Em
maio de 2017 escrevi o texto “Missa” que, pelo seu contexto social atual,
decidiria incluir no livro Agora (I).
Após
inseri-lo no meu blog e publicá-lo
nas redes sociais, seria alvo dos mais diversos comentários… alguns elogiosos…
outros revelando alguma indignação… outros ainda, ofensivos, que acabaria por apagar
ou ignorar.
A
dois desses comentários, por serem de amigos que me são relativamente próximos,
acabaria por responder e publicar os mesmos no livro Agora II, como forma de
esclarecimento, não apenas aos autores, mas a todos os que, em particular,
acabaria por não responder.
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O Texto objeto de comentário:
116. Missa (Agora (I))
Fui acompanhar a Luísa e a mãe à
missa por “alma do meu falecido sogro” …
Às vezes entro na igreja com elas,
como entro em qualquer lugar, mas desta vez ficaria à porta a falar com um
amigo que, entretanto, me abordara.
No final, mostrando algum
desagrado, a Luísa comentou comigo:
“Durante a missa pediram-nos
dinheiro duas vezes… e à saída, outra vez!”
Não respondi, mas pensei… 4 vezes!
-uma vez que para mencionar o nome dos defuntos em memória de quem a missa se
realiza, cada familiar paga uma determinada quantia. Tal significa que, numa
missa, um paroquiano, pode ter que pagar, pelo menos 4 vezes uma quantia em
dinheiro.
Observei que a Luísa também trazia
na mão um “Boletim Paroquial da Unidade Pastoral”, onde, curiosamente, na capa constava o texto “distribuição
gratuita”. Sem perceber bem porquê, entregou-mo. Passando consequentemente os
olhos por cima, dois títulos do mesmo despertaram-me a atenção:
O primeiro dizia…
“Maria não veio a Fátima para que
a víssemos, mas para avisar sobre o Inferno que é a vida sem Deus”.
Pareceu-me uma espécie de ameaça
encapotada aos que encararem a vida sem o dito “Deus”. Decerto que na
eternidade serão encaminhados para o dito “inferno”, em detrimento dos que na
terra “vivem com Deus”, (ou pelo menos pensam que vivem!), esses certamente com
lugar certo no dito “paraíso”.
Os que na terra “vivem sem Deus”,
obviamente que nunca poderão ser boas pessoas!
Mais curioso ainda é que a dita
“Maria” tenha vindo a Fátima não apenas para ser vista pelos que a avistam, mas
para avisar sobre esse “inferno”!
O segundo dizia…
“Domingo do Bom Pastor”. Dedicado
aos sacerdotes…
“Ao entrar na sacristia (cito), o
pároco encontra um envelope que por fora dizia “Bom Pastor” e dentro continha
alguns euros” de um grupo de anónimos paroquianos que assim quiseram mimar o
seu Pastor”.
Afinal também há ofertas em
dinheiro aos “Bons Pastores”!
5 vezes! -pensei. Tal significa
que numa missa se pode pagar 5 e não apenas 4 vezes!
Há pouco ouvi o Papa Francisco,
também numa missa dizer que “não se pode servir a Deus e ao dinheiro. Ou um ou
outro. O dinheiro faz adoecer o pensamento e a fé faz-nos ir por outros
caminhos…”
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C. B. (amigo de infância, adolescência e maioridade)
Comentário no
Facebook ao Texto 116. Missa (Agora I)
“Nunca
percebi porque pessoas que criticam e condenam a igreja a utilizam e exigem os
seus serviços para os seus interesses. Não sejamos hipócritas!”
Resposta ao
comentário:
Caro amigo C.
B.,
Normalmente
não troco argumentos no Facebook sobre as minhas publicações, quer sejam sobre
“política”, “religião”, “desporto”, etc…
Cada um é do
que é e acredita no que acredita!
É um direito
que todos temos na nossa sociedade livre e democrática.
Prefiro
fazê-lo pessoalmente, sobretudo com os amigos (de infância e de “armas”) como
tu.
Vou abrir uma
exceção apenas para responder ao teu "Não sejamos hipócritas" porque
generalizas; não sei a quem te diriges e também para esclarecer o que julgo ser
uma pergunta que fazes (“Nunca percebi porque pessoas criticam e condenam a
igreja e utilizam os seus serviços”).
Servirá,
pois, para esclarecer também os “comentários” que me são dirigidos por outros
amigos quer em público quer em privado.
Para
contextualizar e para que melhor entendas, todos os meus textos são baseados em
factos reais, em ocorrências, em sentimentos genuínos, em pensamentos pessoais,
e este, como tantos outros, não foge à regra. Não existe qualquer “hipocrisia”
(pelo menos na minha leitura e interpretação lógica).
Sobre o texto
que comentaste, nesse dia tinha ido acompanhar a Luísa e a minha sogra à
igreja… -o que é normal (a minha sogra é muito religiosa… e respeito) e como
quase sempre, não entrei. Fiquei à porta a conversar com um amigo.
Ao sair, a Luísa
comentou comigo que lhe tinham pedido dinheiro na igreja por 3 vezes. Duas
durante a missa e uma ao sair, à porta. Depois entregou-me um folheto que
recebera onde constava... e cito: que um “grupo de anónimos paroquianos
oferecera um envelope ao Bom Pastor (padre) que continha alguns euros. Ora, com
o pagamento da missa (que a minha sogra fizera), tal perfizera 5 “serviços” … e
seria precisamente este facto (autêntico!) que me impeliu a escrever o texto.
