Fui acompanhar a Luísa e a mãe à missa por «alma do
meu falecido sogro».
Às vezes, entro na
igreja com elas, como entro em qualquer lugar, mas desta vez ficaria à porta a
falar com um amigo que, entretanto, me abordara.
No final, mostrando algum desagrado, a Luísa comentou comigo: «Durante a missa pediram-nos dinheiro duas vezes… e à saída, outra vez!». Não respondi, mas pensei… quatro vezes, uma vez que, para mencionar o nome dos defuntos em memória de quem a missa se realiza, cada familiar paga uma determinada quantia. Tal significa que, numa missa, um paroquiano, pode ter de pagar pelo menos quatro vezes uma quantia em dinheiro.
Observei que a Luísa
também trazia na mão um «Boletim Paroquial da Unidade Pastoral», no qual,
curiosamente, na capa constava o texto «distribuição gratuita». Sem perceber
bem porquê, entregou-mo. Passando consequentemente os olhos por cima, dois
títulos do mesmo despertaram-me a atenção. O primeiro dizia «Maria não veio a
Fátima para que a víssemos, mas para avisar sobre o Inferno que é a vida sem
Deus». Pareceu-me uma espécie de ameaça encapotada aos que encararem a vida sem
o dito Deus. Decerto que na eternidade serão encaminhados para o dito inferno,
em detrimento dos que na terra «vivem com Deus» (ou pelo menos pensam que
vivem!), esses certamente com lugar certo no dito «paraíso». Os que na terra
«vivem sem Deus», obviamente que nunca poderão ser boas pessoas! Mais curioso
ainda é que a dita Maria tenha vindo a Fátima não apenas para ser vista pelos
que a avistam, mas para avisar sobre esse inferno!
O segundo dizia
«Domingo do Bom Pastor». Dedicado aos sacerdotes… «Ao entrar na sacristia
(cito), o pároco encontra um envelope que por fora dizia “Bom Pastor” e dentro
continha alguns euros, de um grupo de anónimos paroquianos que assim quiseram
mimar o seu Pastor». Afinal também há ofertas em dinheiro aos «Bons Pastores»!
«Cinco vezes!», pensei. Tal significa que numa missa se pode pagar cinco e não
apenas quatro vezes!
Há pouco ouvi o Papa
Francisco, também numa missa, dizer que «não se pode servir a Deus e ao
dinheiro. Ou um ou outro. O dinheiro faz adoecer o pensamento e a fé faz-nos ir
por outros caminhos…».





