2018-02-09
0040. Ateu
2018-02-08
0039. Sobre o livro "A Bíblia"
Que
palavras para tão desmedido pensamento?!
Urge soltar tão repentina inspiração neste primeiro
dia do Novo Milénio!
Algo desperta a minha atenção… por momentos algo
suspende a minha emoção…
Vou ao milénio passado[1] buscar um livro… A Bíblia.
Ao abri-lo[2], simplesmente para recordar o que o outrora adolescente interpretara e
contrapor precisamente com o que agora pensava, reli as primeiras palavras do
preâmbulo: «Este é um livro de verdades absolutas, de verdades para todas as
gerações». «Há certezas eternas, garantidas por Deus. Elas são a segurança do
nosso existir.»
Parei imediatamente! Parei impelido pela
necessidade de refutação… «Meu Deus!»[3], como pode um mero livro deter Verdades Absolutas?
Fechei imediatamente!
Regresso ao presente… ao presente Milénio! Ao novo
Milénio! Regresso ao debate interior sobre a insipiência… quão vasto caminho…
Regresso ao não-saber… ao debilitar esta distância desmedida…
É espantoso como o sabor a inverdade me desperta o
debate interior! Porque sinto que toda esta cegueira[4] prejudica gravemente a inteligência humana? Porque sinto que todos
estes «milagres» são inequivocamente inverdades tradicionalmente adquiridas?
Porque sinto que tudo não passa evidentemente de ilusões? Porque sinto que o
ser-religioso não passa de um ilusionado? Um estulto aculturado… uma criança
adulta cuja perceção da realidade se assemelha, não ao que realmente é, mas ao
que deseja que seja… e ao que deseja ser!
Observo e constato este mar de lágrimas e sangue
derramados…
Observo e constato este desumano e horroroso
sofrimento …
Observo e constato estes ódios e guerras
fratricidas…
Observo e constato estas crucificações e mutilações
aberrantes… uma teia milenarmente enraizada na sociedade e na cultura,
associada e controlada pela ideia de Bem e Mal[5]… pela explicação sem explicação para toda a desgraça, pela absurda
necessidade de perfeição… pela obcecada aspiração de eternidade e imortalidade…
Tudo terá começado com a adoração de um suposto
«deus-Sol» pelas mais antigas civilizações. Porém, nestes dois últimos
milénios, assistiu-se à transmutação pelas mais diversas crenças[6] dos rituais e, sobretudo, a comutação da divindade[7], que passou a assumir a figura humana e a sua adoração divina… cega…
única… e obrigatória! O pão que alimenta o espírito… sobretudo dos mais pobres
de espírito…
Porque nunca se fundamentou ou impôs este «espírito
sagrado» durante tantas e tantas gerações… até às portas do novo Milénio?
Obviamente por não existir! Obviamente por
despertar a negação ao natural espírito humano… ao livre e deslumbrante
pensamento humano!
Jamais o que não é pode ser… por mais perfeito que
o façamos querer ser ou parecer!
Basta observar e constatar o quanto a «religião»
tem afastado o ser humano do seu meio natural… Basta observar e constatar como
é hoje usada a «religião», não pelos «ditos cristãos», fiéis seguidores que a
praticam em nome do bem-estar da humanidade, mas, sobretudo, pelos «ditos humanos»
que, tendo a perfeita noção da sua inexistência e do seu poder, a usam
discricionariamente, para submeterem, controlarem e manipularem amplas massas
sociais no seu próprio proveito e benefício, acabando por, em seu nome, criar
verdadeiras monstruosidades…[8], ideais profusa e cegamente seguidos… procurando possíveis respostas …
Este mero exercício de racionalidade é apenas uma
escolha natural das hipóteses mais prováveis, ou aparentemente mais credíveis…
apenas uma mera opinião. Decerto não mudará o percurso do pensamento e da ação humana…
esse não é o espírito[9] apenas observar e constatar, respeitando todos os pensamentos
desmedidos…
Fechei o livro. No meu desmedido pensamento,
observo e constato… e, neste novo milénio, abrem-se outros horizontes…
Direitos reservados.
2018-02-07
0038. Religião por tradição
Li, hoje, algures num jornal,
que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sentenciou uma escola a retirar os
símbolos religiosos.
