2024-12-03

0420. Absurdo




 

"O problema não é um deus, que não existe, mas a religião que o proclama"

José Saramago

 

Assoberbado por este reconfortante e enigmático silêncio, observo serenamente o brilho das estrelas. É completamente absurdo sequer imaginar que toda esta perfeita e magnificente imensidão tenha sido criada por uma suposta criatura sobrenatural que tudo controla, incluindo o que agora mesmo penso ou sinto… e que, ousando discordar, ou comportando-me mal, me castigaria por toda a suposta eternidade.

Como é que alguém pode sequer equacionar este absurdo? Como é que alguém pode viver, matar e até morrer em nome deste autêntico absurdo?

Não se compreende que o ser humano continue preso a crenças primitivas que durante séculos martirizaram, obstruíram e destruíram civilizações e gerações. Compreende-se perfeitamente o desejo de eternidade, a busca de perfeição e de justiça, a necessidade de explicação de fenómenos naturais. Compreende-se perfeitamente o desejo de viver melhor, o medo e a necessidade de consolo perante a morte, a dor da perda de seres queridos, a ausência de um sentido de vida. O que não se compreende é este absurdo! Não se compreende esta incessante e massacrante doutrinação religiosa infantil! Não se compreende esta contínua falta de doutrina de dogmas da religião, assimilados como virtudes ou verdades absolutas. Não se compreende a forma como são impostos à sociedade, como justificam guerras e motivam paz e bem-estar eterno. Não se compreende como as religiões continuam a parasitar o patriotismo como forma de obter proteção ou benefícios do poder instalado. Não se compreende como as religiões continuam a justificar a esmola e a ajuda aos mais pobres e desfavorecidos como forma de extorsão financeira. Não se compreende como as religiões continuam a segregar povos em função da crença, da raça ou da etnia, como continuam a marginalizar homossexuais e a diminuir o papel da mulher na sociedade, submetendo-a à uma mera condição de objeto ou de reprodução. Não se compreende como as religiões se apropriam da ética, da moral e dos costumes, das mais nobres virtudes humanas como se fossem suas, e muito menos que as usem mesquinhamente para viver à custa do sangue suor e lágrimas dos mais pobres e desfavorecidos.

Nas religiões nada se compreende, nada se questiona… simplesmente acredita-se!

Nenhuma religião torna o mundo melhor ou as pessoas mais felizes! Afinal, todas dependem da ação humana e o absurdo está nos homens que as criam e proclamam!

 

Na realidade, pode-se ser feliz sem religião!

 

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-12
Imagem: IA
Obs.:
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