2020-02-14
0129. Eutanásia
2020-02-13
0128. "Livrai-nos da guerra"
“Livrai-nos
da Guerra” é o título de uma “grande reportagem” cuja primeira parte (de duas)
foi hoje emitida pela SIC em horário nobre, a seguir ao Jornal da Noite.
Segundo
esta estação trata-se de um “exaustivo trabalho de investigação” jornalístico
sobre o arquivo de Fátima que contém mais de oito milhões de mensagens escritas
pelos seus devotos… e os autores, leram, pelo menos “cerca de 50 mil cartas
com… desejos dos fiéis”.
Ler
50 mil cartas, nem que seja superficialmente, com “desejos dos fiéis à senhora
de Fátima” é realmente obra… e certamente não foi tarefa fácil!
O
título “Livrai-nos da Guerra” é apenas um dos muitos pedidos contidos nas
cartas devocionais que os “crentes” dirigiram à “Senhora de Fátima”,
A
maioria referia-se a Saúde… doença… guerra… violência familiar… angústias
pessoais…
“Criticar
uma crença ou qualquer ideal, é um direito fundamental do cidadão em qualquer
sociedade…”[1]
-embora normalmente, quem o faça, acabe crucificado, humilhado ou bombardeado
com mensagens ofensivas na praça pública ou nas redes sociais.
Colocar
em causa a “crença” da dita “Nossa Senhora de Fátima”, será decerto um
sacrilégio, no entanto, esse não é o principal intuito destas palavras.
Na
perspetiva de mero espectador, que estava a ver o noticiário com a atualidade
do país e do mundo, de um momento para o outro sou surpreendido com uma “Grande
Reportagem” que de “grande conteúdo jornalístico” pouco ou nada teve a não ser
o trabalho exaustivo que os jornalistas responsáveis pela mesma tiveram a lerem
uma pequena parte de todas aquelas cartas.
Como
tal, nessa mesma perspetiva, sugiro a realização de uma “terceira parte”.
Porque
não uma investigação séria e exaustiva sobre o fenómeno de “Fátima” e tudo o
que daria origem ao mesmo, tal como mostra o texto (em baixo) do “Observador”.
Porque
não?!
https://observador.pt/especiais/fatima-100-anos-de-uma-historia-mal-contada/
Porque
não uma investigação séria e exaustiva sobre os portugueses que não conseguiram
“livrar-se da guerra” e perderam em Angola?
Porque
não também uma entrevista ao Sr. Carlos Rosa, um português que atualmente
trabalha em Angola, que tem passado os últimos seis anos da sua vida empenhado
em trazer para Portugal os corpos dos militares que perderam a vida durante a
guerra.
Seria
realmente interessante e sobretudo importante para as suas famílias,
identificar, recuperar e trazer para Portugal os corpos dos seus entes queridos
que por lá ainda continuam…
Estou
certo que também seria importante para Portugal trazer de volta os portugueses
que foram enviados com toda a glória e agora simplesmente esquecidos!
https://www.jn.pt/nacional/portugues-ajuda-familias-a-recuperar-corpos-de-ex-militares-esquecidos-em-angola-9179387.html?fbclid=IwAR2mcY5s2ZHquJtde6KCTBklIGnLREsUW_lBkMU0kGGDS9-pbMJFaFoy8Mg
Entrevistas
com histórias de vida de pessoas a darem “graças” à dita “Nossa Senhora” por
supostamente esta as ter salvado de morrerem numa guerra… é realmente
comovente… sobretudo para os crentes…
É,
atrevo-me a dizer, demasiado fácil!
Entrevistas
aos que lá morreram e por lá continuam enterrados… é impossível. No entanto,
seria muito interessante saber a opinião dos seus familiares (crentes ou
descrentes da dita “Nossa Senhora”) ou simplesmente porque esta não terá salvado
também os seus entes queridos.
Isso
sim, seria uma tarefa difícil!
Eventualmente
não teria tanta audiência e sobretudo incomodaria muita gente…
No entanto, na minha modesta opinião de espectador,
creio que esta eventual terceira parte seria muito mais interessante que as
duas primeiras.
É
apenas a minha opinião, que de jornalismo pouco ou nada sei!
Não
é notícia os que foram ignorados pela dita Nossa Senhora!
Não
é notícia os que perderam a vida pelo país e agora jazem abandonados pelos
nossos políticos!
Já
agora, se eventualmente levarem mesmo a sério a minha sugestão de espectador e
pensarem concretizar essa “terceira parte”, não se esqueçam também de a emitir
em horário nobre, a seguir ao Telejornal!
Assim
poderia assistir com toda a família reunida.
“Livrai-nos
da Guerra” Parte 1
https://sicnoticias.pt/especiais/livrai-nos-da-guerra/2020-01-09-Livrai-nos-da-Guerra---I
“Livrai-nos
da Guerra” Parte 2
https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/livrai-nos-da-guerra-ii/vp-BBZ1YaX
2020-02-10
0127. Deus - Eu
Deus?!
