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2018-02-13
0044. Imperceção
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2018-02-12
0043. Eterna questão
Porque deixo de Viver?
Porque se apaga toda esta massa celular que
constato?
Porque tem que haver um Fim?... -não consigo deixar
de abordar a eterna questão da humanidade.
Existe com certeza uma resposta, mas parece ainda
distante… tão distante que no raciocínio urge imediatamente uma dor caótica,
desmesurável... como que uma certa recusa à sua atual essência finita.
Urge uma estranha necessidade de soltar o corpo e a
mente para a realidade da Vida, para a exaltação máxima dos sentidos...
Urge abandonar Metafísicas e todas as presumíveis respostas
para aquele pensamento assustador...
Urge fugir… em
Fim!
2018-02-11
0042. A realidade de religião
É um desperdício temporal[1] pensar em «religião»! Não existe!
Não existe[2] em mim! Não existe fora de mim! A
única utilidade reside na imagem[3]… no debate sobre a influência que
atualmente ainda tem no ser humano.
Não é meu propósito
ferir suscetibilidades… apenas não quero[4] conter a minha racionalidade… a
minha condição humana, indubitavelmente. Não quero quebrar
ideal-cálice-milenar, cujo néctar tantos beberam… apenas dele não quero beber[5], podendo eu matar a minha sede na
mais pura e natural das águas… Apenas quero conhecer a verdade possível e
continuar a raciocinar plenamente!
*
Nos seus primórdios, o
Homem era supostamente religioso… sobretudo pela necessidade de resposta à
perceção dos mais diversos fenómenos naturais, astronómicos.
Como Sapiens, o Homem
era ainda supostamente religioso… sobretudo pelo anseio de salvação, pela
necessidade de cura para os seus males… e pelos constantes surtos epidémicos
aquando da formação dos primeiros aglomerados populacionais.
O Homem da Idade Média
era ainda supostamente religioso… sobretudo pelo poder de aniquilar o mal, um
suposto bem que não era mais do que expansionismo bárbaro e cruel, perpetrado
em nome de espíritos divinos que, definitivamente, apenas salvavam os mais
nobres e os mais puros…
Hoje, o Homem ainda é
«religioso» … supostamente porque já nasceu assim, porque está na moda e
sobretudo porque é socialmente correto e aceite. É de bom grado ser-se
religioso. É virtuoso o que promete algo e depois o atesta, ainda que o preço
seja normalmente pago para toda uma vida… normalmente com um enorme sofrimento
(a forma mais explícita de exibir a devoção).
Hoje, abominavelmente,
também já existe o suposto «Homem racionalmente religioso»… o que pratica e
explica a sua religião (teimando em afirmar que tal mistério não tem
explicação, apenas se tem de aceitar como mistério!), como se explicação
tivesse!
Talvez esta seja
apenas mais uma suposta opinião que não mudará o curso da história do suposto
pensamento religioso e a sua consequente evolução, mas, pelo menos, levará a
pensar um pouco mais… ou pelo menos a que cada um pense por si…
*
O termo «religião»
sabe-me a pobreza física e mental. Ainda que associado à ideia de excelência,
de generosidade, de perfeição espiritual, o que não é propriamente sinónimo de
lucidez ou racionalidade…
O termo «religião»
sabe-me a barbaridade. Basta olhar, hoje, objetivamente, para inúmeras áreas do
nosso planeta, mas em especial para o Médio Oriente e constatar… sangue,
sofrimento, ódio. Miséria, pobreza, práticas de crueldade que chegam às mais
aberrantes mutilações! Como é possível que, à entrada do 3. º milénio, a
«religião»[6] ainda seja a maior das «ciências»
e um «suposto supremo espírito santo» a resposta absoluta para todas as
questões? Para a
suprema questão… a Vida?
Razão terá certamente
quem «droga milenar» lhe chamou!
