2018-03-05

0064. Anna Muzychuk




Não sou grande adepto de xadrez, mas hoje uma notícia[1] sobre os campeonatos do mundo de xadrez que decorrem em Riade, na Arábia Saudita, despertou a minha atenção e não precisamente pela modalidade em si. A atual campeã do mundo, Anna Muzychuk, recusou-se a participar! Segundo palavras suas, «Estou empenhada em defender os meus princípios…», «Decidi jogar de acordo com as minha regras: recuso-me a usar abaya[2] e a não poder sair à rua sem ser acompanhada por um homem. Em suma, recuso que me façam sentir um ser inferior…».

Ainda que no ano anterior tenha jogado no Catar, agora não se deixa tentar sequer pelo prémio monetário, quatro vezes superior aos valores praticados.

A organização, que terá pagado mais de 1,5 milhões de dólares para organizar o torneio, nega ser obrigatório o uso de véus, permitindo que as mulheres vistam calças azuis-escuras e camisas de gola alta…

Como é possível que, no século XXI, ainda perdurem tradições milenares absolutamente arcaicas que discriminam o ser humano… mulher? Como é possível ainda haver nas atuais civilizações formas de discriminação política, racial, social e sobretudo sexual? Tal agita a minha consciência… como pode alguém ficar indiferente ou calado? Não se trata apenas de recusar a usar uma simples peça de vestuário ou da liberdade de passear sozinha pela rua! Trata-se da igualdade de seres humanos… neste caso de género! E os valores da Anna são os valores de todos os seres humanos! Ou pelo menos de alguns!

 



[1] http://24.sapo.pt/desporto/artigos/tudo-tem-os-seus-limites-campea-mundial-de-xadrez-recusa-se-a-jogar-naarabia-

saudita-devido-ao-vestuario-feminino

[2] Género de túnica comprida que completa a indumentária árabe feminina



Autor: Carlos Silva
Data: 2017-12-17
Imagem: IA
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