2026-04-20

0450. “E se o cristianismo estiver de novo a ficar na moda?”

 


“E se o cristianismo estiver de novo a ficar na moda?”

 

Caro JMT…

Depois de ler o seu assombroso artigo, confesso que fiquei realmente com vontade de responder.

«O século XXI será espiritual ou não será». “Parece que vai ser” -diz.

Ora o seu “parece” é objetivamente típico do “acredito e tenho uma fé inabalável que é, ou parece que vai ser”. É caso para dizer, em pleno século XXI, parece-lhe realmente que Ele existe?!

A mim, a única coisa que me parece é que está a regressar à Idade Média!

Quanto à “campanha nos autocarros de Londres” …

«Provavelmente Deus não existe. Para de te preocupar e aprecia a vida».

Se um crente realmente doou 50 libras por entender que a iniciativa era “ótima para pôr as pessoas a pensar em Deus” … ora, pelo menos, também colocou alguns crentes como o JMT a meditar… se “Ele realmente existe... onde é que está?”. Acredito que alguém estará disposto a doar-lhe muito dinheiro para provar a sua existência!

Refere que “se os novos ateístas fossem mais sensatos, saberiam que o impulso religioso é impossível de extirpar…”. Impossível de extirpar?!

Possivelmente para um crente endoutrinado como o JMT será difícil… mas não impossível! Afinal, basta raciocinar um pouco e torna-se perfeitamente possível!

Eu “extirpei o meu; aliás, assassinei-O sem dó nem piedade! Confesso que o meu “espírito crítico” foi implacável com Ele!

“O Novo Ateísmo passou de moda e o que se está a assistir em muitos países ocidentais é o lento emergir de um interesse renovado na religião.”

“Emergir” ... ou submergir? -afinal, refere um facto concreto: “em Portugal os últimos Censos mostram que o número de portugueses que se afirmam católicos é o mais baixo de sempre…”.

Sobre a sua despedida…“Uma Santa Páscoa para todos”. Decerto estará a referir-te a “todos, todos, todos” os crentes. É que a maioria dos ateus, não celebra a morte de entidades supranaturais e muito menos a sua ressurreição.

Durante a semana da Páscoa, normalmente saio uns dias de Portugal e vou passear para não ser massacrado com esta enxurrada de patranhas.

Foi precisamente o que fiz esta semana. Fui até Auschwitz ver como é que o Exército alemão e os judeus (com o devido respeito) viveram a Páscoa.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-08
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2026-04-17

0499. Pete Fiction

 


Refere o jornal Público que o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, citou um versículo bíblico falso, retirado do filme Pulp Fiction durante um sermão no Pentágono.

 

“A oração era uma adaptação do monólogo proferido pela personagem de Samuel L. Jackson. No filme, a personagem atribui-o falsamente a Ezequiel 25:17 antes de um assassinato…”

«O caminho do aviador abatido está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos homens malvados. Abençoado seja aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o descobridor das crianças perdidas. E eu castigarei com grande vingança e ira furiosa aqueles que tentarem capturar e destruir o meu irmão. E saberás que o meu indicativo de chamada é Sandy 1 quando eu derramar a minha vingança sobre ti.»

 

“Pete Hegseth, citou um versículo bíblico falso…” -mas existe algum versículo verídico na Bíblia? Quando digo “verídico”, obviamente não refiro o texto escrito e rescrito por clérigos ao longo de séculos ou se descreve o recente “caminho” de algum “aviador”, mas sim a mensagem, a ética, o valor científico e utilidade para a humanidade. Quem, de consciência minimamente sã, pode usar como referência um livro que contém relatos de genocídios, infanticídios e leis completamente absurdas?

Até à presente data desconhece-se o objeto de estudo da Teologia e consequentemente a sua utilidade; e, pelo que constato, não são apenas os “legítimos representantes da Igreja Católica” (I.C.) que andam a estudar o “livro sagrado”. Os políticos católicos americanos também estão a adaptá-lo e a usá-lo (alegadamente violando a própria narrativa) para endoutrinar e incentivar os seus militares a rezar e a combater[1] em nome do Dito.

Recentemente, o representante máximo da I. C., o americano Leão XIV, desmentiu e condenou veementemente o uso da religião (em nome do Dito) como bênção/justificação para ações bélicas.