*
Surge
irreversivelmente a necessidade de meditar a sua negação… ou, pelo menos, a sua
improbabilidade… Porque não duvidar[7] ou desacreditar todas as
eternidades que até hoje se (i) revelaram, sem que tal, realmente, se assemelhe[8] a punição? Que maior punição pode
ter um qualquer «espírito humano»[9], por mais crente que seja, que o
refúgio cego nesse «espírito santo»[10]; nesse
«infinito-maestro-de-perfeição-absoluta» que, pelo próprio crer, tudo resolve e
conduz invariavelmente à certeza da imortalidade… como se o «acreditar»
assumisse forma de conhecimento de um mistério cujo fim o colocará
inevitavelmente às portas do mais quixotesco dos abismos: o eterno desconhecido
que inexplicavelmente tudo explica!
Por uma coerente
necessidade de verticalidade, não posso devotar-me a um mistério absoluto que
me sabe a ilusão… uma ilusão de perfeição para toda a imperfeição da espécie
humana.
Perdoem-me a
inconsciência, a imperfeição e a «irreligião»[11]. Perdoem-me tudo o que a
liberdade de pensamento me pode permitir, mas é precisamente o que sinto no
momento… e o que só ainda consigo compreender!
Não sei até onde tal
sensação me pode levar, mas, inegavelmente, prefiro-a a uma simples ilusão de
perfeição.
Se pelo menos houvesse
um pouco de razão em toda essa fé!
*
Existe, ainda hoje,
inegavelmente, no animal humano, um instinto doentio que o atrai e o guia para
a entrega total ao dito espírito-supremo-todo-poderoso dotado de inteligência
capaz de criar tudo e todos. É um ritual que se repete geração após geração,
mudando apenas os homens e o objeto de culto. Mas o desenvolvimento científico,
o desabrochar do pensamento, a consciência da verdade… começam a esbater[12] esse «espírito» e a gerar um
novo… talvez o mais abismal mistério humano: o «Espírito Humano»[13]! Prefiro debruçar-me sobre este,
ou melhor, sobre o «Espírito Animal». É mais estimulante sentir esta massa
biológica palpável, observar e tentar compreender o porquê dos gestos, das
palavras, das ações, dos ritos que ainda hoje perduram… a génese… os novos
desafios do genoma…
*
Tenho fé em mim[14]. Tenho fé na vida que contemplo.
Sou imperfeitamente
humano e, por enquanto, um simples mortal irremediavelmente condenado a esta
multiplicidade de pensamento até ao fim da Vida.
Ainda não posso ir
mais além[15]…
O único epílogo que me
posso permitir é que este suposto «deus» não criou qualquer homem! O Homem,
esse sim, terá criado um «deus», aliás, inúmeros.
*
Questiono se toda esta
minha indevoção espiritual não devotará numa exacerbada devoção materialista?
Sou devoto da
suficiência, mas até que ponto[16] posso necessitar? Eventualmente,
até ao elementar ponto dos demais mortais…
Questiono se toda esta
minha indevoção espiritual não resultará de uma natural ansiedade pelo
conhecimento… ou, simplesmente, procurar viver, sentir, pensar… procurando
reproduzir o que realmente sinto e o que realmente vejo à minha volta.
Mesmo quando abarco a
realidade, exterior e interior, normalmente apenas me resta a minha (in) feliz
luta interior.
Encerra e culmina a
realidade.
E eventualmente
devotará em nada… como Tudo!
Amanhã serei
tão-somente simples pensamento d’outrem, que eventualmente também meditará no
que será, quando algo deixar de ser. De mim restarão tão-somente estas palavras
de vida… outra vida será.
Não sei se pela minha
relativa felicidade humana, ainda não tive tempo de sentir ou pensar seriamente
em tal…
[1] Sensação
mental
[2] Religião
[3] Imagem
mental de religião
[4] Não
consigo
[5] Saber
[6] Todas
as formas…
[7] Quem
duvida
[8] A
quem sente
[9] Crente
[10] Deus,
Buda, Maomé…
[11] De
nem sequer uma religião ter respeitado quem a tem…
[12] Desacreditar
[13] A
consciência e descoberta da sua condição humana
[14] Cidadão
do mundo, humanista e universalista
[15] Pensar
[16] Limite
2018-02-10
0041. "Religião"
«Religião…».
