Podia ser, mas o meu nome nem sequer é Jesus…
Pertenço conscientemente e de facto a este mundo
real – digo-o agora enquanto ser vivo! E em prosa vou dando vida a esta vida, a
outras vidas contemplativas, tal como me vou submetendo às leis gerais e
materiais deste tempo presente!
Sou apenas mais um ser…
Sou apenas mais um ser, como todos os que foram,
são e serão humanos!
Sou apenas mais um simples ser absolutamente livre
de pensar, sentir e viver…
Sou apenas mais um simples ser que sorri à vida e a
quem a vida tem sorrido…
Sou apenas mais um dos muitos milhões de seres do
planeta Terra.
Não nasci em nenhuma terra prometida…
Não nasci em nenhum recanto onde ainda hoje se mata
e morre por posse ou em nome de supostas crenças…
Nasci naturalmente, num lugar da terra onde até
hoje apenas conheci efetivamente o significado da palavra «paz».
Nasci, pela atual cronologia temporal, pelo ano de
mil novecentos e sessenta e quatro e continuo existencialmente neste preciso
momento em que escrevo… não num ápice milagroso, por um qualquer golpe sobrenatural
de um divino Espírito Santo ou fruto de qualquer acaso…
Sou apenas mais um ser relativamente insciente,
algo ponderado e parcialmente realizado…
Pertenço, eventualmente, a esta nova geração
excessivamente racionalista e materialista, que naturalmente procura o conforto
(abençoadas sensações carnais e intelectuais!), que se baseia fundamentalmente
nos princípios da ética humana e no conhecimento racional…
Pertenço, eventualmente, a esta geração exemplar do
novo milénio… das poucas que podem sonhar e realizar… Talvez a que mais fé tem
no pensamento! Talvez a que, na generalidade, revela maior liberdade, lucidez de
consciência e a que maior ação exerce sobre a própria realidade. Talvez a
geração da liberdade global… A geração da viragem de milénio… A geração dos que
pertencem a si mesmos!

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