2020-01-30
0117. Pai Natal
2020-01-29
0116. Missa
Fui acompanhar a Luísa e a mãe à missa por «alma do
meu falecido sogro».
Às vezes, entro na
igreja com elas, como entro em qualquer lugar, mas desta vez ficaria à porta a
falar com um amigo que, entretanto, me abordara.
No final, mostrando algum desagrado, a Luísa comentou comigo: «Durante a missa pediram-nos dinheiro duas vezes… e à saída, outra vez!». Não respondi, mas pensei… quatro vezes, uma vez que, para mencionar o nome dos defuntos em memória de quem a missa se realiza, cada familiar paga uma determinada quantia. Tal significa que, numa missa, um paroquiano, pode ter de pagar pelo menos quatro vezes uma quantia em dinheiro.
Observei que a Luísa
também trazia na mão um «Boletim Paroquial da Unidade Pastoral», no qual,
curiosamente, na capa constava o texto «distribuição gratuita». Sem perceber
bem porquê, entregou-mo. Passando consequentemente os olhos por cima, dois
títulos do mesmo despertaram-me a atenção. O primeiro dizia «Maria não veio a
Fátima para que a víssemos, mas para avisar sobre o Inferno que é a vida sem
Deus». Pareceu-me uma espécie de ameaça encapotada aos que encararem a vida sem
o dito Deus. Decerto que na eternidade serão encaminhados para o dito inferno,
em detrimento dos que na terra «vivem com Deus» (ou pelo menos pensam que
vivem!), esses certamente com lugar certo no dito «paraíso». Os que na terra
«vivem sem Deus», obviamente que nunca poderão ser boas pessoas! Mais curioso
ainda é que a dita Maria tenha vindo a Fátima não apenas para ser vista pelos
que a avistam, mas para avisar sobre esse inferno!
O segundo dizia
«Domingo do Bom Pastor». Dedicado aos sacerdotes… «Ao entrar na sacristia
(cito), o pároco encontra um envelope que por fora dizia “Bom Pastor” e dentro
continha alguns euros, de um grupo de anónimos paroquianos que assim quiseram
mimar o seu Pastor». Afinal também há ofertas em dinheiro aos «Bons Pastores»!
«Cinco vezes!», pensei. Tal significa que numa missa se pode pagar cinco e não
apenas quatro vezes!
Há pouco ouvi o Papa
Francisco, também numa missa, dizer que «não se pode servir a Deus e ao
dinheiro. Ou um ou outro. O dinheiro faz adoecer o pensamento e a fé faz-nos ir
por outros caminhos…».
2020-01-28
0115. Agora
Não o deixes terminar sem sequer amar
2018-05-21
0114. Realidade virtual
2018-05-19
0113. O sono da razão
Titula um dos mais célebres desenhos de Goya que… «O sono da razão produz monstros».
Sobre o mesmo já na altura Freud observava «É uma crítica à Espanha dominada pela ignorância, pelo despotismo, pelo desrespeito pela vida humana, pelo fanatismo religioso, pela miséria e pela falta de perspetivas».
Na realidade, Goya alertava-nos para os «monstros» que advêm do «sono» do ser. Para o facto de desse «sono» terem resultado algumas das maiores tragédias da humanidade. Para o facto de desse «sono» aflorarem religiões, crenças, seitas e mitos, normalmente perpetradas por deuses, profetas ou videntes… Para a necessidade de lutar contra a superstição e a ignorância…
E tal tem sido a sonolência que, nos dois últimos milénios, surgiram gigantescos mantos de obscurantismo e fanatismo que ensombraram praticamente toda a sociedade.
Em pleno século XXI, estes «monstros» continuam… Observam-se multidões em delírio e completamente possuídas… lutas fratricidas entre hipotéticos «bem» e «mal» prometem-se «paraísos», «infernos» e «virgens» … assiste-se a «salvações divinas», a «punições públicas», a maior parte das vezes com contornos sanguinários e de extrema crueldade; algumas absolutamente ridículas e irracionais, incompatíveis com o pensamento racional e com o rigor científico.
Não é preciso retroceder assim tanto na histórica da humanidade para identificar alguns «monstros» que resultaram deste «sono»: as Cruzadas com o seu espírito belicista, expansionista e de inspiração cristã; o Jihadismo islâmico com as suas lutas radicais em nome da «fé» e da «perfeição»; mais recentemente, Mahaj Ji, Sun Myung Moon, entre tantos… «religiões», «seitas», «crenças», «tradições» têm, ainda hoje, profundas raízes culturais e ancestrais, vincadas e institucionalizadas no tecido social, de tal forma tidas como verdades absolutas, que questioná-las ou desacreditá-las seria sacrilégio ou imoralidade… nalguns casos punidos com a própria vida!
Normalmente, instituem como prática corrente a violência, corrigem e punem severamente os transviados. Exercem implacavelmente a autoridade, a submissão à ordem estabelecida, a exploração económica, o fundamentalismo, o paternalismo… em último caso, assumindo-se como representantes do bem, da moral pública e da verdade absoluta.
Quase todas perpetuam cultos ou ritos baseados nos mitos que produzem… Quase todas condenam e desclassificam os «infiéis» ou os «hereges» que não as seguem… Quase todas geram servilismo, ignorância e parasitismo… Monstruosidades cujas feridas ainda nem sequer sararam completamente e que não podemos ignorar ou esquecer…
Auschwitz, na Polónia… o maior símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Nunca se tinha visto, de forma tão extrema, tão descomunal fascínio pela morte, tão descomunal desprezo pela vida humana… Seres humanos a incinerar outros (ditos judeus, comunistas…) em fornos crematórios… a exterminar etnias e culturas… convictos que eram inimigos do «regime» e que cumpriam o dever de defender a sua Pátria.
É, inequivocamente, deste «sono» que resultam os «monstros»!





