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2026-06-17

0458. Ofensa

 


É obviamente impossível ofender “deus”.

É obviamente impossível ofender o que não existe!

Pode-se ofender o criador da ideia, o mentor, o explorador… pode-se até, implicitamente, ofender o fiel seguidor da ideia, mas nunca uma imagem mental abstrata, ou de pedra, de um suposto criador divino.

Negar a existência de entidades supranaturais, por falta de provas ou evidências, é perfeitamente legítimo; tal como é legítimo afirmar a sua existência com base na fé pessoal -nunca uma ofensa à dignidade ou legitimidade de quem acredita.

É, pois, perfeitamente legítimo questionar, desmascarar e desmistificar dogmas religiosos -a liberdade de expressão é um direito inalienável e constitucionalmente consagrado, tal como acreditar em entidades supranaturais.

O que é realmente ofensivo é o amor cristão pelo dinheiro… -pelo “deus dinheiro”. Já o Papa[1] reconhecia que a «idolatria do dinheiro mata». A incalculável riqueza exibida pela Igreja Católica, sobretudo por parte do Vaticano, não mata… mas é uma ofensa aos olhos dos “comuns mortais” que lutam por colocar pão na mesa dos filhos.

Estima-se que a Igreja Católica tenha atualmente ao seu serviço 1 Papa, cerca de 252 cardeais, 5.525 bispos e 407.000 padres que se dedicam à exploração do seu produto fictício, através de negócios astronómicos no ramo imobiliário, turismo religioso, banca, investimentos financeiros, doações… além de uma infinidade de proveitos resultantes do comércio de “serviços” e “merchandising” religioso.

O dinheiro que a Igreja Católica movimenta a nível mundial e a dimensão do seu património é de tal modo obsceno[2] que é praticamente impossível calcular com exatidão a sua totalidade.

Se a Igreja Católica doasse uma décima parte da sua riqueza à UNICEF certamente que mataria a fome de praticamente todos os pobres e pedintes do planeta.

E o que dizer de Fátima…

 

«O Santuário de Fátima proíbe a mendicidade dentro dos seus templos, incluindo a Basílica da Santíssima Trindade e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário. A segurança do santuário tem autoridade para afastar pedintes e garantir o decoro e a ordem nos espaços de culto. A instituição emite frequentemente alertas e reforça a fiscalização para evitar o assédio aos peregrinos no recinto. Esta restrição baseia-se nos regulamentos internos do espaço religioso».

 

Independentemente da legitimidade ou desumanidade da proibição que a Igreja Católica pretenda determinar aos mendigos (esses desleais concorrentes), o que é realmente ofende é a atitude, uma vez que ela própria se comporta de forma explicita e vergonhosa como uma autêntica mendiga; ora proibindo e discriminando, ora pedindo e implorando precisamente àqueles que pouco ou nada têm.

O que realmente ofende é o uso da religião como arma para escravizar e explorar os mais pobres e os mais fracos… como fonte eterna de sobrevivência e perpetuação.

 

É obviamente impossível ofender “deus”.

É obviamente impossível ofender o que não existe!

Obviamente que também não pretendo ofender quem tem ou acredita no seu amigo imaginário!

Apenas expressar a minha opinião, que vale o que vale, tal como todas as outras.

É um privilégio poder fazê-lo em liberdade de consciência; no pleno gozo das minhas faculdades mentais e sem qualquer ameaça de fogueiras ou infernos.

Tal como muitos fizeram no passado, é uma obrigação defender os mais vulneráveis e os que mais sofrem…

 

Desperta!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-06-11
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Obs.:
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[1] Francisco

[2] Elevado



2026-06-11

0456. Indiferente

 


É-me indiferente que você seja islamita, judaísta, cristão ou de qualquer outra religião, tal como o que diz o seu alcorão, a sua torá, a sua bíblia ou qualquer outro livro ancestral da sua ou de qualquer outra religião!

É-me indiferente o que você ou qualquer outro crente pensa sobre o seu amigo imaginário!

Estou cansado da sua desrespeitosa insistência e das intermináveis campanhas religiosas de endoutrinação a que constantemente e arbitrariamente sou submetido sem nada nem a ninguém ter pedido.

Estou vacinado e sobretudo cansado de tanta controvérsia pueril e inútil sobre o livro da sua religião e toda a absurda mitologia inerente aos seus personagens fictícios.

