Desde
a Roma antiga que a crucificação foi padronizada como um
dos principais métodos de tortura e execução pública.
O
corpo, frequentemente precedido de flagelação, era normalmente pregado de mãos
e pés numa cruz de madeira e deixado a agonizar num lendo e interminável
martírio. Um castigo usado para punir escravos, criminosos e traidores do
Estado, que normalmente provocava a morte por asfixia ou exaustão da vítima. Um
arrepiante quadro de medo e horror que dissuadia qualquer tipo de ação
criminosa ou revolta popular.
Durante
o longo período de obscurantismo da “Idade das Trevas”, esta metodologia de
tortura e morte acentuou-se exponencialmente com a criação de inúmeros métodos verdadeiramente
macabros e hediondos. Tendo como objetivo de combater “blasfémias”, “heresias”,
“bruxarias” e “feitiçarias”, obter confissões, conversões e sobretudo aniquilar
desvios à doutrina cristã, a partir do século XII até ao finais do século XIX, a
Santa Inquisição, idealizou e criou alguns métodos de tortura verdadeiramente
atrozes, nomeadamente o potro, a roda, submersão em água ou óleo fervente, o
garrote, queima na fogueira e decapitação pública, a maioria baseados em Autos
de Fé, aplicados após penosos períodos de prisão e tortura.
“O
caminho até a cruz já era parte da punição. O condenado era obrigado a carregar
a própria trave pelas ruas, nu ou seminu, sob cuspes, pedradas e insultos da
multidão. Soldados empurravam, chicoteavam, humilhavam. Rebeldes, escravos
rebeldes ou vítimas de delações falsas desfilavam assim, enquanto Roma mostrava
a todos o preço de desafiar a ordem. Não bastava matar o corpo. A crucificação
destruía a alma também. Era humilhação pública, medo espalhado, um espetáculo
vivo de terror. O condenado morria devagar, diante de todos, como um aviso
vivo: “Isto acontece com quem se levanta contra nós.”
De
acordo com a narrativa mitológica cristã, o suposto messias, “Jesus de Nazaré”,
após ter desafiado o poder político de Roma, teria passado precisamente por este
ritual infernal, carregando a própria cruz pelas ruas de Jerusalém, onde foi
pregado e brutalmente executado sob as ordens de Pôncio Pilatos, governador da
província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.
Ao
longo de séculos, este cruel método de tortura, humilhação e pena de morte, transformar-se-ia
num ritual religioso, ao ponto de ser periodicamente celebrado e venerado como
efeméride do Cristianismo; hoje imagem de marca global.
Uma
poderosa arma de domínio político e social maquiavelicamente projetada para a
sobrevivência e perpetuação; sustentada por um modelo macroeconómico de negócio
fraudulento que transforma templos em empresas, crentes em clientes, e a fé num
produto fictício altamente rentável.
Um
produto que usa e abusa da tortura e da morte e apela a promessas de
prosperidade eterna em troca de contribuições financeiras para solucionar os problemas
dos seus devotos fiéis.
Um
produto “milagroso” sustentado por uma poderosa e contínua campanha de endoutrinação
e marketing que lhe serve de pilar.
Um
produto “milagroso” que ignora a ciência e apela à supressão da reflexão e
consciência humana, capaz de transformar um ato abominável de sofrimento e
morte da antiga Roma num dos maiores símbolos de amor e salvação da humanidade.
Autor: Carlos Silva
Data: 2026-04-17
Imagem: Internet
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