2025-10-20

0431. Crenças religiosas



O que pode levar um ser humano a debruçar-se sobre uma pedra, a ajoelhar-se, a arrastar-se, a martirizar-se, a subjugar-se e a humilhar-se perante imagens ou esculturas de supostas entidades divinas?

O que pode levar um ser humano a acreditar incondicionalmente na autenticidade da sua suposta divindade e a tomar as demais como falsas ou meros desvios da realidade?

O que pode levar um ser humano a afirmar categoricamente que uma contradição ou prova não podem invalidar a fé na sua divindade, apenas a fortalece?

É por demais evidente que o ser humano que acredita numa suposta divindade não tem consciência que é prisioneiro desse sistema dogmático e que muito dificilmente se libertará dele; a endoutrinação precoce a que foi sujeito, cegou-o, imunizou-o do conhecimento científico que substitui por explicações ilusórias, confortantes e satisfatórias.

A nível individual, há quem o classifique como “crente”; no entanto, o termo mais apropriado seria obviamente “paciente[1]”.

A nível grupal, há quem classifique como “crença ou tradição religiosa” moral e culturalmente legitimada por uma “herança islâmica, ou judaico-cristã” delimitadas pelos dois últimos milénios…

Normalmente individuo e grupo partilham convicções inquestionáveis e resistem à prova e ao contraditório. Constroem uma entidade própria baseada no sobrenatural ou num ideal de perfeição e isolam-se para se protegerem da realidade exterior.

Por razões, éticas e clínicas não é conveniente classificar o estado como «perturbação mental», mas, simplesmente, fragilidade racional.

 



[1] Doente


Autor: Carlos Silva
Data: 2026-01-05
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[1] Doente





2025-09-08

0430. Não sou de ninguém

 




Não pertenço a nada nem a ninguém

Sou apenas silêncio e memória d’alguém

Sou simplesmente silêncio d’uma emoção

Sou apenas satisfação sorriso e perdição

 

Sou apenas nostalgia d’uma imagem literal

Sou apenas fantasia d’uma excitação mental

Sou simplesmente liberdade do teu Outrora

Sou apenas desejo na realidade deste Agora

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-20
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Obs.:
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2025-09-06

0424. Sudário de Turim

 



Diz o povo, com razão, que “a mentira tem a perna curta!”

 

Em Cadouin, França, desde o século XII, que os cristãos veneravam e atribuíam milagres a um Sudário (peça de tecido) que supostamente teria envolvido a cabeça de «Cristo» e tinha sido preparada pela própria «Virgem Maria».

Porém, inesperadamente, em 1935, a Igreja Católica cancelou abruptamente todas as peregrinações e cerimónias, pois descobriu que a «relíquia» continha a inscrição «em nome de Deus clemente e misterioso…

Deus não há senão Alá» e teria pertencido a Moustali, califa do Egipto entre 1094 e 1101.

Resumindo, por mais de 700 anos, milhares de fiéis cristãos veneraram um véu islâmico que continha inscrições que glorificaram Alá… — um longo e humilhante período de paixão religiosa, agora desmascarado, ridicularizado e alvo de chacota popular.

Como há algum tempo que uma relíquia da Igreja Católica não era desmascarada ou desacreditada, eis que chegou a vez do Sudário de Turim. Este é um pano de linho que se encontra guardado na Catedral de Turim, norte da Itália, desde 1578, que mostra a imagem de um homem que milhões de católicos, ainda hoje, veneram, por acreditarem piamente que se trata da mortalha que envolveu o corpo de «Cristo» após a sua crucificação.

Tal como o Sudário de Cadouin, o Sudário de Turim também tem uma longa e controversa história de devoções e desacreditações…

Recentemente, Cícero Moraes, designer brasileiro, publicou um estudo científico, no qual demonstra que a imagem do Sudário não foi formada pelo contato de um corpo humano, mas por um molde de baixo-relevo, uma técnica artística comum na Idade Média, levantando assim dúvidas sobre a sua autenticidade.

