2026-07-04

0459. Oferecer orações

 


«O Papa Leão XIV oferece orações às vítimas do terremoto na Venezuela».

Durante um evento realizado em Roma, o pontífice expressou «esperança de que a solidariedade global com o país perdure».

CNN Brasil Claudia Chieppa, da Reuters, 27/06/26

 

O Papa Leão XIV ofereceu orações ás vítimas do terramoto na Venezuela e expressou esperança de que a solidariedade global perdure.

Pois é! É o que a Igreja Católica sempre fez e continua a fazer perante as grandes tragédias que assolam a humanidade. Oferecer orações, que é como que diz, não fazer absolutamente nada e ficar sentada na esperança que outros façam alguma coisa.

Oferecer ajuda financeira aos afetados? Não! Se for receber…

Vamos lá orar pelas vítimas do terramoto na Venezuela e pedir ao Divino que ajude os sobreviventes a superar as nefastas consequências do terramoto, supostamente por Ele próprio criado, tendo em conta a sua suprema omnipotência.

Mas como é que o Supremo pode causar tamanha mortandade e depois os seus divinos representantes virem a público pedir ajuda por uma tragédia por ele próprio provocada? Algo aqui não bate certo… afinal o terramoto foi ou não vontade de “deus”?

O Terramoto não foi vontade de “deus” –desculpar-se-ão os mais acérrimos crentes. Mas se não foi vontade, como é que permitiu tão desmedida tragédia? Onde é que está a sua magnânima bondade? Como pode permitir a morte de milhares de pessoas, muitas delas inocentes crianças?

Alguns reconhecerão que foi realmente vontade divina; que quis castigar os infiéis e os pecadores. Mas porque é que todos teriam que pagar por isso?

Pronto, não vale a pena questionar mais. Ele lá terá as suas razões que naturalmente fogem à compressão humana. Ele está certo e age sempre de forma absolutamente justa.

Se algum herege disser que orar é comprovadamente uma ação inútil e uma forma de justificar e demonstrar inércia e ignorância perante uma tragédia, não façam caso!

Se algum herege disser que o terramoto na Venezuela nada tem a ver com supostos deuses, porque obviamente não existem, nem nunca existiu qualquer prova da sua existência, também não façam caso!

 

Mas o que ilações podemos retirar dos factos?

 

Na Venezuela já há mais de 2.500 mortos confirmados, 11 mil feridos e um número indeterminado de desaparecidos.

No Japão, um dos países mais afetados por terramotos, por se situar no chamado “Anel de fogo” da região, também ocorreu um terramoto de magnitude 7,2, quase da mesma magnitude da Venezuela, e os danos provocados foram praticamente nulos ou moderados e não houve qualquer vítima mortal?

Para este terramoto não foram precisas orações porque não morreu ninguém!

Pelos vistos os japoneses não acreditam nem ficaram à espera de orações ou ajudas divinas. Simplesmente investigaram as causas dos terramotos e investiram/desenvolveram tecnologia na construção de edifícios antissísmicos. Também emitiram alertas prévios à população, o que pode ser sido um fator determinante para evitar mortes.

Decisivo é também o facto dos japoneses educaram e prepararem os seus cidadãos, para responderem racionalmente a este tipo de tragédias e não se limitarem a frequentar igrejas e a pedir a um suposto “deus” que os proteja, ou, após uma tragédia desta dimensão, a orar pelos mortos, como se estivessem a prestar uma inestimável ajuda.

 

«Oferecer orações?!…»

 

Não ofendam a inteligência humana e respeitem as vítimas do terramoto, muitas delas ainda debaixo dos escombros!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-06-27
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2026-06-17

0458. Ofensa

 


É obviamente impossível ofender “deus”.

É obviamente impossível ofender o que não existe!

Pode-se ofender o criador da ideia, o mentor, o explorador… pode-se até, implicitamente, ofender o fiel seguidor da ideia, mas nunca uma imagem mental abstrata, ou de pedra, de um suposto criador divino.

Negar a existência de entidades supranaturais, por falta de provas ou evidências, é perfeitamente legítimo; tal como é legítimo afirmar a sua existência com base na fé pessoal -nunca uma ofensa à dignidade ou legitimidade de quem acredita.

É, pois, perfeitamente legítimo questionar, desmascarar e desmistificar dogmas religiosos -a liberdade de expressão é um direito inalienável e constitucionalmente consagrado, tal como acreditar em entidades supranaturais.