Penso-a, logo existe! Não a penso, logo não existe! Elementar, caro ser humano…
*
De
«religião»…
Passa
subjetiva imagem mental…
Na
efemeridade mental da minha mente…
Existe
fugazmente enquanto tal…
Tal
como passa…
Tal
como penso…
Assim
que a deixar de pensar, deixará de existir…
Assim
que a deixar de pensar, deixará de existir em mim…
Tal
como deixará de existir em todas as mentes que a pensaram…
E
deixaram de pensar…
Em
todas as mentes que existiram…
Em
todas as mentes que existem…
Em
todas as mentes que existirão no futuro!
*
É
impossível não observar a evolução das espécies e a sua seleção natural… as
ossadas inertes são provas vivas… irrefutáveis e evidentes!
Fascina-me
a forma como vivem e sobrevivem todas as espécies… em especial a minha –
sobretudo nestes últimos anos em que faço parte desta assombrosa matéria viva!
Desconheço
como tudo começou. Desconheço praticamente tudo. E apenas sei como termina.
*
Ainda
sei tão pouco… Mas enquanto vou aprendendo sobre a origem da vida na terra,
enquanto vou desvendando as invisíveis «partículas», enquanto vou despertando
para a realidade… vou sobretudo tomando consciência das futilidades e ilusões
que devo ignorar…
*
Nasci
selvagem… Não pertenço a nada nem a ninguém, muito menos a supostas «religiões»
…
Desde
que o cordão umbilical se soltou que sou um novo ser, uma nova mente livre de
pensar…
*
Recordo
um dos hinos da liberdade em Portugal: «Uma gaivota voava, voava… asas de
vento, coração de mar / como ela somos livres, somos livres, de voar…». E
questiono-me: porque não somos ainda livres de voar? Porque não somos ainda
realmente livres de pensar? Porque criamos e adoramos ainda supostas divindades
e continuamos a aniquilar a nossa genuína natureza? Porque não somos ainda
livres como a «gaivota»[1]? Porque não somos ainda
«gaivota»?
E
é tão fácil responder: nascemos e crescemos rodeados de correntes ancestrais
que nos prendem à natureza da vida e não nos deixam voar plenamente!
*
Nascemos
e crescemos rodeados de correntes ancestrais que nos prendem à natureza…
Somos
sistematicamente conduzidos para o transcendental quando sofremos ou não
realizamos as mais elementares aspirações terrenas, no entanto, do desejo à
realidade, por vezes, existe uma distância abissal, eventualmente antagónica… e
não temos discernimento para a distinguir… cálice-milenar. Continuamos a
alimentar um suposto ser ajustado ao desejo de salvação…
Enquanto
não tivermos capacidade para distinguir e escolher livremente o caminho,
continuaremos a ser prisioneiros sem cela… Por isso, quanto mais depressa nos
libertarmos e alcançarmos essa capacidade de perceção, mais depressa agiremos
sobre a própria realidade pessoal e global…
*
Deparo
comigo a observar esta admirável massa cinzenta… e emociona--me os seus (meus)
pensamentos, as suas (minhas) emoções…
Por
vezes, fico maravilhado com a sua (minha!) forma, a forma como evolui e como
(me) conduz para estes admiráveis mundos (exterior/interior) que a (me)
envolvem… Por vezes, fico devastado ao imaginar a sua degeneração, a falência
do seu corpo… o sofrimento… a mágoa da perda da sua própria consciência…
*
As leis físicas são a
minha vida, a minha religião… por vezes, a minha ilusão e desilusão. São,
sobretudo, a realidade da sua (minha!) admiração e inspiração!
Não consigo deixar de
atribuir a sua origem (vida) a fenómenos físicos e a interações de partículas
que ao longo do tempo foram evoluindo/selecionando até este atual e complexo
produto sob forma de corpo/mente provida de pensamentos e emoções…
*
Conforma-me
ter nascido e vivido com o privilégio de pensar livremente… Conforma-me a
consciência de poder sempre optar pelo mais plausível…
E
a verdade é que tal me permite levar a simples e estável vida que sempre
sonhei, realizada praticamente a todos os níveis…
2018-02-09
0040. Ateu
2018-02-08
0039. Sobre o livro "A Bíblia"
Que
palavras para tão desmedido pensamento?!