Já em 1988, uma datação por radiocarbono efetuada por três laboratórios diferentes, tinha estabelecido que o material de linho do Sudário foi produzido entre os anos 1260 e 1390, o que reforça o estudo de Cícero de Morais, uma vez que estas representações religiosas em baixo-relevo eram práticas comuns na Europa nesse período.

Entretanto, eis que um documento medieval, recentemente descoberto, vem complementar as provas anteriores e arrasar por completo a crença do Sudário, classificando-a como uma «fraude deliberada».

A autenticidade do Sudário de Turim já tinha sido recusada por Nicole Oresme, teólogo do século XIV, que, mais tarde, se tornaria Bispo de Lisieux. Oresme classificou o Sudário como um «engano claro e patente» encenado por clérigos para obterem donativos dos fiéis. Esta análise, é, pois, a rejeição mais antiga que se conhece sobre a autenticidade do Sudário,o que revela que, nessa altura, já se sabia que era falso!

Há mais de 500 anos que a Igreja Católica sabe que o Sudário de Turim é falso!

Perante a esmagadora evidência das provas agora apresentadas, muita gente questionará: como é que a Igreja Católica consegue fazer com que milhões de pessoas continuem a acreditar piamente que o Sudário é uma mortalha que envolveu o corpo de «Cristo» após a sua crucificação? Como é que o Vaticano consegue manter vivo este «autêntico milagre»?

A resposta é muito simples: DINHEIRO! O DEUS DINHEIRO! O

Sudário de Turim é um negócio lucrativo que continua a gerar muito dinheiro!

 

Diz o povo, com razão, que «a mentira tem a perna curta!»

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2025-09-03
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2025-09-04

0429. Ateísmo

 





A ausência de crença em entidades supranaturais, não implica propriamente um vazio existencial… pelo contrário!

A ausência de crença permite-me viver plenamente e ser relativamente feliz no seio de uma família estruturada e num meio social e profissional equilibrado e regrado.

A ausência de crença permite-me levar uma vida completamente pacífica, guiada por parâmetros éticos e sobretudo racionais que sempre defini como prioritários para me sentir plenamente satisfeito neste breve lapso de tempo que tenho o privilégio de desfrutar.

A ausência de crença, não implica qualquer privação, negação, sacrifício… ou eventualmente que viva o dia a dia obcecado com a ideia de Fim. Na realidade tenho perfeita consciência do fim e sobretudo a consciência que é fundamental viver plenamente o momento ou pelo menos não morrer antes do fim, obcecado ou amedrontado com ameaças de infernos ou promessas de eternidades, em troca de comportamentos que impliquem desperdícios temporais com devoções, rituais ou sacrifícios absolutamente inúteis, humilhantes e patológicos.

O ateísmo não é uma crença… mas sim a sua ausência!

Abordo as crenças porque alguém se lembrou de inventar ou criar seres imaginários não apenas com o intuito de responder aos seus anseios e desejos de perfeição… mas, porque na maioria dos casos, são usadas com o vil propósito de dominar, enganar e explorar os mais pobres e desfavorecidos.

Abordo as crenças porque, de forma incessante, me procuram impor e impingir os seus amigos invisíveis e imaginários, que obviamente não ultrapassam o filtro lógico da minha racionalidade.

No fundo o ateísmo não é mais do que uma resposta a esse comportamento mitológico/patológico/ancestral que, na generalidade, é fruto da ignorância e limitação humana relativamente à realidade envolvente.

No fundo o ateísmo não é mais do que uma reação natural aos dogmas que me querem impor, às imoralidades e inverdades que sucessivamente vão sendo desmascaradas e desmentidas pela ciência.

No fundo o ateísmo não é mais do que uma reação natural à endoutrinação, à manipulação, ao ódio e à intolerância religiosa que normalmente gera guerras e lutas fratricidas.

No fundo o ateísmo é apenas viver naturalmente o momento, reagindo e fazendo uso contínuo da razão quando colocada em causa.

No fundo o ateísmo é apenas viver naturalmente e pacificamente o momento de acordo com os padrões de justiça social que norteiam as sociedades livres e democráticas.