Parece que, em Portugal, se está
«a refletir se se deve retirar ou não tais símbolos» dos estabelecimentos
públicos… e o que é um facto é que não sei se já chegaram efetivamente a alguma
conclusão! Alguns estabelecimentos ainda os têm, sendo apenas retirados caso os
docentes ou discentes o solicitem…
A sua existência nas escolas
ainda não é consensual e a sua remoção também ainda não é obrigatória, mas o
que é um facto é que viola o conceito de laicidade do Estado: «O Estado não tem
uma religião, nem pode impor determinada visão da religião à sociedade».
Na sentença, «o tribunal deu
razão ao protesto de uma mãe relativo à escola frequentada pelos seus dois
filhos, condenando o país[1]
a indemnizar a queixosa em cinco mil euros por ter sistematicamente recusado os
seus apelos.»
Para a instituição de
Estrasburgo, «a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão»
em instalações públicas e «especialmente em aulas» atenta contra a liberdade
dos pais educarem os filhos «em conformidade com as suas convicções».
O Vaticano reagiu obviamente com
«surpresa» e «tristeza» a tal sentença… mas, em Portugal, um porta-voz de uma
dita Conferência Episcopal referiu que: «não faz sentido retirá-los das
escolas», porque «a cruz é ícone da cultura ocidental […] um símbolo anti
violência» – ainda que a exibição da crucificação em si seja desde logo um ato
bárbaro e de extrema violência. Impor a sua retirada seria «uma forma de
limitação da “diversidade cultural”» …
Curiosamente, questionado por um
jornalista se aceitaria então que uma escola pudesse exibir um símbolo islâmico
caso a comunidade o pedisse, o padre admitiu que não, justificando: «Esse não é
propriamente um símbolo da nossa identidade cultural. A raiz cultural da escola
pública não é muçulmana.»
Também por tradição se realizam
nas escolas e instituições militares algumas cerimónias religiosas… mas parece
que aí a reflexão e a ação ainda são mais profundas e demoradas!
2018-02-06
0037. Manual de Maus Costumes
Saramago apelidou hoje a Bíblia
de «Manual de maus costumes», o que provocaria grande indignação a algumas
figuras religiosas… recordo apenas alguns adjetivos: «vergonhoso», «ofensivo»,
«ignorante» …
Ao assistir aos noticiários,
pude efetivamente constatar que as suas palavras tiveram grande impacto social
e sobretudo um enorme desconforto na cúpula da Igreja Católica. Curiosamente,
os adjetivos que me vieram à mente foram «lucidez», «racionalidade», «inteligência»
…
Saramago replicou «vergonhosos»
e «ignorantes» são os ditos «representantes de um dito Deus na Terra» não terem
consciência de que «nada disto existiu, está claro; são mitos inventados pelos
homens, tal como Deus é uma criação dos homens», mesmo até que o homem em si
tenha realmente vivido!
Sobre o dito livro, que também
já tinha tentado ler, mais do que desilusão mental, apenas conseguiria
confirmar ainda mais a minha desilusão pessoal e um tremendo esforço para não
adormecer…
É realmente uma enorme demência
nascer e crescer com a Bíblia ao lado e não despertar… ou despertar tão tarde
para a liberdade e lucidez da restante literatura. É realmente uma enorme
demência ver como, sob a sua prolongada escrita, «passaram mais de dois mil
anos e dezenas de gerações», sempre sob a «dominante de um Deus cruel, invejoso
e insuportável».
Mais abomináveis ainda são as
inúmeras e trágicas guerras que ao longo da história se travaram em nome da
dita religião, e realmente «as religiões nunca serviram para aproximar os seres
humanos uns dos outros». Mesmo sem guerra, o que hoje constatamos é
precisamente o contrário!
Mais irracionais ainda são as
inúmeras formas assumidas pelo dito Ser, cuja única aparência realmente só
mesmo no domínio das ideias e quase sempre assimilando formas humanas… um ser
«do outro mundo», capaz de «não fazer absolutamente nada, de criar todo um
Universo, não se sabe bem porquê, nem para quê, em apenas seis dias,
descansando depois ao sétimo… e depois, até hoje, decidiu nada mais fazer!...».
Mais impressionante ainda é
ainda hoje ser «a grande resposta para a salvação de toda a Humanidade».
2018-02-05
0036. Culpados
2018-02-04
0035. A José Saramago
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