2026-02-13

0441. Laicidade

 


A laicidade é um pilar fundamental e inviolável da democracia e um dos princípios identitários da Constituição da República Portuguesa (CRP) que legalmente todos estamos obrigados a respeitar.

Os artigos 41.º e 43.º da CRP consagram precisamente a liberdade de consciência, de religião, de culto e estabelecem a base da laicidade: «as igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado» e «o ensino público não será confessional».

De igual modo, a Lei de Liberdade Religiosa estabelece que «o Estado não adota qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas»; «nos atos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade»; «o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes religiosas» e «o ensino público não será confessional».

Compete, pois, à Assembleia da República «garantir o cumprimento da Constituição e das leis e fiscalizar os atos do Governo e da Administração», bem como «tratar todos os assuntos respeitantes aos direitos e deveres fundamentais consignados na Constituição e na lei».

O Estado assegura a liberdade de consciência dos cidadãos, onde se inclui a religiosa, a separação entre política e religião, que protege ambas, e a igualdade de todas as pessoas perante a lei. É precisamente a liberdade de consciência que garante o direito de professar, mudar, ou não ter qualquer religião.

O Estado (todos os órgãos) adota e mantem uma postura neutra e imparcial relativamente a todas as confissões religiosas, não interferindo nem permitindo que interferências na sua administração, nomeadamente no que se refere à educação religiosa na escola pública ou à participação em atos oficiais ou protocolares de qualquer entidade religiosa.

O proselitismo religioso deve restringir-se exclusivamente a instituições religiosas e não interferir com o funcionamento do Estado. De igual modo, governantes e todos os membros de órgãos do Estado, no exercício de funções, devem abster-se de participar em qualquer tipo de cerimónia religiosa, podendo, no entanto, a título privado, exercer esse direito no seio da sua própria confissão.

O Estado não pode estabelecer nenhum tipo de convenções ou acordos jurídicos que privilegiem qualquer tipo de religião. A “Concordata” entre a Santa Sé e a República Portuguesa, é um manifesto exemplo de violação do princípio fundamental da laicidade. Mais do que uma imposição legal, a revogação da Concordata e a revisão da LLR, são imperativos democráticos que urge retificar e ratificar, por forma que sejam abolidos privilégios e isenções concedidos exclusivamente à Igreja Católica.

Um Estado democrático não tem religião oficial e não apoia ou discrimina qualquer crença.

Um Estado democrático garante que todos os cidadãos sejam tratados em igualdade de direitos, independentemente da sua confissão religiosa, ou ausência da mesma. 

 

A laicidade é em si um modelo de cidadania baseado na neutralidade e igualdade de todos os cidadãos perante a lei no espaço comum, livre e democrático.

 

A laicidade do Estado é inviolável!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-07
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2026-01-25

0440. Ataque dos EUA à Venezuela

 



Diz a Carta das Nações Unidas que…

«As guerras são proibidas e os países devem abster-se de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado» … e que «é proibido o uso da força, da agressão, da ocupação militar ou da guerra para resolver diferenças entre nações».

Perante o que diz a Carta, o que dizer do ataque dos EUA à Venezuela, com captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa incluída?

O Secretário Geral da ONU, António Guterres, disse, ou mostrou-se, "profundamente preocupado com o fato de as regras do direito internacional não terem sido respeitadas"!

A maior parte dos países ocidentais, incluindo Portugal, pouco ou nada disseram… assumindo uma atitude passiva e de expetativa, limitando-se a classificar o ataque como “Ilegal”.

Curiosamente, exemplos de “rigor comportamental”, as primeiras reações oficiais viriam da Rússia que não só disse, como também se mostrou «profundamente preocupada e condenou o ato de agressão armada» e da China que referiu que o «comportamento hegemônico por parte dos EUA viola gravemente o direito internacional, infringe a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe».

O presidente do Brasil, Lula da Silva, também disse que «atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo».

Também o presidente francês, Emmanuel Macron, referiu que, «embora Maduro tenha gravemente violado os direitos dos venezuelanos, a operação militar que levou à sua captura contraria o princípio da não utilização da força, que sustenta o direito internacional».

Internamente, o The New York Times criticou o ataque, afirmando que, «até ao momento, o presidente Donald Trump, ainda não tinha oferecido uma explicação coerente para suas ações na Venezuela». O jornal destacou ainda que, «a intervenção militar viola a legislação americana, que exige que o chefe da Casa Branca requeira aprovação do Congresso para qualquer ato de guerra».

Bernie Sanders, senador Democrata, disse que Donald Trump desprezou a Constituição Americana e o Estado de direito, classificando a ação como «imperialismo grosseiro que dará luz verde a qualquer nação que queira atacar outra para confiscar os seus recursos ou mudar os seus governos».