Estou cansado da insanável insistência na estapafúrdia ideia da existência do amigo imaginário que me pretende incutir. Já perdi demasiado tempo a tentar decifrar, desmascarar e desmistificar o significado dos inúmeros estapafúrdios dogmas do seu livro ficcional.

O direito á liberdade é inviolável; ou, para melhor seja assimilado, é “sagrado”! Defendo-a incondicionalmente. É precisamente este inalienável direito, que confere a liberdade religiosa para escolher e praticar a sua crença, e a minha escolha lógica e racional de não acreditar na existência de qualquer “divindade”.

Tem todo o direito do mundo de acreditar no que quiser e viver a sua vida da forma como entender. Mas, a sua fé na existência do seu “deus” não lhe confere o direito nem a liberdade de me impor a sua crença ou exigir que viva de acordo com o que está descrito no seu livro religioso, ou da forma como você o interpreta.

“Neste capítulo e neste versículo diz que devemos…”

Repito...

É-me indiferente que você seja islamita, judaísta, cristão ou de qualquer outra religião, tal como o que diz o seu alcorão, a sua torá, a sua bíblia ou qualquer outro livro ancestral da sua ou de qualquer outra religião!

É-me indiferente o que você ou qualquer outro crente pensa sobre o seu amigo imaginário!

Não acredito no que diz o seu “livro sagrado”, tal como não acredito na sua e em nenhuma crença religiosa e estou no meu pleno e constitucionalmente reconhecido direito de não acreditar.

É-me completamente indiferente que você acredite ou finja que o seu deus existe. Finja e seja feliz; mas não seja idiota ao ponto de pensar que o seu fingimento o faz existir!

Vá orar e professar a sua fé no recanto do seu lar ou nos locais de culto reservados, junto dos “fiéis” que a partilham e não perturbe o precioso silêncio da minha liberdade de escolha.

Deixe-me viver e desfrutar plenamente deste minúsculo grão azul suspenso num raio de sol, na imensidão do espaço.

 

Por isso, repito…

É-me indiferente que você seja islamita, judaísta, cristão ou de qualquer outra religião, tal como o que diz o seu alcorão, a sua torá, a sua bíblia ou qualquer outro livro ancestral da sua ou de qualquer outra religião!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-06-09
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Obs.:
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2026-06-05

0505. Viver na Caverna

 


Dizia Saramago que «estamos hoje a viver na Caverna de Platão»[1]; e, na verdade, nunca como agora, tal metáfora se aproximou tanto da realidade.

Em pleno despertar da Inteligência Artificial (IA) qualquer mente minimamente atenta e lúcida notará que a maioria da população mundial continua a viver na sombra da Caverna enquanto meia dúzia de privilegiados desfruta da luz conferida pela estrela central do nosso Sistema Solar.

A sombra[2] da Caverna é agora assumida como real por robôs humanos meticulosamente controlados e dominados.

A precoce formatação a que foram sujeitos anulou completamente o espírito crítico e a própria capacidade de sair da Caverna pelo próprio pé.

A Caverna cegou-os e aprisionou-os; transformou-os em escravos; a maioria, por já ter nascido no seu seio, num produto formatado e preparado para ser explorado e consumido.

Os média são um dos veículos de clausura na Caverna; sobretudo pelo contágio e dependência económica do próprio sistema. A maioria não distingue factos de informação falsa e não cumpre com a obrigação moral e profissional de informar com a verdade; aliás, não hesita em matar a verdade quando persente que esta pode matar a sua verdade.

A maioria sobrevive miseravelmente na escuridão da Caserna, desconhecendo que o Sol brilha e à superfície existe todo um mundo maravilhoso para viver e desfrutar na mais plena liberdade.

Observar toda esta pobre gente, como se passageiros de um qualquer comboio de Birkenau, serem aprisionados e explorados no escuro duma qualquer Caverna, privados do seu mais precioso bem[3], mexe com o conforto do meu cadeirão transformando-o na mais dolorosa cadeira de espinhos.

É minha obrigação despertar esta gente!

É obrigação moral de todos despertar e libertar toda esta gente!

É obrigação moral de todos despertar e libertar os novos escravos sem correntes do século XXI.



