Ora, tal como o ato de fé, o desejo de existência
de uma entidade supranatural não a faz existir e muito menos confere sentido à
vida humana. Uma coisa é o desejo de qualquer crente, outra é a realidade da
matéria viva. De certa forma, o próprio desejo é o impulso primitivo e induz a
crença.
Obviamente que não é por não acreditar em «deuses»
que a vida deixa de fazer sentido. Obviamente que não é por não acreditar em
«milagres» que alguém deixa de ser uma pessoa íntegra ou adotar uma postura moralmente
irrepreensível.
Verifica-se, aliás, precisamente o contrário: a
maioria dos ateus são pessoas responsáveis, com níveis culturais assinaláveis e
sobretudo com capacidade de análise e conclusão relativamente a fenómenos
fictícios, tal os dogmas da Igreja Católica que a Ciência progressivamente tem
vindo a desvendar e desmascarar.
Qualquer ateu tem perfeita noção do bem e do mal,
não precisa de muletas divinas para que a sua vida tenha sentido, não precisa
que um qualquer pastor lhe diga o que é, ou não, correto e muito menos se
mutilar, circuncisar, castrar, queimar, sacrificar ou matar alguém, tal como é
descrito em algumas das inenarráveis passagens da Bíblia, é, ou não, apenas moralmente
censurável, mas um ato criminoso.
Qualquer ateu conhece perfeitamente as inúmeras
irracionalidades, guerras, divisões e episódios de violência que foram
cometidas em nome das mais absurdas religiões. Obviamente terá presente que
tanto a origem como a solução dos problemas nunca estará num qualquer «deus» omnipresente,
omnisciente e omnipotente, que não existe, mas na ação do próprio homem.
Qualquer ser humano minimamente racional tem
perfeita noção de que o conceito de «deus» apenas existe na sua mente, não
passando de uma projeção dos seus próprios desejos e ideais.
Claro que a vida faz sentido! Basta ter o coração
ocupado com um amor autêntico. Claro que a vida faz sentido! Basta ter a mente
ocupada com uma atividade aliciante. Claro que a vida faz sentido! Basta
desfrutar plenamente cada momento. Basta ter a perceção do seu valor e aceitar
corajosamente a sua finitude. Que melhor prova posso dar que não seja a minha?
Mais um dia relativamente feliz sem qualquer
divindade!
Autor: Carlos Silva
Data: 2023-10-20
Imagem: IA
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