O que é realmente ofensivo é o amor cristão pelo dinheiro… -pelo “deus dinheiro”. Já o Papa[1] reconhecia que a «idolatria do dinheiro mata». A incalculável riqueza exibida pela Igreja Católica, sobretudo por parte do Vaticano, não mata… mas é uma ofensa aos olhos dos “comuns mortais” que lutam por colocar pão na mesa dos filhos.

Estima-se que a Igreja Católica tenha atualmente ao seu serviço 1 Papa, cerca de 252 cardeais, 5.525 bispos e 407.000 padres que se dedicam à exploração do seu produto fictício, através de negócios astronómicos no ramo imobiliário, turismo religioso, banca, investimentos financeiros, doações… além de uma infinidade de proveitos resultantes do comércio de “serviços” e “merchandising” religioso.

O dinheiro que a Igreja Católica movimenta a nível mundial e a dimensão do seu património é de tal modo obsceno[2] que é praticamente impossível calcular com exatidão a sua totalidade.

Se a Igreja Católica doasse uma décima parte da sua riqueza à UNICEF certamente que mataria a fome de praticamente todos os pobres e pedintes do planeta.

E o que dizer de Fátima…

 

«O Santuário de Fátima proíbe a mendicidade dentro dos seus templos, incluindo a Basílica da Santíssima Trindade e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário. A segurança do santuário tem autoridade para afastar pedintes e garantir o decoro e a ordem nos espaços de culto. A instituição emite frequentemente alertas e reforça a fiscalização para evitar o assédio aos peregrinos no recinto. Esta restrição baseia-se nos regulamentos internos do espaço religioso».

 

Independentemente da legitimidade ou desumanidade da proibição que a Igreja Católica pretenda determinar aos mendigos (esses desleais concorrentes), o que é realmente ofende é a atitude, uma vez que ela própria se comporta de forma explicita e vergonhosa como uma autêntica mendiga; ora proibindo e discriminando, ora pedindo e implorando precisamente àqueles que pouco ou nada têm.

O que realmente ofende é o uso da religião como arma para escravizar e explorar os mais pobres e os mais fracos… como fonte eterna de sobrevivência e perpetuação.

 

É obviamente impossível ofender “deus”.

É obviamente impossível ofender o que não existe!

Obviamente que também não pretendo ofender quem tem ou acredita no seu amigo imaginário!

Apenas expressar a minha opinião, que vale o que vale, tal como todas as outras.

É um privilégio poder fazê-lo em liberdade de consciência; no pleno gozo das minhas faculdades mentais e sem qualquer ameaça de fogueiras ou infernos.

Tal como muitos fizeram no passado, é uma obrigação defender os mais vulneráveis e os que mais sofrem…

 

Desperta!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-06-11
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[1] Francisco

[2] Elevado



2026-06-14

0457. Normal

 



Observe atentamente a imagem…

Procure recuar um pouco no tempo e imagine-se criança de pele clara, sorriso rasgado, observando uma outra criança de pele escura, presa numa jaula, sofrida e triste, cuja única diferença em relação a si é apenas a cor da pele.

 Imagine-se criança mimada observando curiosamente uma criança enjaulada, como se de um brinquedo se tratasse, como se num jardim zoológico contemplasse um qualquer animal e toda a gente considerasse o evento perfeitamente normal.[1]

Os seus pais consideram completamente normal.

O Estado aprova como normal e a Igreja Católica abençoa a normalidade.

Ninguém se comove minimamente com o sofrimento da criança negra nem toma qualquer iniciativa para a libertar porque todos consideram o seu estado absolutamente normal.

E porque é que todos o consideravam normal?

Porque foram ensinados a olhar para seres humanos de pele escura como diferentes ou como um produto que se pode exibir, comprar e vender. Foram imunizados ao sofrimento alheio e a humanidade completamente anulada.

O colonialismo europeu e a escravatura, perduraram por mais de quatro séculos, grande parte em África e perduraram praticamente até finais do século XX. Durante centenas de anos gerações inteiras consideraram a escravatura absolutamente normal ao ponto da Igreja Católica a legitimar na própria Bíblia, nomeadamente no que se refere a punições e regras hediondas, relativamente ao comportamento de escravos e dos seus “legítimos donos”.

Durante séculos o conceito de Liberdade foi interpretado do ponto de vista d do esclavagista ou do poder instituído. Ainda hoje, em determinadas culturas, continua a ser um conceito subjetivo e interpretado de forma relativamente discriminatória.