[1] «Estamos hoje a viver na Caverna de Platão: todos a ver imagens e acreditando que são a realidade»

[2] Ilusão

[3] Vida/Liberdade



Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-10
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Obs.:
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2026-06-01

0454. Perdão

 


Na sua “Magnifica Humanitas” e em nome da Igreja Católica, o Papa Leão XIV, pediu hoje «perdão pela demora da Igreja católica em condenar o flagelo da escravatura».

«É inevitável sentir uma profunda tristeza ao considerar o enorme sofrimento e humilhação que a escravatura representou para tantos» -referiu, reconhecendo a participação do Vaticano na legitimação da escravatura, que inegavelmente representa uma «ferida na memória cristã».

 

Perdão pelo apoio explicito da Igreja Católica a todo um sistema esclavagista que durante séculos foi maquiavelicamente delineado por clérigos, contruído por reis e nobres, e expandido por grupos económicos e comerciantes para subjugar, explorar e enriquecer à custa de seres humanos que eram vistos e tratados como simples mercadoria?

Perdão pelo facto do “Velho” e do “Novo Testamento” defenderem e incitarem declaradamente a “escravatura” e, inclusivamente, ditarem as regras relativamente ao comportamento dos “escravos” e dos seus “donos”?

 

Diz o Antigo Testamento:

“E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas.

Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão.

E possui-los-eis por herança para vossos filhos depois de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir; mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não vos assenhoreareis com rigor, uns sobre os outros.”

Levítico 25:44-46

 

Diz o Novo Testamento:

“Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo;”

Efésios 6:5

 

“Todos os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar os próprios senhores como dignos de todo o respeito; para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. Os que têm senhores fiéis não os desrespeitem, por serem irmãos; ao contrário, sirvam-nos ainda melhor, porque são fiéis e amigos de Deus, que se beneficiam de seus bons serviços.”

1 Timóteo 6: 1, 2

 

Quantos homens, mulheres e crianças foram torturados e arrancados à força da sua terra, do seu lar e da sua cultura?

Quantos homens, mulheres e crianças foram acorrentados em porões de “navios negreiros” e arbitrariamente condenados a serem escravos de um senhor da terra… e do céu?

Quantos homens, mulheres e crianças foram mortos, estuprados, mutilados, separados das famílias e vendidos como animais para alimentar a Europa colonialista e o próprio Vaticano?

É impossível determinar… mas finalmente um representante da Igreja Católica “ferido na sua memória cristã”, vem publicamente reconhecer o erro e pedir “perdão”, como se tais palavras desculpabilizassem ou apagassem todas as atrocidades cometidas e as suas nefastas consequências.

Um pedido de “perdão”, por mais solene que seja, não apaga nem reescreve a história; não reverte a morte nem o sofrimento e muito menos desconstrói o atual sistema religioso que continua a lucrar e a viver opulentamente à custa deste abominável “flagelo” humano.

É inegável que as atuais gerações continuam a sofrer e a pagar as contas da escravatura!

A maioria dos países africanos alvo de escravatura e pilhagem dos seus recursos económicos, vivem ainda hoje num estado de pobreza estrutural, culturalmente dependentes e religiosamente manipulados.

Os atuais “senhores” continuam sentados à sombra da riqueza construída com o sangue suor e lágrimas dos seus ancestrais escravos.

Tal como nos processos de abusos sexuais da Igreja Católica que muitos perdões também merecerão, as indemnizações ou compensações financeiras a atribuir a estados ou a descendentes de pessoas escravizadas não serão certamente fáceis de concretizar, para não dizer praticamente impossíveis; no entanto, o Vaticano e alguns países colonialistas europeus, mais do que perdões ou pedidos de desculpa, poderiam avançar com iniciativas de reparação de danos sociais e económicos, nomeadamente a criação de infraestruturas industriais, apoio à formação profissional e universitária, e, porque não, cancelar ou restruturar a dívidas dos países maioritariamente afetados pela escravatura.

 

Tal não se resolve com orações e muito menos com perdões!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-25
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Obs.:
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2026-05-13

0452. Teocracias

 


Cada vez mais Teocracias infetam, consomem e aniquilam Democracias!

Cada vez mais o poder do Estado é exercido por líderes religiosos que se autoproclamam representantes máximos duma suposta entidade divina.

Cada vez mais as leis de um país se fundamentam em textos ditos sagrados ou em interpretações ancestrais de cariz acentuadamente religioso.

A história repete-se ciclicamente e revela-nos civilizações governadas por clérigos que acabam invariavelmente por se transformar em regimes repressivos e ditatoriais.

