Observe
atentamente a imagem…
Procure
recuar um pouco no tempo e imagine-se criança de pele clara, sorriso rasgado, observando
uma outra criança de pele escura, presa numa jaula, sofrida e triste, cuja
única diferença em relação a si é apenas a cor da pele.
Imagine-se criança mimada observando curiosamente
uma criança enjaulada, como se de um brinquedo se tratasse, como se num jardim
zoológico contemplasse um qualquer animal e toda a gente considerasse o evento
perfeitamente normal.[1]
Os
seus pais consideram completamente normal.
O
Estado aprova como normal e a Igreja Católica abençoa a normalidade.
Ninguém
se comove minimamente com o sofrimento da criança negra nem toma qualquer
iniciativa para a libertar porque todos consideram o seu estado absolutamente
normal.
E
porque é que todos o consideravam normal?
Porque
foram ensinados a olhar para seres humanos de pele escura como diferentes ou como
um produto que se pode exibir, comprar e vender. Foram imunizados ao sofrimento
alheio e a humanidade completamente anulada.
O
colonialismo europeu e a escravatura, perduraram por mais de quatro séculos, grande
parte em África e perduraram praticamente até finais do século XX. Durante
centenas de anos gerações inteiras consideraram a escravatura absolutamente
normal ao ponto da Igreja Católica a legitimar na própria Bíblia, nomeadamente
no que se refere a punições e regras hediondas, relativamente ao comportamento
de escravos e dos seus “legítimos donos”.
Durante
séculos o conceito de Liberdade foi interpretado do ponto de vista d do
esclavagista ou do poder instituído. Ainda hoje, em determinadas culturas, continua
a ser um conceito subjetivo e interpretado de forma relativamente discriminatória.
Quem
hoje tem o privilégio de dizer: «Sou livre», não se pode acomodar e ficar
indiferente às constantes violações da liberdade alheia. Se hoje se cala, provavelmente,
há um século atrás, também não se importaria que aquela criança de pele negra estivesse
enjaulada, porque também acharia normal. Continuará a achar perfeitamente normal
até um dia também acordar preso numa qualquer jaula ou no interior da própria mente,
sem que de tal tenha consciência.
Hoje,
mais do que nunca, importa valorizar a Liberdade e nunca a dar como adquirida. É
preciso cuida-la e preserva-la. É preciso ter a perfeita noção do quão frágil pode
ser a linha que a separa da Ditadura e o elevado preço em vidas humanas que se
pode pagar para a recuperar.
Foi
por esta sua Liberdade que inúmeras gerações se sacrificaram… lutaram e
perderam a vida.
Convém
nunca esquecer que a maioria das violações de liberdade foram cometidos por
pessoas comuns que acreditavam piamente que uma criança negra numa gaiola era
algo absolutamente normal e estavam a cumprir a sua obrigação moral e cultural de
educar os próprios filhos.
Quantas
fotografias hoje observamos como sendo normais e as gerações futuras
considerarão chocantes?
Certamente
muitas!
Por
isso…
Importa
despertar e lutar para que nenhuma criança volte a ser enjaulada!
Importa
recordar ás gerações futuras o valor da Liberdade!
Autor: Carlos Silva
Data: 2026-05-08
Imagem: Internet
Obs.:
Direitos reservados
[1] Na
realidade também não é normal, no jardim zoológico, contemplar um qualquer
animal que deveria viver em plena liberdade no seu habitat natural.

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