2018-03-03

0062. Dá que pensar




Vi na comunicação social que… «Ontem à meia-noite, foi um dia histórico na Arábia Saudita… porque as mulheres conduziram um veículo pela primeira vez…». É verdade! Antes estavam proibidas! Dá que pensar!

Como é possível no século XXI?! Como é que, em pleno século XXI, um ser humano do sexo feminino, para conduzir uma máquina (neste caso uma viatura… a sua viatura), não basta apenas saber conduzir e conhecer as regras de circulação, tem de ser autorizado por outro ser humano… neste caso, um rei – homem, é claro!

Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem por leis (neste caso, muçulmana: Sharia) que proíbem um ser humano de conduzir a sua viatura, só porque a natureza aleatoriamente lhe conferiu o género feminino e uns ditos moralistas ultraconservadores, profetas, não sendo médicos, discordam, afirmando que conduzir pode ferir os ovários? É simplesmente surrealista, mas está a acontecer… Está a acontecer hoje… na realidade!

Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem por leis que proíbem uma mulher de andar sozinha na rua sem o seu «guardião» masculino, que tem de ser o marido, o pai ou o irmão… que considera que a educação de uma mulher não é necessária, que deve ficar em casa e que na escola ou no restaurante os homens se devem separar das mulheres?

Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que obrigam as mulheres a cobrir o corpo (deixando apenas ver o rosto, os olhos, as mãos e pés…), com «vestes longas», pretas, folgadas e opacas, para não mostrarem as linhas do corpo?! Onde a palavra de uma mulher não é tão valiosa como a do homem… as sentenças podem não se basear na lei, mas em tradições tribais… proíbe de falar em seu nome à polícia ou queixar-se do seu próprio agressor?

Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem por leis em que as meninas, menores, são obrigadas a casar tão cedo, que aos 12 anos têm de pedir ajuda para se divorciarem de um marido de 80 anos com quem, por determinação dos pais, casara?

Dá igualmente que pensar que a maior parte destas mulheres aceite e não pretenda mudar tal situação… aliás, até mesmo no ocidente, há pouco, alguém dizia que «o lugar da mulher é em casa» e que é «normal o marido bater-lhe se esta se portar mal…».

Na verdade, mais do que pensar, importa compreender, importa ajudar a despertar…

Ainda estamos muito longe do respeito dos direitos fundamentais de todos os seres humanos, nomeadamente no que se refere ao género.

 


Autor: Carlos Silva
Data: 2018-06-24
Imagem: Internet
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