Urge soltar tão repentina inspiração neste primeiro
dia do Novo Milénio!
Algo desperta a minha atenção… por momentos algo
suspende a minha emoção…
Vou ao milénio passado[1] buscar um livro… A Bíblia.
Ao abri-lo[2], simplesmente para recordar o que o outrora adolescente interpretara e
contrapor precisamente com o que agora pensava, reli as primeiras palavras do
preâmbulo: «Este é um livro de verdades absolutas, de verdades para todas as
gerações». «Há certezas eternas, garantidas por Deus. Elas são a segurança do
nosso existir.»
Parei imediatamente! Parei impelido pela
necessidade de refutação… «Meu Deus!»[3], como pode um mero livro deter Verdades Absolutas?
Fechei imediatamente!
Regresso ao presente… ao presente Milénio! Ao novo
Milénio! Regresso ao debate interior sobre a insipiência… quão vasto caminho…
Regresso ao não-saber… ao debilitar esta distância desmedida…
É espantoso como o sabor a inverdade me desperta o
debate interior! Porque sinto que toda esta cegueira[4] prejudica gravemente a inteligência humana? Porque sinto que todos
estes «milagres» são inequivocamente inverdades tradicionalmente adquiridas?
Porque sinto que tudo não passa evidentemente de ilusões? Porque sinto que o
ser-religioso não passa de um ilusionado? Um estulto aculturado… uma criança
adulta cuja perceção da realidade se assemelha, não ao que realmente é, mas ao
que deseja que seja… e ao que deseja ser!
Observo e constato este mar de lágrimas e sangue
derramados…
Observo e constato este desumano e horroroso
sofrimento …
Observo e constato estes ódios e guerras
fratricidas…
Observo e constato estas crucificações e mutilações
aberrantes… uma teia milenarmente enraizada na sociedade e na cultura,
associada e controlada pela ideia de Bem e Mal[5]… pela explicação sem explicação para toda a desgraça, pela absurda
necessidade de perfeição… pela obcecada aspiração de eternidade e imortalidade…
Tudo terá começado com a adoração de um suposto
«deus-Sol» pelas mais antigas civilizações. Porém, nestes dois últimos
milénios, assistiu-se à transmutação pelas mais diversas crenças[6] dos rituais e, sobretudo, a comutação da divindade[7], que passou a assumir a figura humana e a sua adoração divina… cega…
única… e obrigatória! O pão que alimenta o espírito… sobretudo dos mais pobres
de espírito…
Porque nunca se fundamentou ou impôs este «espírito
sagrado» durante tantas e tantas gerações… até às portas do novo Milénio?
Obviamente por não existir! Obviamente por
despertar a negação ao natural espírito humano… ao livre e deslumbrante
pensamento humano!
Jamais o que não é pode ser… por mais perfeito que
o façamos querer ser ou parecer!
Basta observar e constatar o quanto a «religião»
tem afastado o ser humano do seu meio natural… Basta observar e constatar como
é hoje usada a «religião», não pelos «ditos cristãos», fiéis seguidores que a
praticam em nome do bem-estar da humanidade, mas, sobretudo, pelos «ditos humanos»
que, tendo a perfeita noção da sua inexistência e do seu poder, a usam
discricionariamente, para submeterem, controlarem e manipularem amplas massas
sociais no seu próprio proveito e benefício, acabando por, em seu nome, criar
verdadeiras monstruosidades…[8], ideais profusa e cegamente seguidos… procurando possíveis respostas …
Este mero exercício de racionalidade é apenas uma
escolha natural das hipóteses mais prováveis, ou aparentemente mais credíveis…
apenas uma mera opinião. Decerto não mudará o percurso do pensamento e da ação humana…
esse não é o espírito[9] apenas observar e constatar, respeitando todos os pensamentos
desmedidos…
Fechei o livro. No meu desmedido pensamento,
observo e constato… e, neste novo milénio, abrem-se outros horizontes…
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