 

No fundo ser ateu é contribuir para uma sociedade mais racional… mais justa… e sobretudo para uma melhor distribuição dos recursos e riquezas do planeta.

 

É-me impossível admitir a mentira por mais que afirmem ser verdade!

É-me impossível ultrajar a verdade por mais que insistam na mentira!

 

O ateísmo, não é, pois, nenhuma crença!

O ateísmo é simplesmente não acreditar em entidades divinas!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2025-08-10
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2025-08-24

0428. Comunicar

 






Comunicar não é, hoje, uma tarefa fácil… não deixando de ser um desafio estimulante e um prazer sem limites!

Somos eminentemente sociais… precisamos partilhar e dar a conhecer a quem nos rodeia o que realmente pensamos e sentimos.

 

Comunicar exige preparação…

É preciso definir claramente o tema e o objetivo do que pretendemos alcançar para que não restem dúvidas sobre a mensagem a transmitir.

É preciso saber a quem nos dirigimos… quais os interesses, as necessidades para que possamos ir de encontro às suas expetativas.

É preciso sorrir… o sorriso criar empatia e despertar a audiência… o sorriso é a primeira palavra do orador!

Comunicar exige método…

É preciso definir uma abertura… a frase que sintetize e desperte o interesse inicial.

É preciso que a mensagem seja simples, clara, concisa e direcionada ao público… por forma a que assimilada de forma fácil e rápida…

Discursos muito longos e monótonos tendem normalmente a cansar e desinteressar o público… por isso convém ser o mais breve possível.

É preciso um rigoroso e apropriado uso da linguagem, com respeito pelas regras gramaticais, por forma a transmitir uma imagem positiva.

É muito importante que o tom de voz seja firme e confiante, com pausas e silêncios, com articulação das palavras e sobretudo que o vocabulário seja adequado ao momento da comunicação.

É preciso olhar as pessoas nos olhos, cativar, espicaçar o interesse e entusiasmo de acordo com as suas emoções e reações…

Dúvidas ou questões… convém estar sempre aberto a esclarecer… e se no momento não souber, adie a resposta correta para mais tarde.

É preciso apresentar sempre uma síntese ou conclusão das principais ideias desenvolvidas.

É preciso corrigir o erro… e sobretudo muita prática!

 

Comunicar não é, hoje, uma tarefa fácil… mas também não é uma missão impossível!

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-15
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2025-08-23

0427. Liberdade religiosa

 






A liberdade, tal como a liberdade religiosa, são valores fundamentais duma sociedade livre e democrática.

Liberdade, no entanto, não é exatamente o mesmo que liberdade religiosa.

A liberdade permite expressar plenamente sentimentos e pensamentos, interagir com os semelhantes, sejam eles crentes ou descrentes.

A liberdade religiosa, permite apenas expressar uma crença, deixa de ser liberdade quando procura subjugar a liberdade d’outras crenças e sobretudo a liberdade dos que não têm qualquer crença.

A liberdade religiosa, ao tornar-se dominante, tende normalmente em impor a sua liberdade à liberdade dos demais… a subjugar ou eliminar livres-pensadores e todos os que a questionam…

Pais com plena liberdade religiosa, normalmente acreditam que tem o direito de educar os filhos segundo os rituais da sua religião… -certamente porque nunca tiveram liberdade para escolher o que também acabam por impor aos seus filhos.

Ao fazerem-no, de forma consciente ou inconsciente, não estão apenas a retirar-lhes a liberdade de escolha religiosa, mas também a autêntica liberdade e sobretudo a condicionar todo o seu futuro.

À luz da liberdade religiosa, esses progenitores acreditam piamente que têm o direito e a obrigação de o fazerem; mas, na realidade, não devem, nem o podem fazer.

Não podem violar a liberdade (de escolha) dos filhos!

Não podem impor a sua liberdade religiosa a uma inocente criança que ainda não têm uma capacidade de decisão/escolha realmente solidificada.

Tal poderá fazer com que, no futuro, a criança seja incapaz de distinguir fantasia de realidade… e sobretudo liberdade religiosa de plena liberdade!

 

 

Autor: Carlos Silva
Data: 2024-02-14
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