Quem hoje tem o privilégio de dizer: «Sou livre», não se pode acomodar e ficar indiferente às constantes violações da liberdade alheia. Se hoje se cala, provavelmente, há um século atrás, também não se importaria que aquela criança de pele negra estivesse enjaulada, porque também acharia normal. Continuará a achar perfeitamente normal até um dia também acordar preso numa qualquer jaula ou no interior da própria mente, sem que de tal tenha consciência.

Hoje, mais do que nunca, importa valorizar a Liberdade e nunca a dar como adquirida. É preciso cuida-la e preserva-la. É preciso ter a perfeita noção do quão frágil pode ser a linha que a separa da Ditadura e o elevado preço em vidas humanas que se pode pagar para a recuperar.

Foi por esta sua Liberdade que inúmeras gerações se sacrificaram… lutaram e perderam a vida.

Convém nunca esquecer que a maioria das violações de liberdade foram cometidos por pessoas comuns que acreditavam piamente que uma criança negra numa gaiola era algo absolutamente normal e estavam a cumprir a sua obrigação moral e cultural de educar os próprios filhos.

Quantas fotografias hoje observamos como sendo normais e as gerações futuras considerarão chocantes?

Certamente muitas!

 

Por isso…

Importa despertar e lutar para que nenhuma criança volte a ser enjaulada!

Importa recordar ás gerações futuras o valor da Liberdade!

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-08
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[1] Na realidade também não é normal, no jardim zoológico, contemplar um qualquer animal que deveria viver em plena liberdade no seu habitat natural.



2026-06-11

0456. Indiferente

 


É-me indiferente que você seja islamita, judaísta, cristão ou de qualquer outra religião, tal como o que diz o seu alcorão, a sua torá, a sua bíblia ou qualquer outro livro ancestral da sua ou de qualquer outra religião!

É-me indiferente o que você ou qualquer outro crente pensa sobre o seu amigo imaginário!

Estou cansado da sua desrespeitosa insistência e das intermináveis campanhas religiosas de endoutrinação a que constantemente e arbitrariamente sou submetido sem nada nem a ninguém ter pedido.

Estou vacinado e sobretudo cansado de tanta controvérsia pueril e inútil sobre o livro da sua religião e toda a absurda mitologia inerente aos seus personagens fictícios.

Estou cansado da insanável insistência na estapafúrdia ideia da existência do amigo imaginário que me pretende incutir. Já perdi demasiado tempo a tentar decifrar, desmascarar e desmistificar o significado dos inúmeros estapafúrdios dogmas do seu livro ficcional.

O direito á liberdade é inviolável; ou, para melhor seja assimilado, é “sagrado”! Defendo-a incondicionalmente. É precisamente este inalienável direito, que confere a liberdade religiosa para escolher e praticar a sua crença, e a minha escolha lógica e racional de não acreditar na existência de qualquer “divindade”.

Tem todo o direito do mundo de acreditar no que quiser e viver a sua vida da forma como entender. Mas, a sua fé na existência do seu “deus” não lhe confere o direito nem a liberdade de me impor a sua crença ou exigir que viva de acordo com o que está descrito no seu livro religioso, ou da forma como você o interpreta.

“Neste capítulo e neste versículo diz que devemos…”

Repito...

É-me indiferente que você seja islamita, judaísta, cristão ou de qualquer outra religião, tal como o que diz o seu alcorão, a sua torá, a sua bíblia ou qualquer outro livro ancestral da sua ou de qualquer outra religião!

É-me indiferente o que você ou qualquer outro crente pensa sobre o seu amigo imaginário!

Não acredito no que diz o seu “livro sagrado”, tal como não acredito na sua e em nenhuma crença religiosa e estou no meu pleno e constitucionalmente reconhecido direito de não acreditar.

É-me completamente indiferente que você acredite ou finja que o seu deus existe. Finja e seja feliz; mas não seja idiota ao ponto de pensar que o seu fingimento o faz existir!

Vá orar e professar a sua fé no recanto do seu lar ou nos locais de culto reservados, junto dos “fiéis” que a partilham e não perturbe o precioso silêncio da minha liberdade de escolha.

Deixe-me viver e desfrutar plenamente deste minúsculo grão azul suspenso num raio de sol, na imensidão do espaço.

