2025-07-26

0426. Seleção natural

 






A seleção natural é “um processo de extinção das espécies mais fracas em detrimento das mais fortes” (não das mais inteligentes), que acabarão por sobreviver…

A natureza opera mudanças e mutações aleatórias no planeta e em todas as espécies que se vão adaptando conforme as necessidades e instintos de sobrevivência.

Em situações de escassez de recursos, obviamente que haverá uma aceleração da extinção de espécies, tal como o contrário na situação inversa.

Atualmente, apesar da extinção de inúmeras espécies, o processo natural permite que muitas sobrevivam ou se reproduzam em grande número, normalmente com o sacrifício das mais fracas.

Existe um equilíbrio vital entre todos os ecossistemas e o Sol assume um papel absolutamente vital na vida e na suficiência energética…

A velocidade de reprodução de cada espécie e o alimento gerado pelo planeta, são fundamentais para este equilíbrio, onde praticamente todas as espécies (fortes e fracas) dependem umas das outras.

Havendo um fenómeno artificial ou natural como o que extinguiu os dinossauros (meteorito), uma eventual extinção da espécie humana poderá ocorrer, o que não impediria o processo de regeneração da vida, com novas formas, inteligentes ou não…

 

Por ser um processo natural e aleatório, pode realmente acontecer, independentemente da consciência ou necessidades humanas.

Não é a vontade ou a inteligência da espécie humana que o determina!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2020-07-23
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2025-07-24

0425. Sorriso

 








A vida sorri-me apaixonadamente

 

De soslaio qual inocente namorado

Retribuo e sorrio-lhe despercebidamente

 

Adoro sorrir

Adoro sorrir ao sorriso da vida

Que apaixonante e deslumbrante é o sorriso da vida

Como não sorrir despercebidamente a este encantador sorriso

 

Confesso que me apaixonei pelo deslumbrante sorriso da vida

Confesso que me transformei no seu eterno amante

Confesso que o seu sorriso é a alma da minha vida

 

Como não sorrir a este deslumbrante sorriso da vida

Como não sorrir a todos os sorrisos do mundo

 

Não é utopia viver diariamente neste sorriso

Não é utopia sentir plenamente cada momento

Sorrir é sentir plenamente cada abraço e cada beijo

Sorrir é dar e receber este presente todos os dias

 

Como não sorrir a este desmedido sorriso da vida

Como não fazer da vida um eterno sorriso

Na realidade já não consigo viver sem sorrir

 

A vida sorri-me apaixonadamente

E eu retribuo-lhe sorrindo despercebidamente

A minha vida já não é apenas o sonho de Lennon

A minha vida é a realidade do sonho de Lennon

A minha vida é este deslumbrante Agora

 

A minha vida é este sorriso do tamanho do mundo


 

Autor: Carlos Silva
Data: 2020-06-02
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2025-02-01

0423. Sudarium Capitis




 

Desde o século XII, em Cadouin, França, os cristãos veneraram, efetuaram peregrinações, atribuíram milagres e ressurreições a uma peça de tecido («sudarium capitis»[1]) que supostamente teria envolvido a cabeça de Cristo e sido preparada pela própria «Virgem Maria».

Inesperadamente, em 1935 o bispo de Périgueux suprimiu todas as cerimónias, porque foi descoberto por um professor da Escola de Línguas Orientais, de Paris, que continha a inscrição: «Em nome de Deus clemente e misterioso (De Deus não há senão Allah) seu associado. Mahomet é o enviado de Allah…», que teria pertencido a Moustali, que foi califa do Egipto entre 1094 e 1101. O pano terá sido tecido nessa época.

Até à Revolução, o sudário foi considerado uma das mais importantes relíquias de França, ao ponto de, no século XVIII, o Padre Frison lhe chamar «o mais antigo e firme monumento da Religião» (Católica). «Fiéis em multidão vieram orar diante deste precioso motivo de paixão» … A «Igreja encorajou as peregrinações e numerosos Papas atribuíram graças e indulgências aos peregrinos» … «As peregrinações continuaram cada vez mais numerosas, acompanhadas de milagres retumbantes e prodigiosos (ressurreições)…».

Por mais de 700 anos, os fiéis católicos veneraram um manto que continha inscrições que glorificaram Alá e Maomé, e catorze papas declararam solenemente que o Sudário de Cadouin era autêntico. O bispo Debert afirmou que «duvidar da sua autenticidade, equivalia a nunca mais podermos dar crédito a testemunhos humanos».

Além deste longo e humilhante período de «paixão religiosa» que a Igreja Católica devotou a um véu islâmico, é de salientar a forma brusca como foi interrompida após ter sido desmascarada… e sobretudo como tem sido silenciada para não cair na chacota popular ou objeto de ridicularização

perante a opinião pública.

Se a «autenticidade dos milagres tem no sudário de Cadouin o seu mais genuíno padrão» e o tomarmos como um exemplo histórico que teve início no século XII e foi venerado por multidões de peregrinos até 1935, então o que dizer do fenómeno («milagre de Fátima») que teve início em 1917 e pouco mais de um século de vida tem, mas atinge hoje uma das suas fazes mais apoteóticas e de maior fulgor económico?