Os novos representantes americanos, cientes da força da sua legitimidade, aconselharam o Papa a “estudar Teologia”, porque, afinal, eles é que estão realmente certos!

Entretanto, na sua viagem por África, nos Camarões, Leão XIV, voltou novamente a apelar à paz, salientando que “este mundo está a ser devastado por uma mão cheia de tiranos” com guerras e exploração.

Confesso que não vi o filme Pulp Fiction, mas, pelo menos, fiquei a saber que a personagem do Samuel J Jackson recitava o versículo supracitado, ou o versículo adaptado, sempre antes de assassinar alguém.

Ora, se o versículo original que homologa e instiga os ditos representantes divinos a “matar e vingar em nome do Senhor”,  só por si, já choca qualquer mente humana minimamente racional, então, o que dizer destes novos (i)legítimos representantes da Teocracia Americana que abençoam a guerra com citações de filmes violentos de ficção, em nome do Dito e com acesso ao maior arsenal bélico e nuclear do planeta?

Pois, podem perfeitamente fazer o mesmo que a personagem de Samuel L. Jackson, se alguém não pensa como eles, não dá o que pretendem, ou simplesmente não tem a mesma religião: mata-se e está o assunto resolvido!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-16
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[1] Matar



2026-04-15

0448. "Uma civilização inteira morrerá esta noite"

 


Acabado de chegar de Auschwitz, ainda algo agitado com a abominável magnitude do cenário presenciado, eis que sou presenteado com mais uma “pérola” do esquizofrénico alucinado que atualmente reside na Casa Branca em Washington, D.C. (E.U.A.):

 

“Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser ressuscitada.”

 

A esta apocalíptica narrativa, acrescenta o omnipotente, que após a 1 da manhã, vai “lançar o inferno sobre o Irão”, caso não seja cumprido o prazo por ele próprio determinado para abertura do estreito de Ormuz.

Alguém que me diga se esta retórica belicista é própria de um ser humano que esteja no seu perfeito juízo mental?

Alguém minimamente ponderado e consciente pode tolerar que o presidente dos E.U.A. venha a público proferir esta barbaridade?

Como é que um país como os E.U.A, que se afirma livre e democrático, mas na realidade se assemelha a uma teocracia de contornos que roçam o extremismo mais radical, pode permitir este tipo de discurso ao seu presidente?

Perante tais aberrações[1] e sobretudo atos de guerra à margem da legalidade, como é que o Congresso dos E. U. A. não avança com um processo de “impeachment”?

Se o ex-diretor da CIA, John Brennan, declara publicamente que “o presidente norte-americano não está apto para o cargo” …

Se o líder do Senado americanoChuck Schumer, refere que “Trump é uma pessoa extremamente doente e que cada republicano que se recuse a juntar-se na votação contra esta guerra é dono de cada consequência…”

Se o líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, refere que “o Congresso deve acabar imediatamente com esta guerra de escolha imprudente no Irão antes que Trump nos mergulhe na terceira guerra mundial…”

Então, do que estão à espera?

Que aconteça mais uma tragédia mundial?

 Mais grave ainda; questionado sobre a eventualidade de estar a cometer “crimes de guerra”, o dito afirma:

“Não, não estou minimamente preocupado com isso! Estamos numa operação militar! Não vou utilizar a palavra guerra porque para isso teria que ir ao Congresso pedir autorização!”

Não vai utilizar a palavra “guerra”? Vai usar o quê? “Operação militar especial”? -essa já tem direitos de autor e foi reivindicada por outro alucinado.

Inacreditavelmente, neste momento nos E.U.A. (e praticamente em todo o mudo) discute-se a possibilidade/legitimidade do presidente ordenar um ataque nuclear ao Irão! Questiona-se a possibilidade dum alucinado, comandante supremo da FA dos E.U.A. ordenar um ataque nuclear, como se o apelo à eliminação de uma civilização não fosse já em si um crime de guerra.

Até parece que, de um momento para outro, o “Américan first” do movimento que apoiou a sua eleição (MAGA) deixou de ter qualquer significado. Agora segue-se o “Irão first” com um peditório aos contribuintes para fazerem mais uns sacrifícios e suportarem os custos astronómicos da guerra em nome do país, e claro, do “deus que abençoa a guerra”.

Afinal, tal como na Venezuela, sempre se pode ganhar algum dinheiro extra com o petróleo do Irão!