 

Por isso, repito…

É-me indiferente que você seja islamita, judaísta, cristão ou de qualquer outra religião, tal como o que diz o seu alcorão, a sua torá, a sua bíblia ou qualquer outro livro ancestral da sua ou de qualquer outra religião!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-06-09
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2026-06-05

0505. Viver na Caverna

 


Dizia Saramago que «estamos hoje a viver na Caverna de Platão»[1]; e, na verdade, nunca como agora, tal metáfora se aproximou tanto da realidade.

Em pleno despertar da Inteligência Artificial (IA) qualquer mente minimamente atenta e lúcida notará que a maioria da população mundial continua a viver na sombra da Caverna enquanto meia dúzia de privilegiados desfruta da luz conferida pela estrela central do nosso Sistema Solar.

A sombra[2] da Caverna é agora assumida como real por robôs humanos meticulosamente controlados e dominados.

A precoce formatação a que foram sujeitos anulou completamente o espírito crítico e a própria capacidade de sair da Caverna pelo próprio pé.

A Caverna cegou-os e aprisionou-os; transformou-os em escravos; a maioria, por já ter nascido no seu seio, num produto formatado e preparado para ser explorado e consumido.

Os média são um dos veículos de clausura na Caverna; sobretudo pelo contágio e dependência económica do próprio sistema. A maioria não distingue factos de informação falsa e não cumpre com a obrigação moral e profissional de informar com a verdade; aliás, não hesita em matar a verdade quando persente que esta pode matar a sua verdade.

A maioria sobrevive miseravelmente na escuridão da Caserna, desconhecendo que o Sol brilha e à superfície existe todo um mundo maravilhoso para viver e desfrutar na mais plena liberdade.

Observar toda esta pobre gente, como se passageiros de um qualquer comboio de Birkenau, serem aprisionados e explorados no escuro duma qualquer Caverna, privados do seu mais precioso bem[3], mexe com o conforto do meu cadeirão transformando-o na mais dolorosa cadeira de espinhos.

É minha obrigação despertar esta gente!

É obrigação moral de todos despertar e libertar toda esta gente!

É obrigação moral de todos despertar e libertar os novos escravos sem correntes do século XXI.



[1] «Estamos hoje a viver na Caverna de Platão: todos a ver imagens e acreditando que são a realidade»

[2] Ilusão

[3] Vida/Liberdade



Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-10
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2026-06-01

0454. Perdão

 


Na sua “Magnifica Humanitas” e em nome da Igreja Católica, o Papa Leão XIV, pediu hoje «perdão pela demora da Igreja católica em condenar o flagelo da escravatura».

«É inevitável sentir uma profunda tristeza ao considerar o enorme sofrimento e humilhação que a escravatura representou para tantos» -referiu, reconhecendo a participação do Vaticano na legitimação da escravatura, que inegavelmente representa uma «ferida na memória cristã».

 

Perdão pelo apoio explicito da Igreja Católica a todo um sistema esclavagista que durante séculos foi maquiavelicamente delineado por clérigos, contruído por reis e nobres, e expandido por grupos económicos e comerciantes para subjugar, explorar e enriquecer à custa de seres humanos que eram vistos e tratados como simples mercadoria?

Perdão pelo facto do “Velho” e do “Novo Testamento” defenderem e incitarem declaradamente a “escravatura” e, inclusivamente, ditarem as regras relativamente ao comportamento dos “escravos” e dos seus “donos”?

 

Diz o Antigo Testamento:

“E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas.

Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão.

E possui-los-eis por herança para vossos filhos depois de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir; mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não vos assenhoreareis com rigor, uns sobre os outros.”

Levítico 25:44-46

 

Diz o Novo Testamento:

“Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo;”

Efésios 6:5

 

“Todos os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar os próprios senhores como dignos de todo o respeito; para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. Os que têm senhores fiéis não os desrespeitem, por serem irmãos; ao contrário, sirvam-nos ainda melhor, porque são fiéis e amigos de Deus, que se beneficiam de seus bons serviços.”

1 Timóteo 6: 1, 2

 

Quantos homens, mulheres e crianças foram torturados e arrancados à força da sua terra, do seu lar e da sua cultura?

Quantos homens, mulheres e crianças foram acorrentados em porões de “navios negreiros” e arbitrariamente condenados a serem escravos de um senhor da terra… e do céu?