Este e muitos
outros textos fazem parte dum livro que publiquei recentemente. Decidi expô-lo
no Facebook porque a divulgação (a publicidade faz parte do contrato que
assinei com a editora) têm sido alvo de alguns “comentários” (opiniões
contrárias que respeito) e também de censura por parte do Facebook, que
considera que alguns violam os “Padrões da Comunidade”, sem sequer justificar,
quais e o porquê.
Ora, eu penso
por mim e não sigo, nem nunca segui, qualquer padrão de opinião previamente
estabelecido ou socialmente incutido desde a infância.
Os textos
refletem apenas a minha opinião (que vale o que vale como todas as outras) e
tenho todo o direito de expressá-la livremente no Meu Site, no Meu Blog ou na
Minha Página do Facebook.
Não tenho por
objetivo ofender nenhuma pessoa em particular.
Não “condeno”
quem acredita no que quer que seja!
Tu tens todo
o direito de seres católico, como outro terá de ser islamita, um índio de
adorar o “Deus Sol”, ou eu de não acreditar em nada!
É um direito
de todos!
Questionar ou
perguntar a existência de “entidades supremas” (ou não!) é perfeitamente
natural… um direito de qualquer mente minimamente pensante… mal estaria o mundo
se todos pensassem igual, acomodados apenas ao que nos dizem ou ficarmos
calados e quietos sem respostas minimamente racionais!
Há pessoas
religiosas (e não religiosas) boas e más… o que critico é a maldade e as
atrocidades que são cometidas em nome dessas crenças e estados ditatoriais.
Não utilizo
“serviços” da igreja, no meu interesse… nunca utilizei. Casei numa igreja (para
fazer a vontade aos pais e aos sogros), mas até o podia ter sido num estádio de
futebol ou num recito de festas… para mim era igual. O importante era o
momento… e vivê-lo intensamente tal como fiz.
Quando um dia
cá não estiver… (todos vamos!) … dispenso qualquer cerimónia ou “serviço
religioso”, simplesmente porque tal não me conforta nem me diz absolutamente
nada. Aliás, ser-me-á indiferente, porque já cá não estarei! Mas se hoje me
perguntarem, em vez de “missas”, ou cerimónias fúnebres, prefiro que cantem o
hino de Lennon (“Imagine”) por um mundo sem crenças, em paz e em liberdade.
O que faço e
sempre fiz é tratar bem a minha família e todos os que me rodeiam enquanto cá
estiver… para mim o que realmente mais importa!
É isso que me
dá ânimo e me conforta.
Sei que é uma
resposta muito longa…
Se a leres
espero ter sido esclarecedora.
Se algum dia
quiseres falar pessoalmente sobre o assunto, pois, estou sempre disponível.
Abraço!
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P. (amigo de adolescência e maioridade… de corridas de
bicicleta… e vida militar)
Comentário no
Facebook ao Texto 116. Missa (Agora I)
Amigo Silva,
quando utilizas este meio de comunicação para fazeres as insinuações que te vão
na Alma "se tiveres" e as enviares aos sete ventos para somente
difamares e denegrires quem quer que seja, pois só acreditas em ti e nas tuas
verdades, deixo-te estas pequenas palavras para as leres com atenção:
Quando alguém
me diz que não acredita 'nessas coisas' porque só acredita naquilo que vê, fico
a pensar se essa pessoa acredita na sua memória, no seu pensamento, nas suas
emoções, na sua intuição. Se alguém me diz que só acredita naquilo que pode ser
tocado, medido, comprovado cientificamente, fico a pensar se essa pessoa
acredita no amor; se acredita na confiança, se acredita na esperança, se
acredita no sentido da vida. A conclusão é sempre a mesma: mais tarde ou mais
cedo, todos percebemos que – “o essencial é [mesmo] invisível aos olhos: só se
vê bem com o coração”.
Bom domingo
"Deus é
tão simplesmente isto"
Resposta ao
comentário:
Caro amigo P.,
Amigo de
inúmeras corridas de bike... aventuras civis e militares...
Suponho que
terás lido a resposta que escrevi acima... por isso não me vou alongar a
responder aqui... apenas reiterar que "tenho todo o direito de criticar
ideias, ideais, figuras públicas, estados ditatoriais, qualquer tipo de crença
ou religião... etc... " tal como tu!
É um
princípio fundamental (liberdade de opinião) de qualquer sociedade livre e
democrática…
Cito: “Uma
Lei ou Padrão de Comunidade que diga que não posso criticar ou ridicularizar
ideias, nomeadamente religiosas ou do domínio público, calando e eliminando os
seus membros é no mínimo, INTOLERÁVEL e INADMISSÍVEL, hoje em dia! (Rowan
Atkinson).
Acredito
tanto no amor que até um livro escrevi sobre ELE! O amor é o meu
"deus"!
Não diria que
só se vê bem com o coração... mal de nós se não questionamos algo que nos
incutem como verdadeiro ou não pensamos racionalmente sobre a realidade!
Há quem diga
(Óscar Wilde) que "os olhos são inúteis quando a mente é cega".
Sabes que eu
não acredito em "amigos imaginários", mas sim nos verdadeiros
amigos... como TU!
Eis porque te
vou dizer o seguinte: Nunca o revelei nestes anos todos em que estivemos
juntos... não sei se terás lido já o meu livro ("Agora I" -decerto
que não), mas, se o fizeres, fica a saber que te considero tão
"AMIGO"... te tenho tanto no coração que um dos textos (o nº 93) é
dedicado a ti.
Grande
abraço!
Autor: Carlos Silva
Data: 2023-12-13
Imagem: IA
Obs.:
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