Ora, é evidente que Trump, não consultou o Conselho de Segurança da ONU nem o Congresso americano. Apenas justificou e legitimou o ataque com a «guerra contra o narcotráfico», embora à posteriori, em conferência de imprensa tenha também admitido o «petróleo anteriormente roubado pela Venezuela aos americanos».

Questionado sobre a «operação especial dos EUA», Zelensky não poderia ser mais objetivo:

«Se se pode lidar com os ditadores dessa forma, então os Estados Unidos da América sabem o que fazer a seguir…» -sugerindo obviamente que medidas similares sejam aplicadas a Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Parece que da ordem internacional baseada em regras, passamos à regra do mais forte submeter o mais fraco…

Parece que se depois da invasão da Ucrânia, este tipo de intervenção se banalizou e transformou num instrumento legítimo de política externa.

 

Onde e quem fará o próximo ataque?

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-04
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2025-12-07

0439. O que seria "deus"?

 





Li, algures, que não se deve perguntar «quem é deus?», mas sim «o que é deus?».

 

Ora, na minha modesta opinião, independentemente da nulidade da questão e da resposta, o que realmente se deveria colocar seria a hipótese…

 

Se existisse um deus, quem seria ou o que seria?

 

Não se observando ou comprovando cientificamente a existência de qualquer entidade divina, vulgo “deus”, a questão transforma-se em mera nulidade, levando-nos, obviamente, para o campo da especulação/imaginação.

O que realmente se impõe questionar é…

Que “deus” é este que as religiões nos pretendem precocemente incutir e impingir sem nenhuma prova ou evidência?

Que “deus” é este, milagrosamente materializado pela ação do “Espirito Santo” num judeu da antiga Galileia e cujos relatos bíblicos garantem ter sido o "Messias" que foi crucificado, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade, por ele próprio concebida?

 

Se eventualmente a qualquer mente minimamente sensível ou racional a questão parecer ridícula, aconselho a não continua a ler… a resposta, logicamente, também será inútil e ridícula!

 

Aos mais perseverantes que ousaram continuar… deixo apenas algumas considerações para reflexão:

É um facto que ao longo da história, desde a sua génese, o ser humano imaginou e criou, a maioria à sua imagem, inúmeros “deuses”, materializados em esculturas, que idolatrou freneticamente ao longe de gerações.

É um facto que nenhum desses “deuses, quando invocados, ressuscitou ou respondeu a qualquer medo de extinção ou pedido de eternidade humana.

É um facto que ter fé na existência desse “deus” não o faz existir; trata-se de um mero conceito mental abstrato…

É, pois, uma questão de perceção individual relativamente à análise da realidade… inúmeras vezes cruel com todos os seres vivos… e com os “deuses” que criam.

É, pois, completamente indiferente ter fé, tal como é questionar «quem é deus?» ou «o que é deus?».

 

Não pretendo negar perentoriamente a existência de entidades divinas... apenas constato a realidade… e esta diz-me que nunca foram observadas nem existe qualquer prova de tal.

Constatar e expressar a nulidade desta questão/resposta, não significa desrespeitar a fé de quem crê…  e muito menos a crença… trata-se apenas de não desrespeitaria a minha racionalidade!

Se perante os factos não existe, é, pois, incorreto partir do pressuposto da sua existência baseada num simples ato de fé!

 

Independentemente da nulidade de qualquer questão/ resposta…

Perante a falta de provas, obviamente que apenas posso deduzir que não existe nenhum “deus”!


Autor: Carlos Silva
Data: 2024-06-03
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2025-11-24

0438. Dor

 

Quando sentimos a dor física e mental

Descobrimos o autêntico sofrimento

Quando sentimos a dor física e mental dos outros

Descobrimos que somos seres humanos

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-06-11
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2025-11-12

0437. Que importa

 



Que importa que me sintam adorado ou rejeitado 

Que importa que me pressintam amado ou odiado

Que importa que me presumam desejado ou repulsado 


Se apenas me importa a leveza dos teus traços

Se apenas me importa a beleza dos teus laços

Se apenas me importa a volúpia dos teus abraços


Importa apenas a loucura de te sonhar acordado

Importa apenas a sedução de dançar a teu lado

Importa apenas fazer do teu amor meu sublime fado





 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-04-29
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2025-11-07

0436. Se eu morrer amanhã

 



“Se eu morrer amanhã…”

Não te lamentes… nem me lamentes!


Afinal não te poderei escutar nem lamentar...

Não vale a pena chorares porque o tempo não volta atrás.

O tempo não se importa com o teu lamento…

E muito menos com o meu fim!


Por isso se quiseres chorar…

Chora hoje por mim quando ainda podes!

