2018-03-04
0063. Ghouta - Síria
2018-03-03
0062. Dá que pensar
Vi na comunicação social que… «Ontem à meia-noite, foi um dia histórico na
Arábia Saudita… porque as mulheres conduziram um veículo pela primeira vez…». É
verdade! Antes estavam proibidas! Dá que pensar!
Como é possível no século XXI?! Como é que, em pleno século XXI, um ser
humano do sexo feminino, para conduzir uma máquina (neste caso uma viatura… a
sua viatura), não basta apenas saber conduzir e conhecer as regras de
circulação, tem de ser autorizado por outro ser humano… neste caso, um rei –
homem, é claro!
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem
por leis (neste caso, muçulmana: Sharia) que proíbem um ser humano de conduzir
a sua viatura, só porque a natureza aleatoriamente lhe conferiu o género
feminino e uns ditos moralistas ultraconservadores, profetas, não sendo
médicos, discordam, afirmando que conduzir pode ferir os ovários? É
simplesmente surrealista, mas está a acontecer… Está a acontecer hoje… na
realidade!
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem
por leis que proíbem uma mulher de andar sozinha na rua sem o seu «guardião»
masculino, que tem de ser o marido, o pai ou o irmão… que considera que a
educação de uma mulher não é necessária, que deve ficar em casa e que na escola
ou no restaurante os homens se devem separar das mulheres?
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que obrigam as
mulheres a cobrir o corpo (deixando apenas ver o rosto, os olhos, as mãos e
pés…), com «vestes longas», pretas, folgadas e opacas, para não mostrarem as
linhas do corpo?! Onde a palavra de uma mulher não é tão valiosa como a do
homem… as sentenças podem não se basear na lei, mas em tradições tribais…
proíbe de falar em seu nome à polícia ou queixar-se do seu próprio agressor?
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem
por leis em que as meninas, menores, são obrigadas a casar tão cedo, que aos 12
anos têm de pedir ajuda para se divorciarem de um marido de 80 anos com quem,
por determinação dos pais, casara?
Dá igualmente que pensar que a maior parte destas mulheres aceite e não
pretenda mudar tal situação… aliás, até mesmo no ocidente, há pouco, alguém
dizia que «o lugar da mulher é em casa» e que é «normal o marido bater-lhe se
esta se portar mal…».
Na verdade, mais do que pensar, importa compreender, importa ajudar a
despertar…
Ainda estamos muito longe do respeito dos direitos fundamentais de todos
os seres humanos, nomeadamente no que se refere ao género.
2018-03-02
0061. Sonhador
2018-03-01
0060. Sistema
«São os ricos que governam e os pobres vivem como podem»
Saramago
«Querem trabalhadores pobres e eficientes e não seres humanos
pensantes…»
Jiddu Krishnamurti
«Um povo ignorante é o instrumento cego da sua própria destruição»
Simón Bolívar
Os governos, as religiões, os grandes grupos económicos e financeiros precisam
de mão-de-obra barata para gerar e gerir a sua riqueza. Os governos, as
religiões, os grandes grupos económicos precisam de trabalhadores eficientes
para se sustentarem. Sem força de trabalho, sem produção, estes grupos e
dirigentes, que acumulam a riqueza produzida, não sobreviveriam ou não
existiriam.
Este sistema atual precisa de trabalhadores pobres, ignorantes, eficientes…
Este sistema usa a pobreza, a fome, a falta de educação, a saúde e serviços
públicos precários para controlar a mão-de-obra produtiva e lucrativa… e
normalmente não gosta de «seres humanos pensantes», pois podem interferir
negativamente no seu processo lucrativo.
Este sistema domina e vive rodeado de privilégios, de elitismos, de
teias de poder, como «dono disto tudo» … e não gosta de ser afrontado, pois esmaga
quem se opõe ao seu poder e domínio. Este sistema manipula políticas sociais e
ambientais, cria ilusionismos ideológicos, patrióticos, religiosos… Este
sistema produz alimentos e armamento… campanhas publicitárias alimentares e
armas que suportam guerras fratricidas… genocídios… conflitos sociais e
raciais… crimes contra a natureza e humanidade… tudo o que possa aumentar o seu
lucro, o seu poder e o seu domínio.
Centrado na produção e consumismo exacerbado, desenvolveu-se exponencialmente
com a globalização comercial… domina a economia, a sociedade… e, se necessário,
sem qualquer pudor, usa o estado e a religião para alcançar os seus objetivos,
criando uma vasta massa de pobreza que controla a seu belo prazer.
Neste sistema social, o rico é sempre rico e o pobre é sempre pobre. Neste
sistema social, o rico é cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. O
pobre é sempre o mais desfavorecido. Passa a maior parte da vida a trabalhar,
porque precisa sempre de alguma coisa para a qual normalmente tem de se
endividar, e a maior parte das vezes não consegue suportar o esforço que lhe é
exigido… pouco tempo tem para pensar ou desfrutar a vida e normalmente acaba
vergado e humilhado na sua dignidade.
Supostamente o Estado deveria ter políticas para defender e apoiar os mais
fracos, os mais desfavorecidos, os mais pobres… mas, na realidade, acontece
precisamente o contrário: o Estado apoia e defende os mais ricos e poderosos. A
classe política, nascida ou embrenhada nestas teias do interesse económico e
financeiro, geralmente elabora leis e regras de trabalho em favorecimento os
que mais têm.
Urge mudar a mentalidade. Urge mudar a ideia que faz acreditar os pobres
que a culpa da pobreza é apenas sua.
Se um Estado ou um banco falirem são os pobres que pagam com os seus
impostos. Se um pobre falir, normalmente perde a casa, o carro… é desprezado na
miséria… morre, morre como um simples número que é substituído imediatamente
por outro número.
Alguém se importa que neste inverno um pobre tenha de escolher entre um
prato de sopa e um aquecedor elétrico? Alguém se importa que um pobre vagabundo
com fome e frio morra na rua? Na verdade, é apenas um inadaptado, um falhado…
Nunca se gastou tanto em armamento e nunca tantos passaram tanta fome… a
maioria idosos e crianças. Nunca tão poucos tiveram tanto e tantos tão pouco.
Nunca a riqueza da terra esteve tão mal distribuída como agora.
Curiosamente, nunca perguntamos de onde vem e para onde vai tanto dinheiro.
Aceitamos a injustiça e desigualdade social com normalidade e naturalidade.
Aceitamos despreocupadamente este sistema.
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