Quem sou eu?
Que origem para esta admirável massa biológica?
Que origem para esta assombrosa fragilidade cognitiva?
Que origem para este “penso logo existo”[1]
que apenas me confere capacidade de
pensar como prova de existência… mas não abarca sequer a amplitude da consciência?
Porque não me oferece respostas objetivas e é incapaz de preencher
este incomensurável vazio?
Esta ténue noção de “quem sou eu” apenas me permite reconhecer o Agora…
O Agora que me toca, observa, sente, pensa, repensa e viola até à
exaustão.
O Agora que não para de se transformar… e de me transformar!
O Agora que extrapola descomunalmente esta incapacidade de existencialidade…
O Agora que une este corpo e mente biologicamente degradáveis!
O Agora efémero e finito!
Vejo-O confirmar a consciência desta minha efémera existência até
ao limite da perceção possível… até ao limite do sofrimento impossível!
Só Agora o posso enfrentar!
Só Agora o posso temer ou venerar!
Na realidade nunca ninguém saberá “quem sou Eu” porque também não
sei!
Tal como todos os pensamentos, todas as palavras são inúteis…
Nada restará destes pobres neurónios… desta consciência de ser…
Nem as ligações, as transmissões, as sensações, as emoções…
Nada!
Eis o efémero e ciente lapso de saber que não sei quem sou!
O Agora do Ser que agora sou…
A imagem mental transformada em literal.
A imagem literal transformada em mental no Agora de alguém!
Sou eventualmente a resposta inútil e perdida de ninguém…
Sou eventualmente outro Agora, o Ser de alguém!
Autor:
Carlos Silva
Data: 2026-01-10
Imagem: IA
Obs.:
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