Um pouco por todo o mundo observamos inúmeras crenças religiosas a invadirem bancadas parlamentares e a implementarem os seus projetos teocráticos.

Instalam-se e coexistem com o Estado numa perspetiva de domínio e usurpação de poder, partindo sempre do princípio que este se deve submeter à lei do seu Deus.

Fruto duma precoce endoutrinação, normalmente usam as forças policiais e de segurança do Estado como braço armado para estabelecer a ordem e a moral nacionalista perante os fiéis que impiedosamente usam e exploram como produto do seu rebanho.

A suposta entidade divina transforma-se numa espécie de autoridade moral, com poderes inquestionáveis de repressão e punição, sobretudo sobre os que a ousam questionar ou pensar de forma diferente. Legitimam a violência e a obediência cega em detrimento da lei e das regras democráticas que ao longo de gerações e gerações tanto sangue suor e lágrimas custaram implementar.

Por detrás de todo o projeto religioso existe um regime repressivo que corrompe a cultura, a moral e os costumes em todos os domínios do Estado.

É o primeiro passo para o renascimento do «fascismo teocrático».

O último suspiro da democracia!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-02-06
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https://agora7564.wordpress.com/2026/05/13/0452-teocracias/

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2026-04-24

0451. Crucificação

 


Desde a Roma antiga que a crucificação foi padronizada como um dos principais métodos de tortura e execução pública.

O corpo, frequentemente precedido de flagelação, era normalmente pregado de mãos e pés numa cruz de madeira e deixado a agonizar num lendo e interminável martírio. Um castigo usado para punir escravos, criminosos e traidores do Estado, que normalmente provocava a morte por asfixia ou exaustão da vítima. Um arrepiante quadro de medo e horror que dissuadia qualquer tipo de ação criminosa ou revolta popular.

Durante o longo período de obscurantismo da “Idade das Trevas”, esta metodologia de tortura e morte acentuou-se exponencialmente com a criação de inúmeros métodos verdadeiramente macabros e hediondos. Tendo como objetivo combater “blasfémias”, “heresias”, “bruxarias” e “feitiçarias”, obter confissões, conversões e sobretudo aniquilar desvios à doutrina cristã, a partir do século XII até ao finais do século XIX, a Santa Inquisição, idealizou e criou alguns métodos de tortura verdadeiramente atrozes, nomeadamente o potro, a roda, submersão em água ou óleo fervente, o garrote, queima na fogueira e decapitação pública, a maioria baseados em Autos de Fé, aplicados após penosos períodos de prisão e tortura.

 

«O caminho até à cruz já era parte da punição. O condenado era obrigado a carregar a própria trave pelas ruas, nu ou seminu, sob cuspes, pedradas e insultos da multidão. Soldados empurravam, chicoteavam, humilhavam. Rebeldes, escravos rebeldes ou vítimas de delações falsas desfilavam assim, enquanto Roma mostrava a todos o preço de desafiar a ordem. Não bastava matar o corpo. A crucificação destruía a alma também. Era humilhação pública, medo espalhado, um espetáculo vivo de terror. O condenado morria devagar, diante de todos, como um aviso vivo: Isto acontece com quem se levanta contra nós».

 

De acordo com a narrativa mitológica cristã, o suposto messias, “Jesus de Nazaré”, após ter desafiado o poder político de Roma, teria passado precisamente por este ritual infernal, carregando a própria cruz pelas ruas de Jerusalém, onde foi pregado e brutalmente executado sob as ordens de Pôncio Pilatos, governador da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.

Ao longo de séculos, este cruel método de tortura, humilhação e pena de morte, transformar-se-ia num ritual religioso, ao ponto de ser periodicamente celebrado e venerado como efeméride do Cristianismo; hoje imagem de marca global.

Uma poderosa arma de domínio político e social maquiavelicamente projetada para a sobrevivência e perpetuação; sustentada por um modelo macroeconómico de negócio fraudulento que transforma templos em empresas, crentes em clientes, e a fé num produto fictício altamente rentável.

Um produto que usa e abusa da tortura e da morte e apela a promessas de prosperidade eterna em troca de contribuições financeiras para solucionar os problemas dos seus devotos fiéis.

Um produto “milagroso” sustentado por uma poderosa e contínua campanha de endoutrinação e marketing que lhe serve de pilar.

