2018-03-02
0061. Sonhador
2018-03-01
0060. Sistema
«São os ricos que governam e os pobres vivem como podem»
Saramago
«Querem trabalhadores pobres e eficientes e não seres humanos
pensantes…»
Jiddu Krishnamurti
«Um povo ignorante é o instrumento cego da sua própria destruição»
Simón Bolívar
Os governos, as religiões, os grandes grupos económicos e financeiros precisam
de mão-de-obra barata para gerar e gerir a sua riqueza. Os governos, as
religiões, os grandes grupos económicos precisam de trabalhadores eficientes
para se sustentarem. Sem força de trabalho, sem produção, estes grupos e
dirigentes, que acumulam a riqueza produzida, não sobreviveriam ou não
existiriam.
Este sistema atual precisa de trabalhadores pobres, ignorantes, eficientes…
Este sistema usa a pobreza, a fome, a falta de educação, a saúde e serviços
públicos precários para controlar a mão-de-obra produtiva e lucrativa… e
normalmente não gosta de «seres humanos pensantes», pois podem interferir
negativamente no seu processo lucrativo.
Este sistema domina e vive rodeado de privilégios, de elitismos, de
teias de poder, como «dono disto tudo» … e não gosta de ser afrontado, pois esmaga
quem se opõe ao seu poder e domínio. Este sistema manipula políticas sociais e
ambientais, cria ilusionismos ideológicos, patrióticos, religiosos… Este
sistema produz alimentos e armamento… campanhas publicitárias alimentares e
armas que suportam guerras fratricidas… genocídios… conflitos sociais e
raciais… crimes contra a natureza e humanidade… tudo o que possa aumentar o seu
lucro, o seu poder e o seu domínio.
Centrado na produção e consumismo exacerbado, desenvolveu-se exponencialmente
com a globalização comercial… domina a economia, a sociedade… e, se necessário,
sem qualquer pudor, usa o estado e a religião para alcançar os seus objetivos,
criando uma vasta massa de pobreza que controla a seu belo prazer.
Neste sistema social, o rico é sempre rico e o pobre é sempre pobre. Neste
sistema social, o rico é cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. O
pobre é sempre o mais desfavorecido. Passa a maior parte da vida a trabalhar,
porque precisa sempre de alguma coisa para a qual normalmente tem de se
endividar, e a maior parte das vezes não consegue suportar o esforço que lhe é
exigido… pouco tempo tem para pensar ou desfrutar a vida e normalmente acaba
vergado e humilhado na sua dignidade.
Supostamente o Estado deveria ter políticas para defender e apoiar os mais
fracos, os mais desfavorecidos, os mais pobres… mas, na realidade, acontece
precisamente o contrário: o Estado apoia e defende os mais ricos e poderosos. A
classe política, nascida ou embrenhada nestas teias do interesse económico e
financeiro, geralmente elabora leis e regras de trabalho em favorecimento os
que mais têm.
Urge mudar a mentalidade. Urge mudar a ideia que faz acreditar os pobres
que a culpa da pobreza é apenas sua.
Se um Estado ou um banco falirem são os pobres que pagam com os seus
impostos. Se um pobre falir, normalmente perde a casa, o carro… é desprezado na
miséria… morre, morre como um simples número que é substituído imediatamente
por outro número.
Alguém se importa que neste inverno um pobre tenha de escolher entre um
prato de sopa e um aquecedor elétrico? Alguém se importa que um pobre vagabundo
com fome e frio morra na rua? Na verdade, é apenas um inadaptado, um falhado…
Nunca se gastou tanto em armamento e nunca tantos passaram tanta fome… a
maioria idosos e crianças. Nunca tão poucos tiveram tanto e tantos tão pouco.
Nunca a riqueza da terra esteve tão mal distribuída como agora.
Curiosamente, nunca perguntamos de onde vem e para onde vai tanto dinheiro.
Aceitamos a injustiça e desigualdade social com normalidade e naturalidade.
Aceitamos despreocupadamente este sistema.
Direitos reservados.
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0056. Diz-me mulher
Filha
Mãe
Avó
Esposa
Amiga
Companheira
Diz-me,
mulher
Como
podes permitir que
Um
homem
Te
roube o direito à vida
Te
roube o direito à liberdade
Te
roube a autonomia de pensar
Te
torture e imponha maus-tratos
Te
viole física e moralmente até ao íntimo do ser
Te
imponha o direito de escolher
Te
negue o direito à informação e educação
Te
impeça de votar e participar neste progresso
Te
humilhe simplesmente por seres mulher
Diz-me,
mulher
Como
podes permitir que
Um
livro
Exclusivamente
escrito por homens e para homens
Exclusivamente
baseado no domínio dos homens sobre as mulheres
Absolutamente
machista absurdo e obsoleto
Te
peça que sejas submissa ao marido
Te
faça objeto propriedade e mercadoria
Te
cubra o corpo e a mente
Te
estupre e atire pedras até à morte
Te
cegue e crucifique por perderes a virgindade
Te
queime pelo adúltero delito de amares alguém
Um
livro escrito com sangue suor e lágrimas
Que
de ti faz demónio do bem e anjo do mal
Que
te rouba a vida e tudo o que é natural
Diz-me,
mulher
Como
te pudeste deixar seduzir
Por
tão encantadora serpente
Como
pudeste ter ingerido tão pecaminoso fruto
De
tal proibida árvore
Como
pudeste ter nascido
De
tal dita virgem maria
Sem
amar verdadeiramente
Diz-me,
mulher
Tu
que dás e concedes esta vida
Tu
que dás alento e alimento
Tu
que dás este canto e encanto
Tu
que dás esta inspiração e admiração
Tu
que dás este sentimento e sensualidade
Tu
que tudo dás na realidade
Peço
que neste preciso momento
Soltes
o cabelo ao vento
Soltes
a voz com todo o alento
Quero
ouvir o teu grito até ao mundo dar a volta
Quero
ouvir o teu grito de volta e de revolta
BASTA
Não
Não
fiques aí parada
Solta
e desvenda a verdadeira beleza do teu rosto
Solta
e descobre o verdadeiro encanto do teu sorriso
Solta
e manifesta todas as razões do teu coração
Tu
és legitimamente a única dona do teu corpo
Tu
és autenticamente a única dona do teu ser
Desperta,
mulher
Desperta
o corpo da tua admirável mente
E
ama verdadeiramente
Ama
plenamente a liberdade
Ama
perdidamente aquele homem
Que
simplesmente te quer
MULHER