Sou Eu!
Sim, Eu!...
Num determinado momento da minha vida que já
não consigo precisar, o intelecto permitiu-me “reparar”[1]
que o ser com quem diariamente falava e a quem chamava deus, era,
afinal, eu próprio! Foi precisamente nessa altura que acabaria por assimilar
que a minha consciência de deus é precisamente a mesma que eu, ser
humano, tenho de mim próprio! Tal significa logicamente que o meu-deus,
ou o conceito que dele tenho, é precisamente o mesmo que o da imagem abstrata
que obviamente morrerá quando eu morrer; tal como morrerão todos os deuses de
todos os seres humanos, sejam eles crentes ou não!
“O pior cego é aquele que não quer ver…” É um
facto que a maioria das pessoas não aceita… não quer ver a realidade que vê.
Algumas não admitem não ver… e a maioria não consegue realmente ver. São as que
“vêm e não reparam” porque cegaram.
O intuito destas duras palavras, que decerto
incomodarão algumas mentes mais dormentes, não é desrespeitar; não é ferir nem
ridicularizar pessoas ou crenças com as quais se identificam; muito menos
tentar convencer alguém! O intuito destas palavras é apenas expressar
livremente a minha opinião. O intuito destas palavras é apenas expressar
livremente a minha opinião, que vale o que vale; ou seja, o mesmo que as
demais; sejam elas convergentes ou divergentes. Todas são suscetíveis de crítica!
É uma mera opinião sobre o que considero completamente despropositado e
intolerável na sociedade atual: a Religião -eventualmente a maior
mentira da humanidade que, “por mil vezes repetida” se transformou na maior
verdade adquirida.
Tivera eu proferido estas palavras há 500 anos
atrás e no dia seguinte decerto estaria amarrado a um poste para ser queimado
vivo em plena praça pública! Não tenho a menor dúvida!
José Saramago, escritor marcadamente ateísta,
foi “crucificado” e “queimado” simplesmente por dizer publicamente que “não
acreditava em nenhum deus nem em mundos imaginários, como o céu e o
inferno…”. A forma incisiva como o fez, acabaria por colocar a nu algumas das
mais aberrantes barbaridades da religião, nomeadamente nas obras ‘O Evangelho
Segundo Jesus Cristo’ e ‘Ensaio sobre a Cegueira’, gerando um autêntico mar de
críticas, que em abono da verdade, mais pareciam inocentes tempestades
de verão lideradas por pastores e virgens ofendidas a caminho do céu.
A sua longa experiência de vida permitiu-lhe
prematuramente alcançar que esse “deus não precisa do homem para nada,
exceto para ser deus”[2].
Mais do que destacar a frase, importa salientar a sua extraordinária
genialidade e lucidez de raciocínio.
Realmente, poucos “podem olhar e ver[3]”…
e muito poucos “podem ver e reparar[4]”!
“Que me
perdoe” quem lê, mas também me apetece repetir: “Se puderem ver, reparem!”
Sentir, sinta quem sente!
Pensar, pense quem quiser!
Continuar a ler… siga quem gostar… ou não…
Faz algum sentido (e cito novamente Saramago),
que “antes da criação do universo, deus não tenha feito nada, e um dia,
não se sabe bem porquê, decida criar o universo. Segundo a Bíblia, fez o
universo em seis dias. Seis dias só! Descansou ao sétimo dia… e até hoje nunca
mais fez nada. Isto faz algum sentido?” Faz algum sentido que exista um deus
invisível, criado à imagem humana, que viveu na terra e mora no céu… (que céu?)
que tudo sabe e vigia… que criou uma lista de mandamentos completamente
ancestrais que exige que se sigam na atualidade, e simultaneamente ameaça quem
não os cumprir? Faz algum sentido que exista na realidade um deus invisível que
ama se for seguido e odeia ou mata se for recusado? Um ser autoritário que além
de amor, adoração e dedicação incondicional, precisa constantemente de
dinheiro, de muito muito dinheiro!… -esse vil metal que o líder máximo[5]
invocou como “fonte de pecado”?
Não faz sentido! Não só não faz sentido, como
desperta em qualquer mente minimamente pensante um mar de interrogações…
Não é fácil a qualquer ser humano aceitar esta
realidade! Não é fácil recusar ou refutar o ideal do divino, porque implica,
desde logo punição, negação de expectativas de perfeição e imortalidade! Não é
fácil reduzir a vida a simples partículas de matéria… -poucos são os que
aceitarão esta realidade. Poucos são os que aceitarão o fim. Não é fácil aceitar o falecimento absoluto do ser… do Eu. Não
é fácil aceitar o falecimento do corpo, da mente (também ela um órgão) e
sobretudo da “alma”, porque também a sua casa morre! Não é fácil! Eu diria que
é dramático para todos os seres. Crentes e não crentes.