Chora hoje ou sorri se assim quiseres!

Sorri ainda hoje e vem abraçar-me completamente,

Sorri ainda hoje e vem amar-me perdidamente,

Chora ou sorri quando ainda podes sorrir e chorar…


Ignora o amanhã e a consciência da minha essência…

Ignora o amanhã e a inconsciência da minha ausência…


Não te lamentes… nem me lamentes!

Chora ou sorri quando ainda podes sorrir e chorar…

Vive agora!


 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-04-10
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0435. "Deus"

 



Existem inúmeras provas sobre a evolução das espécies, incluindo a humana.

Não existe nenhuma prova nem evidência sobre a existência de seres sobrenaturais.

Não existe nenhuma prova sobre um suposto “deus” que saiba tudo sobre todas as coisas; que esteja presente em todos os lugares e que tenha um poder infinito.

Se houvesse um “deus” omnisciente, obviamente que não existiriam erros e muito menos ressurreições absurdas para salvar imperfeições da sua própria criação.

Se houvesse um “deus” omnipresente, obviamente não permitiria tanta guerra e tanto sangue derramado!

Se houvesse um “deus” omnipotente, obviamente não seriam necessários missionários ou profetas para divulgar a sua mensagem!

Obviamente que “deus” não passa duma aspiração humana sem qualquer lógica ou confirmação objetiva no mundo real.

“Deus” não passa de uma simples construção humana baseada em crenças e mitos.

A razão e o conhecimento científico não comprovam a existência de nenhum “deus omnisciente, omnipresente ou omnipotente!

Considere, pois, a ideia de um “deus” como uma projeção da imaginação humana.


Autor: Carlos Silva
Data: 2024-04-08
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0434. Solstício de Inverno





Não deveríamos celebrar o Natal, mas sim o Solstício de Inverno!

Na realidade, os cristãos copiaram e deturparam o conceito de Natal.

Na realidade o Natal não passa de uma relíquia dos primórdios da civilização humana que tinha por crença a adoração do Sol.

Quase todas as festividades pagãs estavam ligadas a eventos naturais...

Durante milénios, os nossos antepassados celebravam o Solstício com festivais de luz, trocas de presentes e encontros sazonais…

O Solstício de Inverno anuncia o renascimento simbólico do Sol, o prolongamento dos dias…

Celebrar o Natal católico é, pois, celebrar uma imitação… uma ilusão!

Celebrar o Natal católico é manter acesa a chama de um dos mais antigos dogmas impostos pelo Cristianismo.

 

Celebrar o Solstício de Inverno é celebrar a Vida e a Realidade!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-12-25
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2025-10-28

0433. Amor eterno

 


Amor não é apenas um “fogo que arde sem se ver”,

Amor é uma sinfonia de pura e perfeita harmonia,

A perfeita harmonia dos sentimentos sem sentido.


Amor é a harmonia d’um simples desejo sem sentido,

Amor é a harmonia d’uma simples noite de fantasia,

Amor é a harmonia d’uma simples e efémera paixão.


O amor não é apenas a harmonia do sentimento…

Amor é a harmonia do momento… e precisa de tempo!

O amor eterno precisa de todo o tempo do mundo!




Autor: Carlos Silva
Data: 2023-03-22
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2025-10-23

0432. Projeto de lei da burca


A Assembleia da República aprovou hoje um projeto de lei que prevê a “proibição do uso de roupas que impeçam a exibição do rosto em locais públicos” e a “proibição de forçar alguém a cobrir o rosto por motivos religiosos ou de género”.

A proposta foi apresentada pelo Chega e tem como objetivo primordial a interdição do uso de burca em espaços públicos usando como pretexto a “segurança e a defesa da dignidade da mulher”.

O projeto invoca os princípios da igualdade e laicidade do Estado estabelecidos na Constituição e na Lei de Liberdade Religiosa… “nenhum símbolo religioso deve ser privilegiado ou permitido em instituições públicas…”, argumenta que “esconder o rosto é violar os requisitos mínimos da vida em sociedade” e “permitir o uso da burca ou o niqab é incompatível com os princípios de liberdade e dignidade humana”.

O próprio líder, André Ventura, dirigindo-se especificamente aos imigrantes, afirmaria categoricamente no Parlamento que “o objetivo do projeto é proibir o uso da burca em Portugal”. “Quem chega a Portugal, independentemente da sua origem, costumes ou religião, deve antes de tudo cumprir e respeitar os valores e tradições do país”. “Uma mulher forçada a usar burca deixa de ser livre e independente, tornando-se um objeto”.

