2024-03-31

0401. Apostasia

 





Batizaram-me quando tinha apenas três meses! Mergulharam-me em «água benta» com a promessa de que tal me purificaria e abriria o caminho para a eternidade. Mergulharam-me em «água benta» com a convicção de que tal me uniria eternamente ao seu Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) que por mim morrera e ressuscitara, tornando-me, assim, para sempre, seu filho e fiel servidor.

Marcaram-me como «Cristão» quando ainda nem sequer sabia o que era uma ilusão, como quem marca um cordeiro recém-nascido do seu rebanho. Marcaram-me num ritual eclesial mascarado de festa de família e amigos, em que selaram uma espécie de contrato que, supostamente, manifestaria a vontade dos meus pais em me doutrinar de acordo com os valores e princípios morais da religião católica. Assinaram uma espécie de contrato que definia o presente e decidia o meu futuro… que me impunha não pensar, não sentir… e sobretudo não questionar ou renegar.

Como é que uma mente minimamente decente pode celebrar ou validar um contrato entre uma suposta divindade e uma inocente criança? Ninguém pode decidir o futuro de uma inocente criança sem conhecimento de causa… e muito menos com um outorgante fictício!

Diz a Igreja Católica que «Deus dá-nos o Seu Espírito e adota-nos como seus filhos, antes mesmo de O conhecermos», «Deus ama as crianças ainda antes de estas O conhecerem» … e não é por acaso que o manifesta em Mt19, 14: «deixai vir a Mim as criancinhas e não as impeçam…».

Como é que um ser fictício, fruto da imaginação humana, pode adotar uma criança, ainda antes de esta ter consciência da sua… inexistência? Mais do que um abuso de confiança, este «contrato divino» a que chamam «Batismo» é uma ofensa à inteligência de qualquer mente minimamente racional. Mais um dos muitos dogmas absurdos da Igreja Católica que importa desmistificar… e anular.

Assim, existindo tal contrato que me define como «cristão», que para efeitos estatísticos do meu país me coloca como membro da Igreja Católica Apostólica Romana… de forma consciente e de livre vontade que o venho anular através do ato de Apostasia.

 


Nota:

Independentemente da resposta que me vier a ser dada… (até ao momento, apesar de reiterado, o pedido foi ignorado), aqui fica publicamente expressa a nulidade deste vínculo absurdo a que me submeteram quando ainda nem sequer tinha atingido a idade dos porquês.

 

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-10
Imagem: IA
Obs.:
Direitos reservados.






REQUERIMENTO

Eu, Carlos Manuel Alturas da Silva, de nacionalidade Portuguesa, nascido em Estremoz, Santo André (antigo Hospital), em 7 de maio de 1964, portador do Cartão de Cidadão com o número XXXXXXXX (cópia anexa), venho, por este meio, de forma consciente e livre, requerer, em conformidade com as normas canónicas, que seja praticado um «actus formalis defectionis ab Ecclesia catholica» e consequente rutura dos vínculos de comunhão-fé, sacramentos e governo pastoral.

Para o efeito, informo que fui batizado na Igreja de Santo António dos Arcos, em 23 de agosto de 1964, tal como consta na minha Cédula Pessoal (cópia anexa); fls. de assento, número e ano do livro de registos de batismo dessa paróquia, que desconheço.

Assim, na conjugação dos dois elementos essenciais para o efeito: a minha decisão e correspondente manifestação, com a elaboração deste pedido, venho solicitar que seja averbado no respetivo livro de registo de batizados a menção explícita de que foi praticado um «defectio ab Ecclesia catholica actu formali» onde se encontra o meu nome, e com isso se concretize o ato de Apostasia da Igreja Católica Apostólica Romana, com as penas canónicas correspondentes (cf. cân. 1364, § 1). pós a prática do «actus formalis defectionis ab Ecclesia catholica», solicito também que me seja facultada uma cópia da certidão de batismo onde aquele ato se encontre averbado.

 

Aguarda deferimento,

 

Assinatura digital

 

 

 

 

Carlos Manuel Alturas da Silva

 

Arcos, 10 de fevereiro de 2024

 

Nota do Autor: Até à data de publicação da presente obra, apesar da insistência, ainda não recebi qualquer resposta ao requerimento de Apostasia.