2026-01-25

0440. Ataque dos EUA à Venezuela

 




Diz a Carta das Nações Unidas que…

«As guerras são proibidas e os países devem abster-se de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado» … e que «é proibido o uso da força, da agressão, da ocupação militar ou da guerra para resolver diferenças entre nações».

Perante o que diz a Carta, o que dizer do ataque dos EUA à Venezuela, com captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa incluída?

O Secretário Geral da ONU, António Guterres, disse, ou mostrou-se, "profundamente preocupado com o fato de as regras do direito internacional não terem sido respeitadas"!

A maior parte dos países ocidentais, incluindo Portugal, pouco ou nada disseram… assumindo uma atitude passiva e de expetativa, limitando-se a classificar o ataque como “Ilegal”.

Curiosamente, exemplos de “rigor comportamental”, as primeiras reações oficiais viriam da Rússia que não só disse, como também se mostrou «profundamente preocupada e condenou o ato de agressão armada» e da China que referiu que o «comportamento hegemônico por parte dos EUA viola gravemente o direito internacional, infringe a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe».

O presidente do Brasil, Lula da Silva, também disse que «atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo».

Também o presidente francês, Emmanuel Macron, referiu que, «embora Maduro tenha gravemente violado os direitos dos venezuelanos, a operação militar que levou à sua captura contraria o princípio da não utilização da força, que sustenta o direito internacional».

Internamente, o The New York Times criticou o ataque, afirmando que, «até ao momento, o presidente Donald Trump, ainda não tinha oferecido uma explicação coerente para suas ações na Venezuela». O jornal destacou ainda que, «a intervenção militar viola a legislação americana, que exige que o chefe da Casa Branca requeira aprovação do Congresso para qualquer ato de guerra».

Bernie Sanders, senador Democrata, disse que Donald Trump desprezou a Constituição Americana e o Estado de direito, classificando a ação como «imperialismo grosseiro que dará luz verde a qualquer nação que queira atacar outra para confiscar os seus recursos ou mudar os seus governos».

Ora, é evidente que Trump, não consultou o Conselho de Segurança da ONU nem o Congresso americano. Apenas justificou e legitimou o ataque com a «guerra contra o narcotráfico», embora à posteriori, em conferência de imprensa tenha também admitido o «petróleo anteriormente roubado pela Venezuela aos americanos».

Questionado sobre a «operação especial dos EUA», Zelensky não poderia ser mais objetivo:

«Se se pode lidar com os ditadores dessa forma, então os Estados Unidos da América sabem o que fazer a seguir…» -sugerindo obviamente que medidas similares sejam aplicadas a Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Parece que da ordem internacional baseada em regras, passamos à regra do mais forte submeter o mais fraco…

Parece que se depois da invasão da Ucrânia, este tipo de intervenção se banalizou e transformou num instrumento legítimo de política externa.

 

Onde e quem fará o próximo ataque?

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-04
Imagem: Internet
Obs.:
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