Quantos homens, mulheres e crianças foram mortos, estuprados, mutilados, separados das famílias e vendidos como animais para alimentar a Europa colonialista e o próprio Vaticano?

É impossível determinar… mas finalmente um representante da Igreja Católica “ferido na sua memória cristã”, vem publicamente reconhecer o erro e pedir “perdão”, como se tais palavras desculpabilizassem ou apagassem todas as atrocidades cometidas e as suas nefastas consequências.

Um pedido de “perdão”, por mais solene que seja, não apaga nem reescreve a história; não reverte a morte nem o sofrimento e muito menos desconstrói o atual sistema religioso que continua a lucrar e a viver opulentamente à custa deste abominável “flagelo” humano.

É inegável que as atuais gerações continuam a sofrer e a pagar as contas da escravatura!

A maioria dos países africanos alvo de escravatura e pilhagem dos seus recursos económicos, vivem ainda hoje num estado de pobreza estrutural, culturalmente dependentes e religiosamente manipulados.

Os atuais “senhores” continuam sentados à sombra da riqueza construída com o sangue suor e lágrimas dos seus ancestrais escravos.

Tal como nos processos de abusos sexuais da Igreja Católica que muitos perdões também merecerão, as indemnizações ou compensações financeiras a atribuir a estados ou a descendentes de pessoas escravizadas não serão certamente fáceis de concretizar, para não dizer praticamente impossíveis; no entanto, o Vaticano e alguns países colonialistas europeus, mais do que perdões ou pedidos de desculpa, poderiam avançar com iniciativas de reparação de danos sociais e económicos, nomeadamente a criação de infraestruturas industriais, apoio à formação profissional e universitária, e, porque não, cancelar ou restruturar a dívidas dos países maioritariamente afetados pela escravatura.

 

Tal não se resolve com orações e muito menos com perdões!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-25
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2026-05-18

0453. Que importa!


 

Que importa desvendar como tudo começou!

Que importa equacionar como tudo vai terminar!

Importa desfrutar!

Agora!


A verdade é que estou aqui… Agora!

Estou aqui, agora, neste precioso momento a desfrutar tudo o que ouso pensar e sentir.

Poderei já não estar quando estiveres a sentir e a pensar o que terei pensado ou sentido... mas isso não me importa agora e também não importará quando já não me puder importar!

Poderei já não estar quando estiveres a sentir e a pensar o que terei pensado ou sentido...  mas isso também não importa a ninguém… e muito menos à realidade!

O que realmente importa é que eu nasci e vivi durante este pequeno e efémero lapso de tempo e tive consciência de tal.

Nasci, vivi e morri!

Desfrutei de inumeráveis momentos maravilhosos, tal como alguns dolorosos, como este agora.

Que importa desvendar como tudo começou ou equacionar como vai terminar!

Importa viver o Agora… o meu Agora! O teu Agora!


Tu que estás agora aqui, como eu estive… 

Tu que também fazes e farás parte da história e da massa deste vastíssimo Universo…

Quando um dia, o meu, o teu, e todos os registos desta breve passagem se apagarem e caírem no esquecimento, um facto indesmentível continuará a subsistir:

Eu estou (estive) aqui… Agora!

Tu estás (estiveste) aqui… Agora! -a ler.

Eu sou (fui) alguém!

Tu és (foste) alguém!

Fui, foste, somos e fomos todos alguém!

Nós vivemos!

Nós vivemos e compartilhamos com os nossos contemporâneos esta sublime experiência!

Nós vivemos e compartilhamos alegrias, tristezas, amores e desamores!

Tudo aconteceu realmente, algures, em algum lado, neste efémero lapso de tempo!


Por isso desperta e vive o que realmente importa.

Vive intensamente a tua preciosa vida!

Agora!


 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-17
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2026-05-13

0452. Teocracias

 


Cada vez mais Teocracias infetam, consomem e aniquilam Democracias!

Cada vez mais o poder do Estado é exercido por líderes religiosos que se autoproclamam representantes máximos duma suposta entidade divina.

Cada vez mais as leis de um país se fundamentam em textos ditos sagrados ou em interpretações ancestrais de cariz acentuadamente religioso.

A história repete-se ciclicamente e revela-nos civilizações governadas por clérigos que acabam invariavelmente por se transformar em regimes repressivos e ditatoriais.

Um pouco por todo o mundo observamos inúmeras crenças religiosas a invadirem bancadas parlamentares e a implementarem os seus projetos teocráticos.