 

Logo após a apresentação, algumas vozes críticas se levantaram alegando que trata de “ódio contra a comunidade muçulmana” … que “o debate promovido pelo Chega apenas pretende atacar os estrangeiros” e que “negar a burca constitui um ataque à liberdade de culto e consciência…”

Vozes mais sonantes optaram pela discrição ou pelo politicamente correto… “é preciso preservar a igualdade de género, defender valores, cultura e tradições do povo português…”; “são valores comportamentais que estão em confronto…”

 

Mas, afinal, quais são os valores que realmente importa defender?

Os valores do Islamismo… do Cristianismo… as leis do Estado… ou os direitos da mulher?

 

Perante a conjetura atual, é evidente que andar de cara tapada em espaços públicos pode suscitar algumas questões de segurança… mas, a questão fundamental será realmente o perigo do uso da burca em espaços públicos ou a violação de direitos fundamentais da mulher?

Pode uma mulher ser impedida de vestir o que quer ou forçada a vestir o que não quer apenas porque um homem o diz, uma religião o exige ou um Estado o impõe através de lei?

Pode um Estado que se diz laico, livre e democrático, sobre determinado pretexto político, atropelar a sua Constituição ou a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e proibir o uso de determinada peça de vestuário?

Não será a liberdade de escolha um direito inalienável da mulher… e de toda a humanidade?

 

Referem algumas vozes que a burca é apenas uma “simples peça de vestuário, um mero símbolo de cultura ou tradição…”; outras que a burca é “um símbolo de machismo tóxico, de humilhação da mulher e de extremismo religioso…”

A burca é realmente um símbolo de opressão, submissão e aniquilação da entidade da mulher, sobretudo quando usada num contexto de extremismo religioso! Por isso o que importa realmente proibir/combater é o extremismo religioso que a impõe… o extremismo religioso que humilha, mata e viola a liberdade da mulher!

Nenhuma mulher pode ser precocemente mutilada ou violada… doutrinada ou privada da personalidade… nenhuma!

Nenhuma mulher nasce submissa a mandamentos religiosas absolutamente bárbaros e machistas, seja de que religião for... nenhuma!

Todas, sem exceção, têm direito a uma vida com dignidade, segurança e em plena liberdade.

 

Um projeto de lei que, sob o pretexto de defesa do laicismo do Estado, da liberdade e da segurança, impõe restrições a direitos fundamentais previstos na Constituição, nunca pode ser Lei. Nunca será demais recordar que tal como a laicidade do Estado, também a liberdade de escolha e a liberdade religiosa são valores fundamentais da democracia!

É, pois um projeto de lei ferido de inconstitucionalidade… uma espécie de nado-morto condenado à nascença.

O único objetivo é o ruido… o tal ruido que confere votos!

Autor: Carlos Silva
Data: 2025-10-17
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2025-10-20

0431. Crenças religiosas



O que pode levar um ser humano a debruçar-se sobre uma pedra, a ajoelhar-se, a arrastar-se, a martirizar-se, a subjugar-se e a humilhar-se perante imagens ou esculturas de supostas entidades divinas?

O que pode levar um ser humano a acreditar incondicionalmente na autenticidade da sua suposta divindade e a tomar as demais como falsas ou meros desvios da realidade?

O que pode levar um ser humano a afirmar categoricamente que uma contradição ou prova não podem invalidar a fé na sua divindade, apenas a fortalece?

É por demais evidente que o ser humano que acredita numa suposta divindade não tem consciência que é prisioneiro desse sistema dogmático e que muito dificilmente se libertará dele; a endoutrinação precoce a que foi sujeito, cegou-o, imunizou-o do conhecimento científico que substitui por explicações ilusórias, confortantes e satisfatórias.

A nível individual, há quem o classifique como “crente”; no entanto, o termo mais apropriado seria obviamente “paciente[1]”.

A nível grupal, há quem classifique como “crença ou tradição religiosa” moral e culturalmente legitimada por uma “herança islâmica, ou judaico-cristã” delimitadas pelos dois últimos milénios…

Normalmente individuo e grupo partilham convicções inquestionáveis e resistem à prova e ao contraditório. Constroem uma entidade própria baseada no sobrenatural ou num ideal de perfeição e isolam-se para se protegerem da realidade exterior.

Por razões, éticas e clínicas não é conveniente classificar o estado como «perturbação mental», mas, simplesmente, fragilidade racional.

 



[1] Doente


Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-05
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[1] Doente





2025-09-08

0430. Não sou de ninguém

 




Não pertenço a nada nem a ninguém

Sou apenas silêncio e memória d’alguém

Sou simplesmente silêncio d’uma emoção

Sou apenas satisfação sorriso e perdição

 

Sou apenas nostalgia d’uma imagem literal

Sou apenas fantasia d’uma excitação mental

Sou simplesmente liberdade do teu Outrora

Sou apenas desejo na realidade deste Agora

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-20
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