Um produto “milagroso” que ignora a ciência e apela à supressão da reflexão e consciência humana, capaz de transformar um ato abominável de sofrimento e morte da antiga Roma num dos maiores símbolos de amor e salvação da humanidade.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-17
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2026-04-20

0450. “E se o cristianismo estiver de novo a ficar na moda?”

 


“E se o cristianismo estiver de novo a ficar na moda?”

 

Caro JMT…

Depois de ler o seu assombroso artigo, confesso que fiquei realmente com vontade de responder.

«O século XXI será espiritual ou não será». “Parece que vai ser” -diz.

Ora o seu “parece” é objetivamente típico do “acredito e tenho uma fé inabalável que é, ou parece que vai ser”. É caso para dizer, em pleno século XXI, parece-lhe realmente que Ele existe?!

A mim, a única coisa que me parece é que está a regressar à Idade Média!

Quanto à “campanha nos autocarros de Londres” …

«Provavelmente Deus não existe. Para de te preocupar e aprecia a vida».

Se um crente realmente doou 50 libras por entender que a iniciativa era “ótima para pôr as pessoas a pensar em Deus” … ora, pelo menos, também colocou alguns crentes como o JMT a meditar… se “Ele realmente existe... onde é que está?”. Acredito que alguém estará disposto a doar-lhe muito dinheiro para provar a sua existência!

Refere que “se os novos ateístas fossem mais sensatos, saberiam que o impulso religioso é impossível de extirpar…”. Impossível de extirpar?!

Possivelmente para um crente endoutrinado como o JMT será difícil… mas não impossível! Afinal, basta raciocinar um pouco e torna-se perfeitamente possível!

Eu “extirpei o meu; aliás, assassinei-O sem dó nem piedade! Confesso que o meu “espírito crítico” foi implacável com Ele!

“O Novo Ateísmo passou de moda e o que se está a assistir em muitos países ocidentais é o lento emergir de um interesse renovado na religião.”

“Emergir” ... ou submergir? -afinal, refere um facto concreto: “em Portugal os últimos Censos mostram que o número de portugueses que se afirmam católicos é o mais baixo de sempre…”.

Sobre a sua despedida…“Uma Santa Páscoa para todos”. Decerto estará a referir-te a “todos, todos, todos” os crentes. É que a maioria dos ateus, não celebra a morte de entidades supranaturais e muito menos a sua ressurreição.

Durante a semana da Páscoa, normalmente saio uns dias de Portugal e vou passear para não ser massacrado com esta enxurrada de patranhas.

Foi precisamente o que fiz esta semana. Fui até Auschwitz ver como é que o Exército alemão e os judeus (com o devido respeito) viveram a Páscoa.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-08
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2026-04-17

0499. Pete Fiction

 


Refere o jornal Público que o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, citou um versículo bíblico falso, retirado do filme Pulp Fiction durante um sermão no Pentágono.

 

“A oração era uma adaptação do monólogo proferido pela personagem de Samuel L. Jackson. No filme, a personagem atribui-o falsamente a Ezequiel 25:17 antes de um assassinato…”

«O caminho do aviador abatido está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos homens malvados. Abençoado seja aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o descobridor das crianças perdidas. E eu castigarei com grande vingança e ira furiosa aqueles que tentarem capturar e destruir o meu irmão. E saberás que o meu indicativo de chamada é Sandy 1 quando eu derramar a minha vingança sobre ti.»

 

“Pete Hegseth, citou um versículo bíblico falso…” -mas existe algum versículo verídico na Bíblia? Quando digo “verídico”, obviamente não refiro o texto escrito e rescrito por clérigos ao longo de séculos ou se descreve o recente “caminho” de algum “aviador”, mas sim a mensagem, a ética, o valor científico e utilidade para a humanidade. Quem, de consciência minimamente sã, pode usar como referência um livro que contém relatos de genocídios, infanticídios e leis completamente absurdas?

Até à presente data desconhece-se o objeto de estudo da Teologia e consequentemente a sua utilidade; e, pelo que constato, não são apenas os “legítimos representantes da Igreja Católica” (I.C.) que andam a estudar o “livro sagrado”. Os políticos católicos americanos também estão a adaptá-lo e a usá-lo (alegadamente violando a própria narrativa) para endoutrinar e incentivar os seus militares a rezar e a combater[1] em nome do Dito.

