Refere
o jornal Público que o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, citou um
versículo bíblico falso, retirado do filme Pulp Fiction durante um sermão no
Pentágono.
“A oração era
uma adaptação do monólogo proferido pela personagem de Samuel L. Jackson. No
filme, a personagem atribui-o falsamente a Ezequiel 25:17 antes de um
assassinato…”
«O caminho do
aviador abatido está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas
e pela tirania dos homens malvados. Abençoado seja aquele que, em nome da
camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas, pois ele é
verdadeiramente o guardião do seu irmão e o descobridor das crianças perdidas.
E eu castigarei com grande vingança e ira furiosa aqueles que tentarem capturar
e destruir o meu irmão. E saberás que o meu indicativo de chamada é Sandy 1
quando eu derramar a minha vingança sobre ti.»
“Pete
Hegseth, citou um versículo bíblico falso…” -mas existe algum versículo verídico
na Bíblia? Quando digo “verídico”, obviamente não refiro o texto, escrito e
rescrito por clérigos ao longo de séculos ou se descreve o recente “caminho” de
algum “aviador”, mas sim o conteúdo, a ética, o valor científico e a utilidade
para a humanidade. Quem, de consciência
minimamente sã, pode usar como referência, hoje em dia, um livro que contém
relatos de genocídios, infanticídios ou leis completamente bárbaras e absurdas?
Até
à presente data desconheço o objeto de estudo da Teologia e consequentemente a sua
utilidade; e, pelo que constato, não são apenas os “legítimos representantes da
Igreja Católica” (I.C.) que andam a estudar o “livro sagrado”. Os políticos
católicos americanos também estão a adaptá-lo e a usá-lo (alegadamente violando
a própria narrativa) para endoutrinar e incentivar os seus militares a rezar e
a combater[1]
em nome do Dito.
Recentemente,
o representante máximo da I. C., o americano Leão XIV, desmentiu e condenou veementemente
o uso da religião (em nome do Dito) como bênção/justificação para ações bélicas.
Os
novos representantes americanos, cientes da magnânima força da sua legitimidade,
aconselharam o Papa a “estudar Teologia”, porque eles é que estão realmente certos!
Entretanto,
na sua viagem por África, em Bamenda, nos Camarões, Leão XIV, voltou novamente a
apelar à paz, salientando que “este mundo está a ser devastado por uma
mão cheia de tiranos” com guerras e exploração.
Confesso
que não vi o filme Pulp Fiction, mas, pelo menos, fiquei a saber que a
personagem do Samuel J Jackson recitava o versículo supracitado, ou o versículo
adaptado, sempre antes de matar alguém.
Ora,
se o versículo original que homologa e instiga os ditos representantes divinos
a “matar e vingar em nome do Senhor”, só
por si, já choca qualquer mente humana minimamente racional, então, o que dizer
destes novos (i)legítimos representantes da Teocracia Americana que abençoam a
guerra com citações de filmes violentos de ficção, em nome do Dito e com acesso
ao maior arsenal bélico e nuclear do planeta?
Pois,
podem perfeitamente fazer o mesmo que a personagem de Samuel L. Jackson, se
alguém não pensa como eles, não lhes dá o que querem, ou simplesmente não tem a
mesma religião: mata-se e está o assunto resolvido!
Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-16
Imagem: Internet
Obs.:
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