Instalam-se e coexistem com o Estado numa perspetiva de domínio e usurpação de poder, partindo sempre do princípio que este se deve submeter à lei do seu Deus.

Fruto duma precoce endoutrinação, normalmente usam as forças policiais e de segurança do Estado como braço armado para estabelecer a ordem e a moral nacionalista perante os fiéis que impiedosamente usam e exploram como produto do seu rebanho.

A suposta entidade divina transforma-se numa espécie de autoridade moral, com poderes inquestionáveis de repressão e punição, sobretudo sobre os que a ousam questionar ou pensar de forma diferente. Legitimam a violência e a obediência cega em detrimento da lei e das regras democráticas que ao longo de gerações e gerações tanto sangue suor e lágrimas custaram implementar.

Por detrás de todo o projeto religioso existe um regime repressivo que corrompe a cultura, a moral e os costumes em todos os domínios do Estado.

É o primeiro passo para o renascimento do «fascismo teocrático».

O último suspiro da democracia!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-02-06
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https://agora7564.wordpress.com/2026/05/13/0452-teocracias/

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2026-04-24

0451. Crucificação

 


Desde a Roma antiga que a crucificação foi padronizada como um dos principais métodos de tortura e execução pública.

O corpo, frequentemente precedido de flagelação, era normalmente pregado de mãos e pés numa cruz de madeira e deixado a agonizar num lendo e interminável martírio. Um castigo usado para punir escravos, criminosos e traidores do Estado, que normalmente provocava a morte por asfixia ou exaustão da vítima. Um arrepiante quadro de medo e horror que dissuadia qualquer tipo de ação criminosa ou revolta popular.

Durante o longo período de obscurantismo da “Idade das Trevas”, esta metodologia de tortura e morte acentuou-se exponencialmente com a criação de inúmeros métodos verdadeiramente macabros e hediondos. Tendo como objetivo combater “blasfémias”, “heresias”, “bruxarias” e “feitiçarias”, obter confissões, conversões e sobretudo aniquilar desvios à doutrina cristã, a partir do século XII até ao finais do século XIX, a Santa Inquisição, idealizou e criou alguns métodos de tortura verdadeiramente atrozes, nomeadamente o potro, a roda, submersão em água ou óleo fervente, o garrote, queima na fogueira e decapitação pública, a maioria baseados em Autos de Fé, aplicados após penosos períodos de prisão e tortura.

 

«O caminho até à cruz já era parte da punição. O condenado era obrigado a carregar a própria trave pelas ruas, nu ou seminu, sob cuspes, pedradas e insultos da multidão. Soldados empurravam, chicoteavam, humilhavam. Rebeldes, escravos rebeldes ou vítimas de delações falsas desfilavam assim, enquanto Roma mostrava a todos o preço de desafiar a ordem. Não bastava matar o corpo. A crucificação destruía a alma também. Era humilhação pública, medo espalhado, um espetáculo vivo de terror. O condenado morria devagar, diante de todos, como um aviso vivo: Isto acontece com quem se levanta contra nós».

 

De acordo com a narrativa mitológica cristã, o suposto messias, “Jesus de Nazaré”, após ter desafiado o poder político de Roma, teria passado precisamente por este ritual infernal, carregando a própria cruz pelas ruas de Jerusalém, onde foi pregado e brutalmente executado sob as ordens de Pôncio Pilatos, governador da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.

Ao longo de séculos, este cruel método de tortura, humilhação e pena de morte, transformar-se-ia num ritual religioso, ao ponto de ser periodicamente celebrado e venerado como efeméride do Cristianismo; hoje imagem de marca global.

Uma poderosa arma de domínio político e social maquiavelicamente projetada para a sobrevivência e perpetuação; sustentada por um modelo macroeconómico de negócio fraudulento que transforma templos em empresas, crentes em clientes, e a fé num produto fictício altamente rentável.

Um produto que usa e abusa da tortura e da morte e apela a promessas de prosperidade eterna em troca de contribuições financeiras para solucionar os problemas dos seus devotos fiéis.

Um produto “milagroso” sustentado por uma poderosa e contínua campanha de endoutrinação e marketing que lhe serve de pilar.

Um produto “milagroso” que ignora a ciência e apela à supressão da reflexão e consciência humana, capaz de transformar um ato abominável de sofrimento e morte da antiga Roma num dos maiores símbolos de amor e salvação da humanidade.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-17
Imagem: Internet
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