John Lennon disse, um dia, que «os Beatles são mais populares que
Jesus Cristo».
É
natural que John Lennon, um ser livre e perfeitamente racional, tenha dito que
«os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo», afinal, adorava música e
abominava a hipocrisia das crenças religiosas.
Na
altura, as suas declarações, tal como «God» e «Imagine», foram vistas como uma
autêntica afronta, uma ofensa apocalíptica para a maioria das religiões de todo
o mundo. «Imagine um mundo sem religião com todas as pessoas vivendo as suas
vidas em paz?».
Era
uma «blasfémia», uma perfeita utopia, ou eventualmente um inquestionável
desafio a qualquer mente minimamente racional!
Além
duma acérrima crítica à religião, «Imagine» é, sobretudo um autêntico hino à
paz e transformar-se-ia também num grande êxito mundial.
Mas
Lennon, não se ficaria por aqui. Afirmaria também que «o Cristianismo iria
acabar; encolher e desaparecer…». Tais palavras implicariam graves
consequências para os Beatles e em particular para Lennon, que, como sabemos,
acabaria por ser assassinado em 1980; facto ainda hoje interpretado por alguns
radicais religiosos como «castigo divino». Apesar de não terem grande impacto
no seu país, nos Estados Unidos, sobretudo a nível dos católicos mais
conservadores, gerariam uma autêntica onda de indignação e revolta, levando à
queima de discos, a ameaças e a tentativas de agressão durante a sua digressão.
A
pressão de seitas religiosas radicais como KKK e sobretudo do Vaticano, que
através do Papa emitiria uma nota de protesto, seria de tal forma violenta que
o cantor seria forçado a retratar-se publicamente. Numa primeira fase, Lennon
negar-se-ia a pedir desculpa, no entanto, sob a ameaça de que, em caso de
negação, estaria em risco toda a digressão pelo território americano, acabaria
por fazê-lo: «Nunca quis comparar os Beatles a Jesus Cristo… […] a ideia era
que, para muitos jovens, a música é mais importante do que a religião… […] não
sou contra Deus ou contra a religião…». «Nunca quis que soasse como uma coisa
vil e antirreligiosa… se querem que eu peça desculpas, se isso os deixará
felizes, então ok: desculpem-me.»
Tendo
em conta o atual contexto político português, onde Estado e religião católica
vivem e convivem de mãos dadas, espero nunca ser constrangido a afirmar o
contrário do que penso. Espero nunca ter de pedir desculpa por dizer o que
penso… ou apenas porque tal, eventualmente, ofenda a crença de alguma seita no
seu fiel amigo imaginário. Afinal, tal como Lennon, apenas quero «paz num mundo
sem fronteiras nem religiões». Mas quero mais do que «imaginar»! Quero viver
esse mundo na realidade e em plena liberdade! Quero… e é precisamente o que
tenho vivido até agora!
Autor: Carlos Silva
Data: 2023-11-22
Imagem: Internet
Obs.:
Direitos reservados.
https://agora7564.wordpress.com/2023/11/25/0386-popularidade/
https://carlosagora.wixsite.com/agora/post/0368-popularidade
https://www.youtube.com/channel/UC7eqAuRMLutI1shAPCX5bnA
