"O problema não é um deus, que não existe, mas a religião que
o proclama"
José Saramago
Assoberbado por
este reconfortante e enigmático silêncio, observo serenamente o brilho das
estrelas. É completamente absurdo sequer imaginar que toda esta perfeita e
magnificente imensidão tenha sido criada por uma suposta criatura sobrenatural
que tudo controla, incluindo o que agora mesmo penso ou sinto… e que, ousando
discordar, ou comportando-me mal, me castigaria por toda a suposta eternidade.
Como é que alguém
pode sequer equacionar este absurdo? Como é que alguém pode viver, matar e até
morrer em nome deste autêntico absurdo?
Não se compreende
que o ser humano continue preso a crenças primitivas que durante séculos
martirizaram, obstruíram e destruíram civilizações e gerações. Compreende-se
perfeitamente o desejo de eternidade, a busca de perfeição e de justiça, a
necessidade de explicação de fenómenos naturais. Compreende-se perfeitamente o
desejo de viver melhor, o medo e a necessidade de consolo perante a morte, a
dor da perda de seres queridos, a ausência de um sentido de vida. O que não se
compreende é este absurdo! Não se compreende esta incessante e massacrante
doutrinação religiosa infantil! Não se compreende esta contínua falta de
doutrina de dogmas da religião, assimilados como virtudes ou verdades
absolutas. Não se compreende a forma como são impostos à sociedade, como
justificam guerras e motivam paz e bem-estar eterno. Não se compreende como as
religiões continuam a parasitar o patriotismo como forma de obter proteção ou
benefícios do poder instalado. Não se compreende como as religiões continuam a
justificar a esmola e a ajuda aos mais pobres e desfavorecidos como forma de
extorsão financeira. Não se compreende como as religiões continuam a segregar
povos em função da crença, da raça ou da etnia, como continuam a marginalizar
homossexuais e a diminuir o papel da mulher na sociedade, submetendo-a à uma
mera condição de objeto ou de reprodução. Não se compreende como as religiões
se apropriam da ética, da moral e dos costumes, das mais nobres virtudes
humanas como se fossem suas, e muito menos que as usem mesquinhamente para
viver à custa do sangue suor e lágrimas dos mais pobres e desfavorecidos.
Nas religiões nada
se compreende, nada se questiona… simplesmente acredita-se!
Nenhuma religião
torna o mundo melhor ou as pessoas mais felizes! Afinal, todas dependem da ação
humana e o absurdo está nos homens que as criam e proclamam!
Na realidade,
pode-se ser feliz sem religião!
Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-12
Imagem: IA
Obs.:
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