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2018-03-07
0066. Comunicar
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2018-03-06
0065. Vida
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2018-03-05
0064. Anna Muzychuk
Não sou grande adepto de xadrez, mas hoje uma
notícia[1] sobre os campeonatos do mundo de
xadrez que decorrem em Riade, na Arábia Saudita, despertou a minha atenção e
não precisamente pela modalidade em si. A atual campeã do mundo, Anna Muzychuk,
recusou-se a participar! Segundo palavras suas, «Estou empenhada em defender os
meus princípios…», «Decidi jogar de acordo com as minha regras: recuso-me a usar
abaya[2] e a não poder sair à rua sem ser
acompanhada por um homem. Em suma, recuso que me façam sentir um ser
inferior…».
Ainda que no ano
anterior tenha jogado no Catar, agora não se deixa tentar sequer pelo prémio
monetário, quatro vezes superior aos valores praticados.
A organização, que
terá pagado mais de 1,5 milhões de dólares para organizar o torneio, nega ser
obrigatório o uso de véus, permitindo que as mulheres vistam calças
azuis-escuras e camisas de gola alta…
Como é possível que,
no século XXI, ainda perdurem tradições milenares absolutamente arcaicas que
discriminam o ser humano… mulher? Como é possível ainda haver nas atuais
civilizações formas de discriminação política, racial, social e sobretudo
sexual? Tal agita a minha consciência… como pode alguém ficar indiferente ou
calado? Não se trata apenas de recusar a usar uma simples peça de vestuário ou
da liberdade de passear sozinha pela rua! Trata-se da igualdade de seres
humanos… neste caso de género! E os valores da Anna são os valores de todos os
seres humanos! Ou pelo menos de alguns!
2018-03-04
0063. Ghouta - Síria
2018-03-03
0062. Dá que pensar
Vi na comunicação social que… «Ontem à meia-noite, foi um dia histórico na
Arábia Saudita… porque as mulheres conduziram um veículo pela primeira vez…». É
verdade! Antes estavam proibidas! Dá que pensar!
Como é possível no século XXI?! Como é que, em pleno século XXI, um ser
humano do sexo feminino, para conduzir uma máquina (neste caso uma viatura… a
sua viatura), não basta apenas saber conduzir e conhecer as regras de
circulação, tem de ser autorizado por outro ser humano… neste caso, um rei –
homem, é claro!
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem
por leis (neste caso, muçulmana: Sharia) que proíbem um ser humano de conduzir
a sua viatura, só porque a natureza aleatoriamente lhe conferiu o género
feminino e uns ditos moralistas ultraconservadores, profetas, não sendo
médicos, discordam, afirmando que conduzir pode ferir os ovários? É
simplesmente surrealista, mas está a acontecer… Está a acontecer hoje… na
realidade!
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem
por leis que proíbem uma mulher de andar sozinha na rua sem o seu «guardião»
masculino, que tem de ser o marido, o pai ou o irmão… que considera que a
educação de uma mulher não é necessária, que deve ficar em casa e que na escola
ou no restaurante os homens se devem separar das mulheres?
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que obrigam as
mulheres a cobrir o corpo (deixando apenas ver o rosto, os olhos, as mãos e
pés…), com «vestes longas», pretas, folgadas e opacas, para não mostrarem as
linhas do corpo?! Onde a palavra de uma mulher não é tão valiosa como a do
homem… as sentenças podem não se basear na lei, mas em tradições tribais…
proíbe de falar em seu nome à polícia ou queixar-se do seu próprio agressor?
Como é que, em pleno século XXI, ainda existem «estados» que se regem
por leis em que as meninas, menores, são obrigadas a casar tão cedo, que aos 12
anos têm de pedir ajuda para se divorciarem de um marido de 80 anos com quem,
por determinação dos pais, casara?
Dá igualmente que pensar que a maior parte destas mulheres aceite e não
pretenda mudar tal situação… aliás, até mesmo no ocidente, há pouco, alguém
dizia que «o lugar da mulher é em casa» e que é «normal o marido bater-lhe se
esta se portar mal…».
Na verdade, mais do que pensar, importa compreender, importa ajudar a
despertar…
Ainda estamos muito longe do respeito dos direitos fundamentais de todos
os seres humanos, nomeadamente no que se refere ao género.