A
natureza, alheia a todas estas questões, é obviamente implacável com todos os
seus seres… humanos e não humanos. Dá-lhes vida… Alimenta-os, alimenta os seus
sonhos e desejos…Ajuda-os a reproduzir… Ajuda-os a viver e a sobreviver… Mas não
os ouve! Não os vê! Não os distingue! Não os compreende! E mata-os!
É,
pois, no mínimo incoerente, procurar encontrar um “espírito divino” fora
da natureza humana!
É
perfeitamente compreensível que por todo o planeta existam as mais diversas
formas, teorias e explicações para todo o tipo de crenças…
Já não
o será, a criação humana de “deuses” para serem e representarem o que não é, ou
para explicar o que não sabe ou não consegue saber… é um perfeito absurdo!
Não se trata de reduzir a crença a um mero
conceito antropológico; trata-se de raciocinar, de reparar, de perguntar… e
sobretudo aceitar a realidade seja ela qual for… nua e crua!
A humanidade terá tido origem num processo
perfeitamente natural (tal pode-se constatar através das ossadas dos nossos
antepassados… de todos os fósseis descobertos…).
A cultura foi-se enraizando em cada tribo… as
sociedades foram evoluindo moldadas pelo ambiente, pela necessidade de
sobrevivência, dando origem às mais diversas civilizações nas mais diversas
regiões do planeta…
Muitas destas civilizações extinguiram-se,
algumas chegaram aos nossos dias com as suas normas, as suas tradições, os seus
usos e costumes adaptados à realidade atual. A própria religião é uma
dessas evidências culturais, que marcou e ainda continua a marcar
catastroficamente toda a história da humanidade, tal a forma viral como se
propagou praticamente por todo o planeta sobretudo nos dois últimos milénios.
Para
que possamos entender qualquer crença, temos previamente que “reparar” que a
consciência que temos de qualquer divindade é a mesma que temos de nós
próprios. Todas as crenças não são mais do que o reflexo material e imaterial
do mundo interior do ser humano… O exteriorizar de medos e desejos vitais e
elementares… O exteriorizar de aspirações que não consegue realizar ou
materializar como consequência da sua limitação… A ânsia de saber ou de não
poder saber tudo… A ânsia de poder, de dominar, do que não tem ou não consegue
alcançar… O medo do ser mortal e consequentemente limitado no tempo… que lhe
foge.
A
criação, a adoração, a projeção, a relação com o ser divino, ou com a sua
imagem… é precisamente a mesma que temos com os nossos semelhantes! Os seus
“mandamentos divinos” não são mais do que as regras de conduta humana
elaboradas por humanos em nome da liberdade e da justiça social… da moral e do
respeito que têm que ter para com os demais para que socialmente possam
coexistir… hoje consideravelmente melhoradas em algumas democráticas
“constituições”.
É inevitável que um dia todos “reparemos” um
pouco melhor nesta realidade.
Tal como um dia disse o nosso Fernando Pessoa…
Que todos possamos “ouvir o olhar” e com esse
“olhar adivinhar os sentimentos”!
[1]
“Reparar” (Saramago). Retirou-me a venda… capacitou-me a visão… conferiu-me a
perceção.
[2]
Saramago
[3]
Idem, anterior
[4]
Idem, anterior
[5] Papa
2020-02-08
0126. Religião
Não pretendo iluminar a religião de ninguém!
Não pretendo apagar a religião de ninguém!
Tão-somente expressar a fé que tenho no Amor,
Tão-somente celebrar o prazer que tenho no Amor!
Tão-somente amar sempre assim perdidamente…
Tão-somente amar sempre assim intensamente…
Tão-somente amar sempre este perfeito instante.
Tão-somente amar sempre esta Deusa[1]
de presente.
Tão-somente respirar sempre assim este encanto…
Tão-somente sentir sempre assim suave, suavemente…
Tão-somente tocar sempre assim leve, levemente…
Tão-somente Viver sempre simplesmente o momento[2]…
Tão-somente Amar e ver sempre perfeitamente…
Tão-somente Agora… e sempre, naturalmente!
0125. Mulher
2020-02-06
0124. "Justiça divina"
Diz este que “a lentidão de alguns processos poderá mesmo
significar concluir que a justiça humana poderá ser tão lenta, tão lenta, nos
casos de especial complexidade, que para os crentes mais radicais passará a
ombrear com a justiça divina, por definição intemporal”.
Não sei se o presidente crê radicalmente em algo, apenas sei,
pelas suas palavras e atitudes que é realmente “crente”.
Concordo plenamente quando diz que a justiça é muito lenta
sobretudo nos casos de “especial complexidade”, mas quanto à “justiça divina”,
e esta é apenas uma opinião pessoal, que vale o que vale… fico, mais uma vez,
verdadeiramente dececionado.
Enquanto tivermos um presidente que constantemente se ajoelha
perante supostas divindades, no beija-mão ao papa, ou constantemente apregoa
“justiça divina”, teremos consequentemente também um povo eternamente condenado
à ignorância.





