2026-04-24

0451. Crucificação

 


Desde a Roma antiga que a crucificação foi padronizada como um dos principais métodos de tortura e execução pública.

O corpo, frequentemente precedido de flagelação, era normalmente pregado de mãos e pés numa cruz de madeira e deixado a agonizar num lendo e interminável martírio. Um castigo usado para punir escravos, criminosos e traidores do Estado, que normalmente provocava a morte por asfixia ou exaustão da vítima. Um arrepiante quadro de medo e horror que dissuadia qualquer tipo de ação criminosa ou revolta popular.

Durante o longo período de obscurantismo da “Idade das Trevas”, esta metodologia de tortura e morte acentuou-se exponencialmente com a criação de inúmeros métodos verdadeiramente macabros e hediondos. Tendo como objetivo de combater “blasfémias”, “heresias”, “bruxarias” e “feitiçarias”, obter confissões, conversões e sobretudo aniquilar desvios à doutrina cristã, a partir do século XII até ao finais do século XIX, a Santa Inquisição, idealizou e criou alguns métodos de tortura verdadeiramente atrozes, nomeadamente o potro, a roda, submersão em água ou óleo fervente, o garrote, queima na fogueira e decapitação pública, a maioria baseados em Autos de Fé, aplicados após penosos períodos de prisão e tortura.

 

“O caminho até a cruz já era parte da punição. O condenado era obrigado a carregar a própria trave pelas ruas, nu ou seminu, sob cuspes, pedradas e insultos da multidão. Soldados empurravam, chicoteavam, humilhavam. Rebeldes, escravos rebeldes ou vítimas de delações falsas desfilavam assim, enquanto Roma mostrava a todos o preço de desafiar a ordem. Não bastava matar o corpo. A crucificação destruía a alma também. Era humilhação pública, medo espalhado, um espetáculo vivo de terror. O condenado morria devagar, diante de todos, como um aviso vivo: “Isto acontece com quem se levanta contra nós.”

 

De acordo com a narrativa mitológica cristã, o suposto messias, “Jesus de Nazaré”, após ter desafiado o poder político de Roma, teria passado precisamente por este ritual infernal, carregando a própria cruz pelas ruas de Jerusalém, onde foi pregado e brutalmente executado sob as ordens de Pôncio Pilatos, governador da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.

Ao longo de séculos, este cruel método de tortura, humilhação e pena de morte, transformar-se-ia num ritual religioso, ao ponto de ser periodicamente celebrado e venerado como efeméride do Cristianismo; hoje imagem de marca global.

Uma poderosa arma de domínio político e social maquiavelicamente projetada para a sobrevivência e perpetuação; sustentada por um modelo macroeconómico de negócio fraudulento que transforma templos em empresas, crentes em clientes, e a fé num produto fictício altamente rentável.

Um produto que usa e abusa da tortura e da morte e apela a promessas de prosperidade eterna em troca de contribuições financeiras para solucionar os problemas dos seus devotos fiéis.

Um produto “milagroso” sustentado por uma poderosa e contínua campanha de endoutrinação e marketing que lhe serve de pilar.

Um produto “milagroso” que ignora a ciência e apela à supressão da reflexão e consciência humana, capaz de transformar um ato abominável de sofrimento e morte da antiga Roma num dos maiores símbolos de amor e salvação da humanidade.

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-17
Imagem: Internet
Obs.:
Direitos reservados


https://agora7564.wordpress.com/2026/04/24/0451-crucificacao/

https://carlosagora.wixsite.com/agora/post/0451crucifica%C3%A7%C3%A3o

https://www.youtube.com/channel/UC7eqAuRMLutI1shAPCX5bnA


Sem comentários:

Enviar um comentário