamente a linha do horizonte

Agora que observo esta deslumbrante beleza da natureza

Agora que desfruto totalmente da emoção de voar livremente

 

Olho em frente e vivo plenamente

 

Carpe die

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-12-12
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2025-01-15

0421. Quando vier a primavera

 


Quando vier a primavera e eu já não estiver

Digam à primavera tudo o que ela quiser

Digam que flori e decaí como as flores da primavera

Por ter perecido não acaba a primavera apenas as flores que fruí

Tal como todas as flores da primavera apenas brotei despontei e expirei

A vida segue sem mim tal como todas flores da primavera

Abri desabrochei e fechei feliz tal como todas as flores na primavera

Foi a minha estação de primavera

Foi o meu perfume de flor da primavera

Toda a beleza que despontei e despertei foi realmente um presente

Por isso desfolhei e findei contente

Sobre o meu túmulo podem dizer o que quiserem

Podem colocar as flores que quiserem

É-me completamente indiferente tal como ás flores da primavera

Só não quero que chorem porque sempre sorri

Sempre sorri e vivi como as flores da primavera

Podem dançar e cantar à volta da minha sepultura

“Não tenho preferências porque já não terei preferências”

E mesmo que as tivesse seria completamente indiferente

Podem entoar o hino de Lennon[1] e sorrir à primavera

Podem sorrir até à vossa primavera

Fico feliz por ser assim naturalmente

O que for quando for que seja o que é

Espero que vivam como eu vivi

Espero que vivam como as flores da primavera

 

“Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma”

“Não desejei senão estar ao sol ou à chuva”

Tal como as flores da primavera

 

 

Nota: Escrito logo após a leitura de “Quando vier a Primavera” (F. Pessoa)



[1] Imagine


 

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-12-01
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2024-12-03

0420. Absurdo


 

"O problema não é um deus, que não existe, mas a religião que o proclama"

José Saramago

 

Assoberbado por este reconfortante e enigmático silêncio, observo serenamente o brilho das estrelas…

É completamente absurdo sequer imaginar que toda esta perfeita e magnificente imensidão tenha sido criada por uma suposta criatura sobrenatural que tudo controla… incluindo o que agora mesmo penso ou sinto… e que, ousando discordar, ou comportando-me mal, me castigaria por toda a suposta eternidade.

 

Como é que alguém pode sequer equacionar este absurdo?

Como é que alguém pode viver… matar e até morrer em nome deste autêntico absurdo?

 

Não se compreende que o ser humano continue preso a crenças primitivas que durante seculos martirizaram, obstruíram e destruíram civilizações e gerações…

Compreende-se perfeitamente o desejo de eternidade, a busca de perfeição e de justiça, a necessidade de explicação de fenómenos naturais…

Compreende-se perfeitamente o desejo de viver melhor, o medo e a necessidade de consolo perante a morte… a dor da perda de seres queridos… a ausência de um sentido de vida…

 

O que não se compreende é este absurdo!

Não se compreende esta incessante e massacrante doutrinação religiosa infantil!

Não se compreende esta contínua endoutrinação de dogmas da religião, assimilados como virtudes ou verdades absolutas…

Não se compreende a forma como são impostos à sociedade… como justificam guerras e motivam paz e bem-estar eterno.

Não se compreende como as religiões continuam a parasitar o patriotismo como forma de obter proteção ou benefícios do poder instalado…

Não se compreende como as religiões continuam a justificar a esmola e a ajuda aos mais pobres e desfavorecidos como forma de extorsão financeira…

Não se compreende como as religiões continuam a segregar povos em função da crença, da raça ou da etnia… como continuam a marginalizar homossexuais e diminuir o papel da mulher na sociedade submetendo-a à uma mera condição de objeto ou de reprodução…

Não se compreende como as religiões se apropriam da ética, da moral e dos costumes… das mais nobres virtudes humanas… como se fossem suas… e muito menos que as usem mesquinhamente para viver à custa do sangue suor e lágrimas dos mais pobres e desfavorecidos.

 

Nas religiões nada se compreende, nada se questiona… simplesmente acredita-se!

 

Nenhuma religião torna o mundo melhor ou as pessoas mais felizes!

 

Afinal… todas dependem da ação humana e o absurdo está nos homens que as criam e proclamam!

 

Na realidade… pode-se ser feliz sem religião!

 

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-12
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2024-11-17

0419. Mensagem de Natal da IC na RTP

 


Atribuir à Igreja Católica ou a qualquer outra confissão religiosa tempo de antena em canais de televisão públicos, pagos pelo contribuinte, viola o princípio constitucionalmente definido da Laicidade da República Portuguesa.

Havendo um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, segundo o qual "toda a publicidade destinada a promover uma confissão religiosa, ou que tenha por objeto ideias religiosas, deverá ser considerada ilícita, incorrendo o infrator em responsabilidade contraordenacional", não se compreende, porque não foi tomada qualquer ação por quem de direito.

Se ao Provedor (a) do Ouvinte e do Telespectador compete “representar e defender, no contacto com as Empresas de Serviço Público de Rádio e de Televisão, as perspetivas dos Ouvintes e dos Telespectadores diante da oferta radiofónica e televisiva”, o que é que o mesmo fez para evitar tal ilicitude?

Católicos, evangélicos, muçulmanos, hindus, judeus, budistas… qualquer crença têm o direito de transmitir a suas “mensagens”, mas, obviamente, nos locais e canais próprios, para os seus fiéis seguidores, ou para aqueles que veneram amigos imaginários e paguem o dízimo ou esmola… não para a população em geral e muito menos para pessoas minimamente lucidas e racionais, que normalmente estão vacinadas contra os seus dogmas.

Não o podem fazer numa televisão pública paga por todos os contribuintes, sobretudo aqueles que respeitam a separação e laicidade do Estado.

Não é lícito!… muito menos moral, o Estado favorecer, publicitar e patrocinar uma religião específica (IC) a quem atribui inúmeras regalias e sobretudo isenções de impostos.

 

Já chega de discursos “politiqueiros” … “jornadas religiosas” … “lutas contra o aborto” … “lutas contra a eutanásia” … “lutas contra a homossexualidade” …

 

Só falta mesmo que lutem contra a pedofilia e indemnizarem as vítimas.

Só falta mesmo levantarem que os cuzinhos gordinhos dos bancos das igrejas, e em vez de discursos e orações inúteis, saírem para a rua para ajudar os mais pobres e desfavorecidos.

Só falta mesmo começarem a distribuir parte da riqueza que acumularam ao longo de séculos para ajudarem a matar a fome no mundo.

 

A RTP, enquanto órgão de informação, tem obrigação de oferecer aos seus telespectadores e contribuintes um serviço público livre e independente do poder político, económico e religioso.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-12-24
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2024-11-14

1050. Eu queria

 



Eu queria...

Eu queria ter o Mundo ante mim,

Desde o Princípio, Meio, até ao Fim.

 

Eu queria...

Eu queria colocar Tudo[1] num poema assim,

E depois lê-lo vezes sem fim.

 

Eu queria...

Eu queria saber qual o meu Fim[2],

Conhecer o Outro e entrar dentro de mim.

 

Eu queria...

Eu queria dizer-Te[3] que sim,

E acreditar também em mim.

 

Eu queria...

Eu queria alcançar a Unidade[4], enfim

Tantas coisas assim.

 



[1] A totalidade do Real, tudo o que existe...

[2] O objetivo/função da minha vida

[3] Deus

[4] Realização pessoal, poética, total...


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