2018-04-09

0099. Despertar






A determinada altura da vida atingimos um determinado patamar de consciência que nos confere um nível de perceção exclusivamente racionalista.[1]

 

A determinada altura da vida deixamos de temer criaturas “infernais” e aspirar a “paraísos” supranaturais.

A determinada altura da vida, somos inevitavelmente arrastados pela corrente de observação objetiva da realidade.

A determinada altura da vida a consciência atinge praticamente o seu auge e assimilamos que só AGORA podemos ser realmente felizes.

A determinada altura da vida deixamos de ter pressa de viver e queremos apenas desfrutar.

A determinada altura da vida queremos simplesmente conhecer e esquecer tudo o que inutilmente nos impuseram.

A determinada altura da vida queremos simplesmente deliciar com esta maravilhosa paisagem com que diariamente nos deslumbramos.

A determinada altura da vida queremos simplesmente estar em paz, connosco e com todos os que nos rodeiam.

A determinada altura da vida queremos simplesmente saborear o mais simples dos milagres…

A VIDA!

 

Aspiramos então a ser apenas nós…

Livres e satisfeitos!

Aspiramos então a sentir e que nos deixem sentir completamente.

Aspiramos então a pensar e que nos deixem pensar da forma mais racional possível.

Aspiramos então a amar e sobretudo que nos deixem amar quem e o que realmente amamos.

 

É então que assimilamos que nunca é tarde para Sonhar…

É então que assimilamos que nunca é tarde para Amar…

É então que culminamos que nunca é tarde para Viver…

 

E nunca é tarde para DESPERTAR!



[1] Numa fase mais precoce, traduzida pela descoberta e deceção que conduz ao desacreditar do “pai natal” e de todas as figuras do universo imaginário.

Numa fase mais matura, alicerçada no crivo do contraditório e na consciência da realidade, traduzida na contínua desconstrução e desmistificação de todos os dogmas previamente incutidos.

É, pois, normalmente neste apogeu de plena capacidade física e intelectual, que é atingido o desacreditar lógico e racional em todas as entidades ditas “divinas; o ponto de perceção do ideal divino como mero conceito individual e abstrato, factualmente inexistente fora do contexto mental humano”.

A óbvia assimilação e conclusão do ato mental, característico da espécie humana, que varia de acordo com contexto sociocultural onde se produz.

 


Autor: Carlos Silva
Data: 2017-03-06
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2018-04-08

0098. Romântico



Agora mesmo penso…
Penso no quão romântico fui.
Penso em todas as “ridículas cartas de amor que escrevi”.[1]
Penso em todas as “ridículas cartas de amor que recebi.

Penso em tudo o que senti.
Penso em tudo que vivi.

E na realidade…
Continuo a ser…
Continuo a não ter…
Verdadeiras razões para deixar de ser.
Para deixar de ser verdadeiramente romântico!

Todos nós sonhamos amar e ser amados por alguém!...
Quem não sonha é como uma “carta de amor” … ridículo(a)!...
Diria, que é mais ridículo ainda!

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Autor: Carlos Silva
Data: 1997-08-31
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[1] Na palavra, não na essência.

2018-04-07

0097. Fé





“A existência de Deus é um beco sem saída epistemológico: não pode ser provada nem refutada.”
A fé é manifestamente intrínseca e pode transformar-se na mais terrível das prisões: a mental.


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Autor: Carlos Silva
Data: 2008-02-25
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2018-04-06

0096. Quem não gosta de saber?






Quando era criança…
Disseram-me para acreditar em Deus.
Acreditava porque me fazia sonhar.
Acreditava tanto, tanto…
Que não conseguia desacreditar.

Quando era adulto…
Disseram-me para acreditar em Deus.
Acreditava porque me fazia pensar.
Pensava tanto, tanto…
Que acabaria por desacreditar.

Quando era adulto…
Disseram-me para acreditar em Deus.
Quis tanto, tanto saber…
Que acabaria por descobrir…
Que não passa duma ilusão…

Alguns adultos…
Ainda continuam a acreditar…
Quem não gosta de sonhar?
Quem não gosta de pensar?
Quem não gosta de saber?

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Autor: Carlos Silva
Data: 2010-08-09
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0095. Quase feliz





Dentro da relatividade de toda esta minha felicidade…
Quantas vezes não me sinto infeliz?
Se não me sentisse infeliz com certeza que feliz não me sentiria!
“Felizes são os inconscientes”!
O que afinal também sou, quando, momentaneamente me sinto quase feliz!…
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Autor: Carlos Silva
Data: 1995-12-27
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2018-04-04

0094. Sensações






Sinto!... Não paro de sentir...
A maior parte do tempo que me falta pensar[1]ocupei-o a sentir... a viver…

Tempo essencialmente dedicado ao trabalho, à família, ao Eu...
Tanto sentimento sentido sem limite!...
Tantas sensações, agora aliadas a este desconforto intelectual, a estas insípidas pinceladas de literatura... de subjetividade, abstrações de incapacidade interpretativa, soltas de vida, de alma...  -imagino a pintura que se afigura num qualquer painel mental...
Conforta-me a sua essência….
Conforta-me a sua existência…  
Conforta-me esta paisagem sensorial pura e perfeita!

Sinto!... Não paro de sentir…
Sensações que passam a correr... agora a decorrer...

Sinto!... Não paro de sentir...
Sensações que teimam em desprender… em libertar...

Que palavras para o Amor?
Que palavras o Nada?
Talvez não existam mesmo respostas…
Talvez Amar seja simplesmente este amar…
Talvez Nada seja mesmo absolutamente nada...

Eis porque me contento com este simples Ser!
Eis porque me contento com estas simples Sensações!

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Autor: Carlos Silva
Data: 1995-09-25
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[1]Descrever