 

Nunca a célebre frase de António Aleixo fez tanto sentido prático…

«Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.»

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-07
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[1] Declarações




2026-03-25

0447. «Lugar maravilhoso»

 


 


Tal como disse um dia o saudoso Rui Nabeiro…

«Se todos quiséssemos o mundo seria um lugar maravilhoso».

 

Tal como imaginou um dia o saudoso John Lennon…

«Imagine um mundo em paz, sem fronteiras e sem religião».

 

Se todos quiséssemos o mundo seria realmente um «lugar maravilhoso», «sem guerras, sem fronteiras, sem religiões, e em perfeita harmonia».

Tal como o Rui e o Lennon, a maioria dos seres humanos não quer apenas que o mundo seja um «lugar maravilhoso»; exige que o mundo seja realmente um «lugar maravilhoso» e vivê-lo neste admirável lapso de tempo uma experiência única e fascinante; um direito inalienável de todos os que o elegeram como lar.

Como podemos permitir que meia dúzia trumps, putins, e kim jong-uns, não permita que um ser humano desfrute ou imagine sequer viver neste «lugar maravilhoso»?

Ninguém pode privar ninguém de viver neste «lugar maravilhoso»!

É preciso parar esta insanidade!

Queremos que o mundo seja realmente um «lugar maravilhoso»!

É urgente[1] que todos vivamos em paz neste «lugar maravilhoso»!



[1] Legítimo

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-31
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2026-03-06

0446. «Falsos curandeiros...»

 


«Falsos curandeiros condenados por enganar as suas vítimas…»

 

Li hoje (mais) uma notícia sobre a «condenação de cinco falsos curandeiros que encenavam rituais de purificação com o objetivo de enganarem a vítima e extorquirem dinheiro de forma ilícita».

Apesar da gravidade do assunto, não consegui deixar escapar um sorriso acompanhado de mais um simples ato de reflexão:

Falsos curandeiros?!... mas, então, também existem curandeiros verdadeiros?!

Concordo plenamente que todos os ditos “curandeiros” que enganam as suas inocentes vítimas sejam severamente condenados; mas, quem lê superficialmente o artigo, pode perfeitamente ser levado a deduzir que existem “verdadeiros curandeiros” e que estes não devem ser condenados por enganarem as suas vítimas!

Ou será que, ao contrário dos «falsos», os «verdadeiros curandeiros», são oficialmente inimputáveis?

Na verdade, falsos curandeiros são todos uma vez que tanto uns como outros enganam as suas vítimas!

Fiquemos então por “Curandeiros condenados por enganar as suas vítimas”.

Assim estará mais correto!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-26
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0445. Jesus

 


Não é fácil, para não dizer impossível, descrever a aparência física de uma entidade fictícia. É preciso muita imaginação por parte do (s) criador (es) e sobretudo aceitação por parte dos fiéis seguidores, que necessariamente terão que ser precocemente convencidos da sua existência.

Tomando como exemplo a mitologia católica, o livro que lhe serve de base e glorifica não faz qualquer referência à aparência física. Apenas sabemos que ao longo da história da sua criação e disseminação ideológica, sofreu inúmeras alterações e versões que normalmente se identificavam com as características do criador ou padrão da época.

De acordo com alguns teologistas, o suposto “Jesus da Galileia”, teria uma figura «morena, baixa estatura e cabelo curto» -o padrão característico dos judeus da época.

De acordo com a Igreja Católica, «deus é espírito, imaterial e invisível»; não possui um corpo físico ou forma humana; no entanto, o Evangelho refere que «quem vê Jesus, vê o Pai», o que pressupõe que assumiu a natureza e aparência física de um homem judeu desse primeiro século.

As primeiras versões hoje conhecidas surgiram durante o Império Bizantino, que passou a retratar o Dito como um ser invencível e semelhante aos imperadores da época.

Não havendo, por razões óbvias, uma definição ou orientação da Igreja Católica sobre a sua real fisionomia, a mesma foi sendo alterada e definida ao longo do tempo pelo critério dos artistas, com destaque para o Renascimento italiano que o popularizou como um «Jesus caucasiano de olhos claros». Consequentemente, a maioria dos ditos cristãos, ainda o imagina e retrata precisamente como um «homem de meia idade, barbudo, cabelos castanhos e olhos azuis».

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-02-28
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