Não sou grande adepto de xadrez, mas hoje uma
notícia[1] sobre os campeonatos do mundo de
xadrez que decorrem em Riade, na Arábia Saudita, despertou a minha atenção e
não precisamente pela modalidade em si. A atual campeã do mundo, Anna Muzychuk,
recusou-se a participar! Segundo palavras suas, «Estou empenhada em defender os
meus princípios…», «Decidi jogar de acordo com as minha regras: recuso-me a usar
abaya[2] e a não poder sair à rua sem ser
acompanhada por um homem. Em suma, recuso que me façam sentir um ser
inferior…».
Ainda que no ano
anterior tenha jogado no Catar, agora não se deixa tentar sequer pelo prémio
monetário, quatro vezes superior aos valores praticados.
A organização, que
terá pagado mais de 1,5 milhões de dólares para organizar o torneio, nega ser
obrigatório o uso de véus, permitindo que as mulheres vistam calças
azuis-escuras e camisas de gola alta…
Como é possível que,
no século XXI, ainda perdurem tradições milenares absolutamente arcaicas que
discriminam o ser humano… mulher? Como é possível ainda haver nas atuais
civilizações formas de discriminação política, racial, social e sobretudo
sexual? Tal agita a minha consciência… como pode alguém ficar indiferente ou
calado? Não se trata apenas de recusar a usar uma simples peça de vestuário ou
da liberdade de passear sozinha pela rua! Trata-se da igualdade de seres
humanos… neste caso de género! E os valores da Anna são os valores de todos os
seres humanos! Ou pelo menos de alguns!
