Autor: Carlos Silva
Data: 1995-07-15
Imagem: Carlos Silva
Obs:
Direitos reservados.
--- / ---
Não
ter religião… Não ter religião será inevitavelmente, num futuro próximo, a
maior religião do mundo! Será inevitável! Inevitavelmente acabará por
acontecer… acreditemos ou não em religião!
Porquê?!
Simplesmente porque não existe objeto de devoção! Será uma questão de tempo…
Será uma questão de educação… Será uma questão de perceção… Será uma questão de
despertar para a realidade.
Até
hoje, milhões de seres humanos perderam inutilmente a vida em nome da religião…
Muito sangue continuará a ser inutilmente derramado, muitas vidas continuarão a
perder-se inutilmente… é inegável! Mas o tempo, como sempre, acabará por
despertar e regenerar o ser humano…
O
desenvolvimento económico, científico e tecnológico tem vindo a conferir, de
forma mais generalizada, mais e melhores condições de vida às populações, mais
e melhores condições de acesso à educação, à saúde, ao conhecimento… A
globalização e a generalização do acesso à internet têm vindo também a acelerar
a troca de informação e conhecimento… O pensamento racional tem vindo a alterar
substancialmente a forma de agir, pensar e viver da maior parte dos seres
humanos… Aquele que se atreve a raciocinar, a observar, começa agora a
constatar que não pode viver constantemente de «ilusão»… que não precisa de um
ser supremo e fantasioso para ser boa pessoa, para praticar o bem e viver em
paz, com justiça, amor, em perfeita liberdade… muito menos sacrificar toda uma
vida ou a vida dos seus semelhantes.
A
«religião» ilude… e desilude aqueles que à partida nela depositaram vida e
esperança… simplesmente porque é uma inevitabilidade. Mais cedo ou mais tarde,
a maior parte acabará por se vergar a esta inevitável realidade… alguns,
absolutamente cegos, eventualmente nunca por nem sequer a enxergarem.
Os próprios estados democráticos começam agora a identificar e a legitimar a sua laicidade… esta inevitável realidade. Em Espanha, por exemplo, a cerimónia da tomada de posse do novo primeiro-ministro, Pedro Sánchez, decorreu com a colocação da mão sobre a Constituição e não sobre a Bíblia… sem a presença de crucifixos ou qualquer outro símbolo católico que no passado eram obrigatórios. «Prometo pela minha consciência e honra cumprir fielmente as obrigações do cargo de presidente do Governo com lealdade ao rei, e cumprir e fazer cumprir a Constituição como normal fundamental do Estado, assim como manter o segredo das deliberações do Conselho de Ministros», disse, lendo apenas a Lei Fundamental. Um exemplo de mudança que em breve será decerto seguido por muitos outros países… Refiro-o porque, curiosamente, Espanha é atualmente um dos países mais católicos do mundo, onde a religião tem ainda bastante influência em todas as esferas sociais e de poder. Paradoxalmente, nos Estados Unidos, na tomada de posse, o seu presidente, Donald Trump, disse: «And, Yes, Together, We Will Make America Great Again. Thank you, God Bless You, And God Bless America.» («E, sim, juntos iremos tornar a América grande novamente. Obrigado. Deus vos abençoe vocês. E Deus abençoe a América.») Foi o culminar de um discurso verdadeiramente patriótico e religioso. O tipo de discurso que confere votos. Mas não o discurso de um sujeito inteligente, líder da principal potência mundial.