 

Fonte: Fátima Desmascarada, Cap. XI., João Ilharco



[1] Manto muçulmano com 2,81 m comprimento e 1,13 de largura.

 

 

  

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-02-02
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2025-01-25

0422. Voar




 

Nasci e cresci naturalmente indiferente a crenças e crentes

Nasci e cresci naturalmente indiferente a ilusões e superstições

Nasci e cresci humildemente sorrindo à essência e à ciência

Nasci e cresci humildemente questionando muito além do além

Quando as primeiras dúvidas surgiram já tinha saído do ninho e voava plenamente

Quando as primeiras dúvidas surgiram já tinha decidido como e que rumo tomava

Quando as primeiras dúvidas surgiram já sabia que o destino seria o resultado das minhas escolhas

Quando as primeiras duvidas surgiram já pensava nos que ficaram no ninho ou presos pelo caminho

 

Agora que observo completamente a linha do horizonte

Agora que observo esta deslumbrante beleza da natureza

Agora que desfruto totalmente da emoção de voar livremente

 

Olho em frente e vivo plenamente

 

Carpe die

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-12-12
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2025-01-15

0421. Quando vier a primavera

 







Digam à primavera que a amei assim ela quiser

Digam que flori e caí como as flores da primavera

Por ter perecido não acaba a primavera apenas as flores que fruí

Tal como as flores da primavera apenas brotei e expirei

A vida segue sem mim tal como as flores da primavera

Desabrochei e fechei feliz tal como as flores na primavera

Foi a minha perfeita estação de primavera

Foi o meu volátil perfume de flor da primavera

Toda a beleza que despontei e despertei foi realmente um presente

Por isso desfolhei e findei contente

Sobre o meu túmulo podem dizer o que quiserem

Podem colocar as flores que desejarem

É-me completamente indiferente tal como às flores da primavera

Só não quero que chorem porque sempre sorri

Sempre sorri e vivi como as flores da primavera

Podem dançar e cantar à volta da minha sepultura

“Não tenho preferências porque já não terei preferências”[1]

E mesmo que as tivesse seria completamente indiferente

Podem entoar o hino de Lennon[2] e sorrir desafogadamente à primavera

Podem sorrir plenamente à vossa primavera

Fico feliz por o fazerem assim naturalmente

O que agora for quando for que seja o que é

Espero que vivam como eu vivi

Espero que vivam como as flores da primavera

 

“Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma”[3]

“Não desejei senão estar ao sol ou à chuva”[4]

Tal como as flores da primavera

 



[1] F. Pessoa

[2] Imagine

[3] F. Pessoa

[4] F. Pessoa

 

 

Nota: Escrito logo após a leitura de “Quando vier a Primavera” (F. Pessoa)


 

Autor: Carlos Silva
Data: 2023-12-01
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2024-12-03

0420. Absurdo




 

"O problema não é um deus, que não existe, mas a religião que o proclama"

José Saramago

 

Assoberbado por este reconfortante e enigmático silêncio, observo serenamente o brilho das estrelas. É completamente absurdo sequer imaginar que toda esta perfeita e magnificente imensidão tenha sido criada por uma suposta criatura sobrenatural que tudo controla, incluindo o que agora mesmo penso ou sinto… e que, ousando discordar, ou comportando-me mal, me castigaria por toda a suposta eternidade.

Como é que alguém pode sequer equacionar este absurdo? Como é que alguém pode viver, matar e até morrer em nome deste autêntico absurdo?

Não se compreende que o ser humano continue preso a crenças primitivas que durante séculos martirizaram, obstruíram e destruíram civilizações e gerações. Compreende-se perfeitamente o desejo de eternidade, a busca de perfeição e de justiça, a necessidade de explicação de fenómenos naturais. Compreende-se perfeitamente o desejo de viver melhor, o medo e a necessidade de consolo perante a morte, a dor da perda de seres queridos, a ausência de um sentido de vida. O que não se compreende é este absurdo! Não se compreende esta incessante e massacrante doutrinação religiosa infantil! Não se compreende esta contínua falta de doutrina de dogmas da religião, assimilados como virtudes ou verdades absolutas. Não se compreende a forma como são impostos à sociedade, como justificam guerras e motivam paz e bem-estar eterno. Não se compreende como as religiões continuam a parasitar o patriotismo como forma de obter proteção ou benefícios do poder instalado. Não se compreende como as religiões continuam a justificar a esmola e a ajuda aos mais pobres e desfavorecidos como forma de extorsão financeira. Não se compreende como as religiões continuam a segregar povos em função da crença, da raça ou da etnia, como continuam a marginalizar homossexuais e a diminuir o papel da mulher na sociedade, submetendo-a à uma mera condição de objeto ou de reprodução. Não se compreende como as religiões se apropriam da ética, da moral e dos costumes, das mais nobres virtudes humanas como se fossem suas, e muito menos que as usem mesquinhamente para viver à custa do sangue suor e lágrimas dos mais pobres e desfavorecidos.

Nas religiões nada se compreende, nada se questiona… simplesmente acredita-se!

Nenhuma religião torna o mundo melhor ou as pessoas mais felizes! Afinal, todas dependem da ação humana e o absurdo está nos homens que as criam e proclamam!

 

Na realidade, pode-se ser feliz sem religião!

 

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-12
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