Recentemente, o representante máximo da I. C., o americano Leão XIV, desmentiu e condenou veementemente o uso da religião (em nome do Dito) como bênção/justificação para ações bélicas.

Os novos representantes americanos, cientes da força da sua legitimidade, aconselharam o Papa a “estudar Teologia”, porque, afinal, eles é que estão realmente certos!

Entretanto, na sua viagem por África, nos Camarões, Leão XIV, voltou novamente a apelar à paz, salientando que “este mundo está a ser devastado por uma mão cheia de tiranos” com guerras e exploração.

Confesso que não vi o filme Pulp Fiction, mas, pelo menos, fiquei a saber que a personagem do Samuel J Jackson recitava o versículo supracitado, ou o versículo adaptado, sempre antes de assassinar alguém.

Ora, se o versículo original que homologa e instiga os ditos representantes divinos a “matar e vingar em nome do Senhor”,  só por si, já choca qualquer mente humana minimamente racional, então, o que dizer destes novos (i)legítimos representantes da Teocracia Americana que abençoam a guerra com citações de filmes violentos de ficção, em nome do Dito e com acesso ao maior arsenal bélico e nuclear do planeta?

Pois, podem perfeitamente fazer o mesmo que a personagem de Samuel L. Jackson, se alguém não pensa como eles, não dá o que pretendem, ou simplesmente não tem a mesma religião: mata-se e está o assunto resolvido!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-16
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[1] Matar



2026-03-06

0446. «Falsos curandeiros...»

 


«Falsos curandeiros condenados por enganar as suas vítimas…»

 

Li hoje (mais) uma notícia sobre a «condenação de cinco falsos curandeiros que encenavam rituais de purificação com o objetivo de enganarem a vítima e extorquirem dinheiro de forma ilícita».

Apesar da gravidade do assunto, não consegui deixar escapar um sorriso acompanhado de mais um simples ato de reflexão:

Falsos curandeiros?!... mas, então, também existem curandeiros verdadeiros?!

Concordo plenamente que todos os ditos “curandeiros” que enganam as suas inocentes vítimas sejam severamente condenados; mas, quem lê superficialmente o artigo, pode perfeitamente ser levado a deduzir que existem “verdadeiros curandeiros” e que estes não devem ser condenados por enganarem as suas vítimas!

Ou será que, ao contrário dos «falsos», os «verdadeiros curandeiros», são oficialmente inimputáveis?

Na verdade, falsos curandeiros são todos uma vez que tanto uns como outros enganam as suas vítimas!

Fiquemos então por “Curandeiros condenados por enganar as suas vítimas”.

Assim estará mais correto!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-26
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0445. Jesus

 


Não é fácil, para não dizer impossível, descrever a aparência física de uma entidade fictícia. É preciso muita imaginação por parte do (s) criador (es) e sobretudo aceitação por parte dos fiéis seguidores, que necessariamente terão que ser precocemente convencidos da sua existência.

Tomando como exemplo a mitologia católica, o livro que lhe serve de base e glorifica não faz qualquer referência à aparência física. Apenas sabemos que ao longo da história da sua criação e disseminação ideológica, sofreu inúmeras alterações e versões que normalmente se identificavam com as características do criador ou padrão da época.

De acordo com alguns teologistas, o suposto “Jesus da Galileia”, teria uma figura «morena, baixa estatura e cabelo curto» -o padrão característico dos judeus da época.

De acordo com a Igreja Católica, «deus é espírito, imaterial e invisível»; não possui um corpo físico ou forma humana; no entanto, o Evangelho refere que «quem vê Jesus, vê o Pai», o que pressupõe que assumiu a natureza e aparência física de um homem judeu desse primeiro século.

As primeiras versões hoje conhecidas surgiram durante o Império Bizantino, que passou a retratar o Dito como um ser invencível e semelhante aos imperadores da época.

Não havendo, por razões óbvias, uma definição ou orientação da Igreja Católica sobre a sua real fisionomia, a mesma foi sendo alterada e definida ao longo do tempo pelo critério dos artistas, com destaque para o Renascimento italiano que o popularizou como um «Jesus caucasiano de olhos claros». Consequentemente, a maioria dos ditos cristãos, ainda o imagina e retrata precisamente como um «homem de meia idade, barbudo, cabelos castanhos e olhos azuis».

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-02-28
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