2026-02-26

0243. «Deixai vir a Mim as criancinhas»

 


«Deus ama as crianças ainda antes de estas O conhecerem…» -não é por acaso que o manifesta em Mateus 19:14: «deixai vir a Mim as criancinhas e não as impeçam…»

 

A Igreja Católica “adota” os seus filhos ainda antes destes conhecerem o seu futuro amo.

Já alguma vez, ao entrar numa igreja com o seu filho pela mão, imaginou ou questionou o autêntico significado de tais palavras?

Já alguma vez imaginou o que poderá estar por detrás desta massacrante endoutrinação religiosa e quais as consequências que poderão resultar para o futuro do seu filho?

Será que o seu filho precisa mesmo de um protetor pessoal imaginário a quem tem que se subjugar, humilhar e servir cegamente até ao fim da sua vida?

Não!

Nenhuma criança precisa que lhe sejam precocemente incutidos medos, culpas ou castigos de seres imaginários!

Uma criança precisa de amor, liberdade e educação para se desenvolver física, mental e moralmente de forma saudável e equilibrada.  

Proteja-se e sobretudo proteja o seu filho!

Proteja o seu filho dos que dizem «Deus ama as crianças ainda antes de estas O conhecerem…» -não é por acaso que o manifesta em Mateus19:14: «deixai vir a Mim as criancinhas e não as impeçam…»

Proteja-o… porque poderão realmente arruinar o seu futuro!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-24
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Obs.:
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2026-02-17

0442. Quem sou eu

 


Quem sou eu?

Que origem para esta admirável massa biológica?

Que origem para esta assombrosa fragilidade cognitiva?

Que origem para este “penso logo existo”[1]  que apenas me confere capacidade de pensar como prova de existência… mas não abarca sequer a amplitude da consciência?

Porque não me oferece respostas objetivas e é incapaz de preencher este incomensurável vazio?

Esta ténue noção de “quem sou eu” apenas me permite reconhecer o Agora…

O Agora que me toca, observa, sente, pensa, repensa e viola até à exaustão.

O Agora que não para de se transformar… e de me transformar!

O Agora que extrapola descomunalmente esta incapacidade de existencialidade…

O Agora que une este corpo e mente biologicamente degradáveis!

O Agora efémero e finito!

Vejo-O confirmar a consciência desta minha efémera existência até ao limite da perceção possível… até ao limite do sofrimento impossível!

 

Só Agora o posso enfrentar!

Só Agora o posso temer ou venerar!

 

Na realidade nunca ninguém saberá “quem sou Eu” porque também não sei!

Tal como todos os pensamentos, todas as palavras são inúteis…

Nada restará destes pobres neurónios… desta consciência de ser…

Nem as ligações, as transmissões, as sensações, as emoções…

Nada!

 

Eis o efémero e ciente lapso de saber que não sei quem sou!

O Agora do Ser que agora sou…

A imagem mental transformada em literal.

A imagem literal transformada em mental no Agora de alguém!

 

Sou eventualmente a resposta inútil e perdida de ninguém…

Sou eventualmente outro Agora, o Ser de alguém!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-10
Imagem: IA
Obs.:
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[1] René Descartes




2026-02-13

0441. Laicidade

 




A laicidade é um pilar fundamental e inviolável da democracia e um dos princípios identitários da Constituição da República Portuguesa (CRP) que legalmente todos estamos obrigados a respeitar.

Os artigos 41.º e 43.º da CRP consagram precisamente a liberdade de consciência, de religião, de culto e estabelecem a base da laicidade: «as igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado» e «o ensino público não será confessional».

De igual modo, a Lei de Liberdade Religiosa (LLR) estabelece que «o Estado não adota qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas»; «nos atos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade»; «o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes religiosas» e «o ensino público não será confessional».

Compete, pois, à Assembleia da República «garantir o cumprimento da Constituição e das leis e fiscalizar os atos do Governo e da Administração», bem como «tratar todos os assuntos respeitantes aos direitos e deveres fundamentais consignados na Constituição e na lei».

Compete ao Estado assegurar a liberdade de consciência dos cidadãos, onde se inclui a religiosa, a separação entre política e religião, que protege ambas, e a igualdade de todas as pessoas perante a lei. É precisamente a liberdade de consciência que garante o direito de professar, mudar, ou não ter qualquer religião.

Compete ao Estado (a todos os órgãos) adotar e manter uma postura neutra e imparcial relativamente a todas as confissões religiosas, não interferindo nem permitindo interferências na administração, nomeadamente no que se refere à educação religiosa na escola pública e a participação em atos oficiais ou protocolares de entidades religiosas.

 

O proselitismo religioso deve restringir-se exclusivamente às instituições religiosas. De igual modo, governantes e todos os membros de órgãos do Estado, no exercício de funções, devem abster-se de participar em cerimónias ou rituais religiosos, podendo, no entanto, a título privado, exercer esse direito no seio da sua própria confissão.

O Estado não pode estabelecer nenhum tipo de convenções ou acordos jurídicos que privilegiem determinada religião. A “Concordata” entre a Santa Sé e a República Portuguesa, é um manifesto exemplo de violação do princípio fundamental da laicidade. Mais do que uma imposição legal, a revogação da Concordata e a revisão da LLR, são imperativos democráticos que urge retificar e ratificar, por forma que sejam abolidos os privilégios e isenções concedidos exclusivamente à Igreja Católica.

Um Estado democrático não tem religião oficial e não apoia ou discrimina qualquer crença; garante que todos os seus cidadãos sejam tratados em igualdade de direitos, independentemente da sua confissão religiosa, ou ausência da mesma.

A laicidade é em si um modelo de cidadania baseado na neutralidade e igualdade de todos os cidadãos perante a lei num espaço comum livre e democrático.

 

A laicidade do Estado é inviolável!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-07
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Obs.:
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