«Je suis Charlie!».
Eis o grito de revolta que hoje mais se ouve em todo o mundo.
E
não é que sou mesmo… Charlie[1]? Pois é, o meu nome também é Carlos!
E
também não consegui ficar indiferente aos atentados de hoje em França. Je suis
Charlie! Eis o meu grito de revolta! O grito de revolta pelo direito à vida. O
grito de revolta pela liberdade de expressão e de imprensa.
O
grito de revolta contra a barbárie, contra o extremismo, contra a violência…
O
mundo está horrorizado com os atentados em França! O mundo está horrorizado com
os atentados em Espanha! O mundo está horrorizado com os atentados no Reino
Unido! O mundo está horrorizado com os atentados nos EUA! O mundo está
horrorizado com todos os atentados em todo o mundo!
Como
é possível?! – eis a questão que hoje todos se colocam. Como é possível que
ainda existam seres humanos que comentem esta horrível barbaridade em nome de
supostas divindades?! – disse supostas! – porque são atos em nome da mais
rudimentar inconsciência humana … em nome de nada!
NÃO
EXISTE DEUS!
NÃO
EXISTE DEUS… o que torna estes atos ainda mais absurdos!
Não
existe argumento racional que sustente tal genocídio!
Decerto
muita coisa mudará depois deste horrível atentado… Não se pode ignorar toda
aquela multidão, todas aquelas vozes clamando por justiça, não se pode ignorar
tantos «Charlie’s» juntos!
Je
suis Charlie! É preciso que sejamos cada vez mais! Cada vez mais vozes! Cada
vez mais… Je suis Charlie!
Este
tipo de atentado agita, desafia a consciência humana… Este tipo de atentado
fere, perturba a sensibilidade humana… Este tipo de atentado coloca em risco os
mais elementares valores da humanidade… – valores adquiridos ao longo de
gerações e gerações pelos quais tantos lutaram, alguns com o sacrifício da
própria vida… Este tipo de atentado exige que se defenda a dignidade da pessoa
humana! Este tipo de atentado exige uma ação global e universal!
Também
ouvi que: «O Charlie Ebdo choca!», «O Charlie Ebdo choca tanto como o
fundamentalismo!», «O Charlie Ebdo semeia ventos e colhe tempestades!». E de
forma algo mais moderada que «não devemos associar a violência à religião!».
«Choca…».
Como
pode chocar tanto assim… um simples lápis? Como pode chocar tanto assim, ao
ponto de apagar vidas humanas?
Não
se consegue dissociar violência de religião, é verdade… e não conseguimos
sequer entender o porquê dessa associação… Talvez porque não enxerguemos ainda
nem uma nem outra!
A
animalidade resulta essencialmente da nossa falta de civismo e educação… esta
pode ser uma justificação coerente, mas não será a única para o gigantesco
caminho que teremos de percorrer…
Idolatrar
«divindades» é talvez uma das mais primárias e absurdas tradições da espécie
humana. Toda a idolatria é um mero absurdo… uma verdadeira inutilidade.
É
preciso que este ser humano esteja ciente de que, para ser um bom ser humano,
não tem necessariamente de idolatrar o que quer que seja, ou quem quer que
seja! Basta ser ele, sem máscaras ou vendas!
Data: 2015-01-08
Obs: Imagem: Internet
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